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Brasil

Pessimistas, jovens enfrentam primeira crise e tentam entender o impeachment

media Anderson, Andressa, Rafael e Vitória passeavam pela avenida Paulista. RFI

Diante de um processo que pode mudar a história do Brasil, os brasileiros com idades entre 20 e 30 anos tentam conciliar o fato de viverem sua primeira verdadeira crise econômica e, ao mesmo tempo, enfrentar o turbilhão político que atravessa o país. Longe dos “Caras Pintadas” da década de 1990, eles veem nas redes sociais a principal fonte de informação e engajamento, mas não parecem acreditar em uma saída positiva para o contexto atual.

Enviado especial a Brasília e São Paulo

Nascidos após o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello, ou ainda muito pequenos na época dos protestos que contribuíram para a queda do chefe de Estado, os jovens brasileiros assistem, sem muito otimismo, o processo que pode levar à destituição de Dilma Rousseff. As vésperas do voto no Senado, a reportagem da RFI encontrou alguns desses brasileiros. Cariocas, paulistas, baianos ou brasilienses, eles acompanham, cada um à sua maneira, a crise política.

Para o paulista Daniel, 18 anos, que passeava com seus pais no fim de semana, o país está vivendo um momento em que “os jovens estão procurando se informar, independentemente de seus posicionamentos políticos”. Além disso, como ressalta seu irmão Matheus, 21 anos, esse processo fez com que eles descobrissem, “dentro de nossos grupos de amigos, diferentes ideologias, o que fomenta discussões”, inclusive na própria família. “Não concordamos em 100%, mas argumentamos o assunto em casa com um convívio pacífico e tolerância”, conta.

Os irmãos Daniel (d) e Matheus descobriram divergências políticas entre amigos e familiares. RFI

Para Rafael, 21 anos, que passeava pela avenida Paulista com dois amigos, essa curiosidade dos jovens pela política aumentou com os protestos de 2013, quando as manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus mobilizaram milhares de pessoas. “No entanto, mesmo se houve um interesse, hoje ainda não sabemos o que é bom ou ruim”, analisa. Isso porque, segundo o colega Ricardo, 23 anos, “não há uma referência de figura política na qual se possa confiar. A gente vê um processo (de impeachment) acontecendo, mas não somos capazes de dizer se ele é devido ou não, se é golpe ou não”.

Rafael chegou a participar das manifestações pró e contra o Dilma, pois sentiu a necessidade de “ver quem eram aquelas pessoas, o que estavam pleiteando e qual era o lado de cada um”. Mas o radicalismo de alguns manifestantes o desmotivou.

Mesmo tom do lado de Fernanda, 24 anos, que acompanhava os rapazes. “Eu não concordo com as manifestações atuais, pois as pessoas estão se posicionando de uma forma muito extremista. Alguns são agressivos e ofensivos, então prefiro não participar”.

Política virou futebol

Anderson, 25 anos, mora no interior de São Paulo e passeava pela capital com amigos paulistanos e cariocas. Apesar de se reivindicar como membro de “movimentos Hardcore”, ele também questiona a extrema polarização do debate político. “As pessoas vivem como se a vida fosse uma partida de futebol. Ou você escolhe um time ou outro. Mas elas não procuram saber o porquê da partida.”

Para a paulista Vitória, 22 anos, que estava com o grupo, a falta de aprofundamento nas questões políticas é culpa da mídia, “que mostra o que eles querem impor para a sociedade”. As críticas à imprensa, alías, são frenquentes entre os jovens, desconfiandos diante da cobertura dos eventos políticos atuais.

Redes sociais como principal fonte de informação

A solução apontada por muitos é o uso das redes sociais, que abrem o acesso a uma informação mais diversificada, segundo todos os entrevistados. “Eu sou formado em computação, então meu mundo gira em torno da internet, onde você pode ver tudo que a mídia mostra, mas também o que ela não mostra”, conta o carioca Rafael, 22 anos. Mesmo assim, ele admite que passou o dia inteiro diante da televisão durante o voto dos deputados pelo processo de impeachment, em 17 de abril.

“Mas por um lado é ruim porque a gente compartilha coisas que não sabemos de onde vem” comenta a paulista Andressa, 22 anos. “Talvez por isso as pessoas estão muito revoltadas, pois alguns começam a compartilhar o ódio. Sem contar que não sabemos se as informações são verdadeiras”, analisa.

A mais de 1.000 km de distância, no Distrito Federal, Pâmela, 26 anos, diz que também acompanha os debates pela telinha ou via smartphone, pelas redes. “Mas não participo ao vivo dos protestos e acho que isso tudo vai terminar em pizza”, comenta a jovem, que trabalha como vendedora em Ceilândia, cidade conhecida por hospedar a favela Sol Nascente, a maior da América Latina.

Pâmela e Micaele (d) trabalham juntas em Ceilândia. RFI

Economia preocupa geração que cresceu com pleno emprego

Hudson tem 21 anos e também vive em Ceilândia, mas trabalha entre a cidade satélite e a capital federal, como boa parte da população da região. Cursando o terceiro ano de Engenharia Civil, ele afirma que “hoje em dia até para conseguir um estágio está mais complicado. A minha área (construção civil) foi muito afetada”, conta o jovem que, para pagar as contas, atua como taxista durante o dia.

Ele levanta uma questão que preocupa cada vez mais essa geração, que cresceu em um país embalado pela economia estável do Plano Real. Se para muitos o pleno emprego era algo normal, o contexto mudou, já que essa faixa etária dos que estão entrando no mercado de trabalho é uma das que mais sofrem com o desemprego.

“Na minha empresa houve diversos cortes de amigos e grandes profissionais e isso acontece por que estamos em crise”, comenta o paulista Ricardo. “As vezes as pessoas tem opiniões extremas sobre política porque as consequências desse contexto  também são extremas para elas. Hoje elas têm emprego, amanhã não têm mais. Isso deve ajudar a efervescer os protestos”.

Está ruim para quem ?

Quanto o assunto é dinheiro, os ânimos quase sempre se exaltam. “Mas a situação está ruim pra quem ? Para aqueles que antes eram chefes e que têm que dar mais grana para seus empregados, que conquistaram mais direitos ?”, esbraveja a paulista Andressa. Já a baiana Micaele, 19 anos, que vive em Ceilândia, é mais fatalista. “Eu sei que não é tirando a Dilma do poder que as coisas vão mudar de uma hora para outra. A economia não vai se estabilizar com ela saindo ou não”, comenta. “Eu acho que vai piorar se ela deixar o poder”, completa Vitória, em São Paulo, apesar de considerar que há um problema generalizado nos partidos brasileiros.

Hudson tenta ser mais otimista e espera que as possíveis mudanças políticas possam “melhorar as coisas, pois o país está muito parado e o governo não tem plano nenhum para avançar”. Egocêntricos para alguns, alienados para outros, os jovens parecem mais preocupados com o país que vivem do que podem supor os especialistas de markenting. “A gente não tem que discutir impeachment, e sim reforma política”, conclui o paulista Ricardo.

Hudson trabalha como taxista entre Ceilândia e Brasília para pagar seus estudos. RFI

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