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Brasil

Em seu primeiro discurso, Temer promete manter programas sociais

media Michel Temer ao lado de sua equipe de governo durante a cerimônia de posse. REUTERS/Adriano Machado

Michel Temer fez nessa quinta-feira (12) seu primeiro discurso como presidente em exercício após o afastamento de Dilma Rousseff do cargo. O novo chefe de Estado apresentou os ministros de seu governo e prometeu manter os programas sociais implementados pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

De Brasília, Luciana Marques e Silvano Mendes

A cerimônia de posse que deveria ser discreta foi marcada por bastante tumulto. Antes mesmo do início do evento, fogos de artifício foram lançado e manifestantes invadiram a rampa do Palácio do Planato. Policiais dispersaram o grupo com spray de pimenta. Houve correria e alguns manifestantes caíram.

Do lado de dentro, o Salão Leste foi pequeno para o número de convidados e mesmo o telão instalado para transmitir o ato não acalmou os descontentes. Irritados com a desorganização e o número de pessoas em pé, atrapalhando a visão, os fotógrafos da imprensa chegaram a protestar, aos gritos de “Não vai ter foto”, um trocadilho com o já conhecido slogan “Não vai ter golpe”, usado pelos opositores do impeachment.

A confusão parece ter desestabilizado Michel Temer, que perdeu a voz e teve que fazer uma pausa para beber água antes de retomar o discurso. O presidente em exercício apresentou, sob o olhar atentivo do senador Aécio Neves, o lema de seu governo : Ordem e Progresso.

Temer estava acompanhado dos membros escolhidos para formar seu governo. Os 21 novos ministros – todos homens – assinaram o termo de posse, mas não se pronunciaram. Dois outros ocupam cargos que não têm status de ministério. 

Economia aparece como prioridade do novo governo

O presidente interino afirmou, em tom solene, que "é preciso recuperar a credibilidade do Brasil" e que "é urgente pacificar a nação e unificar o país" com um "governo de salvação nacional". Temer, vice durante os cinco anos e meio do governo Dilma, lançou uma mensagem de esperança aos brasileiros, que sofrem com a pior recessão econômica em décadas, e prometeu adotar políticas que incentivem a economia e atraiam investimentos para combater a elevada inflação e o desemprego crescente.

"Partidos políticos, lideranças, entidades organizadas e o povo brasileiro hão de prestar sua colaboração para tirar o país dessa grave crise em que nos encontramos", disse Temer, de 75 anos. "O diálogo é o primeiro passo para enfrentar os desafios para avançar e garantir a retomada do crescimento", acrescentou.

No entanto, ele tentou tranquilizar a oposição, que o acusou de planejar desmantelar algumas iniciativas implementadas pelo PT. "Vamos manter os programas sociais", insistiu o novo presidente. Para ele, o que foi feito pelos governos anteriores não precisa ser destruido, e sim aprimorado. Antes de declarar seu “respeito institucional” a Dilma Rousseff, ele expressou seu compromisso com reformas. “Mas quero fazer uma observação: nenhuma dessas reformas alterará os direitos adquidos pelos cidadãos brasileiros.”

O presidente em exercício anunciou, ainda, a redução do número de ministérios de 32 para 24 com o objetivo de cortar gastos.. Ele garantiu que "quanto mais cedo pudermos retomar as contas públicas, mais rapidamente poderemos retomar o crescimento".

Conheça o governo Temer:

- Fazenda - Henrique Meirelles

- Casa Civil - Eliseu Padilha (PMDB-RS)

- Planejamento, Desenvolvimento e Gestão - Romero Jucá (PMDB-RR)

- Secretaria de Governo - Geddel Vieira Lima (PMDB-BA)

- Justiça e Cidadania - Alexandre de Moraes (PSDB-SP)

- Relações Exteriores - José Serra (PSDB-SP)

- Cidades - Bruno Araújo (PSDB-PE)

- Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações - Gilberto Kassab (PSD-SP)

- Transportes, Portos e Aviação Civil - Mauricio Quintella (PR-AL)

- Saúde - Ricardo Barros (PP-PR)

- Agricultura, Pecuária e Abastecimento - Blairo Maggi (PP-MT)

- Educação e Cultura - Mendonça Filho (DEM-PE)

- Turismo - Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN)

- Desenvolvimento Social e Agrário - Osmar Terra (PMDB-RS)

- Defesa - Raul Jungmann (PPS-PE)

- Gabinete de Segurança Institucional - Sérgio Etchegoyen é General da ativa do exército

- Esporte - Leonardo Picciani (PMDB-RJ)

- Meio Ambiente - José Sarney Filho (PV-MA)

- Trabalho – Ronaldo Nogueira de Oliveira (PTB-RS)

- Fiscalização, Transparência e Controle (antiga Controladoria Geral da União) - Fabiano Augusto Martins Silveira

- Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior - Marcos Pereira

- Advocacia Geral da União - Fábio Osório Medina

 

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