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Brasil

Estupro coletivo no Brasil é matéria de capa do jornal Libération

media Capa do Libération sobre estupro coletivo no Rio de Janeiro, 1 de junho de 2016. Libération

O estupro coletivo da jovem de 16 anos no Rio de Janeiro é matéria de capa do diário francês Libération nesta quarta-feira (1). Depois de observar a onda de indignação gerada por casos semelhantes no Brasil, na Índia e em outros países em desenvolvimento, o jornal de esquerda considera o combate ao estupro um desafio mundial.

Segundo uma nota da Organização Mundial da Saúde (OMS) de dezembro de 2015, cerca de 35% das mulheres no mundo afirmam ter sofrido violência física ou sexual ao longo da vida. Porém, "só os estupros coletivos parecem comover as pessoas", destaca o Libération. Para o diário, o estupro "é uma realidade sem fronteiras sociais ou geográficas, que constitui um crime na maior parte das legislações contemporâneas". 

O problema é que, na prática, "o número de casos é subestimado pelo silêncio das vítimas", constata o texto. A estigmatização das mulheres violentadas ainda é forte na maioria dos países, seja na Índia, com 36 mil casos por ano, ou na França, com 12 mil.

Depois de ouvir a socióloga Eva Blay, fundadora do Centro de Estudos do Gênero e de Direitos das Mulheres da Universidade de São Paulo, o jornal avalia que no Brasil as mulheres "são duplamente penalizadas". A socióloga relata que a sociedade brasileira divide as mulheres em duas categorias: as santas e as prostitutas. Ela explica que no Brasil, quando uma mulher é estuprada, ela é imediatamente considerada como "uma mulher fácil". Essa distorção absurda dos fatos é condenada pelo Libération. "A violência sexual não é uma questão de saia curta ou de moral. É um crime que tem consequências sobre a saúde feminina", diz o Libé.

"Sociedade brasileira é patriarcal, machista e misógina"

A dupla pena das brasileiras "ainda é reforçada pela misoginia e o machismo de uma sociedade patriarcal". Sobre o recente caso no Rio de Janeiro, o Libération exagera o número de agressores dizendo que ainda não está claro se foram 28, 33 ou 36 homens que violentaram a menor de 16 anos. O texto questiona se haverá "finalmente" uma maior conscientização sobre a barbárie que representa o estupro, o que não é dado como certo por Nadine Gasman, a representante brasileira na ONU Mulheres.

Libération critica a reação tardia do presidente interino, Michel Temer, sobre o caso e descreve o conservadorismo da nova secretária de Políticas para Mulheres, a evangélica Fátima Pelaes. "O Congresso brasileiro está dominado por lobbies religiosos. Um projeto de lei aprovado em comissão parlamentar quer tornar o acesso ao aborto em casos de estupro mais difícil, quando é uma das raras circunstâncias em que a legislação brasileira autoriza o aborto."

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