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Programa baiano inspira projeto musical em Moçambique

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Programa baiano inspira projeto musical em Moçambique
 
Kika Materula e os alunos da orquestra Xiquitsi, de Moçambique. Fábia Belém

Xiquitsi é o nome de um instrumento musical de Moçambique. Mas, no Teatro Scala, na capital Maputo, este também é o nome de um projeto que, há três anos, ensina música clássica a moçambicanos. O projeto foi inspirado em experiências do Brasil, o programa baiano Neojiba, e da Venezuela. Noah Bene, 7 anos de idade, e Kaia Paco, 5, estão aprendendo a tocar violino. “É muito fácil”, diz a garota.

Por Fábia Belém, correspondente da RFI em Moçambique

O projeto Xiquitsi é da Kulungwana, uma associação que trabalha para o desenvolvimento cultural em Moçambique. Recebe apoio financeiro da Noruega, de ONGs e patrocinadores locais, e atende 220 pessoas, entre crianças, adolescente e jovens. Cerca de 80% são de famílias carentes.

A quem precisa, o projeto oferece ajuda financeira para alimentação e transporte, e disponibiliza instrumentos. Uma chance de sonho para Francisco Fumo, 22 anos. Ele chegou sabendo nada de música. Hoje faz parte da orquestra juvenil do Xiquitsi. “Aprendi que eu não devo desistir daqueles que são os meus sonhos só por dificuldades. Quero seguir em frente, fazer a minha licenciatura, fazer o meu mestrado no contrabaixo, avançar”, afirma.

A inspiração que veio do Brasil e da Venezuela

O projeto conta com cinco professores. A autora e diretora-artística do Xiquitsi é Kika Materula. A jovem moçambicana é oboísta na Orquestra Sinfônica do Porto Casa da Música, em Portugal. Ela revela que se inspirou em dois projetos bem-sucedidos de música - o venezuelano El Sistema e o brasileiro Neojiba (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia), do qual faz parte como professora. “Aqui está o Brasil. Aqui estão estes meninos que poderiam ser baianos, e que podem, e vão estar, um dia, a ocupar esses lugares nos melhores conservatórios do mundo”, garante Materula.

Para Jovânia Muguambe, o projeto é uma espécie de farol. “Eu quero fazer violino como profissão, porque o Xiquitsi abriu-me os olhos”. A jovem de 20 anos está há três no projeto.

O sonho do Xiquitsi

Para o futuro, os planos de Kika Materula incluem a formação da primeira Orquestra Sinfônica de Moçambique. “Falta preencher a nossa orquestra com instrumentos de sopro, não temos ainda. Para isso, precisamos também de professores; para termos professores precisamos de apoio, de financiamento. Vamos lutar, além das fronteiras, se necessário, para consegui.r.
 


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