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Brasil

Historiadora francesa diz que impeachment é tentativa de golpe de Estado

media A presidente do Brasil, Dilma Rousseff. REUTERS/Ueslei Marcelino

O jornal francês Libération abriu espaço em sua edição desta quinta-feira (5) para um artigo da historiadora Maud Chirio, da Universidade Paris-Leste Marne-la Vallée, especialista em História Contemporânea do Brasil. Ela relata o processo de impeachment em curso no país para destituir a presidente Dilma Rousseff e explica porque considera o pedido uma tentativa de golpe de Estado.

Segundo Maud, até 15 dias atrás, a cobertura da imprensa internacional era quase unívoca: a revelação do envolvimento do PT e do ex-presidente Lula no escândalo da Petrobras, que seria a verdadeira causa do pedido de impeachment.

Mas o roteiro da crise mudou depois do que a historiadora chama de "triste espetáculo" da votação na Câmara dos Deputados. Eles desfilaram no microfone do plenário com discursos pessoais, religiosos e um deles até prestou homenagem a um torturador do regime militar. “Quase ninguém mencionou os motivos do impeachment”, constatou.

Foi aí, segundo a especialista, que no exterior, as dúvidas surgiram. Ficou evidente que a presidente não é alvo de investigações nem tem seu nome envolvido em nenhum outro escândalo de corrupção, diferentemente dos líderes dos partidos PMDB, PSDB e do PT. O motivo evocado para o impeachment tem pouca relevância, segundo ela: a “maquilagem” das contas públicas, que muitos governos anteriores já praticaram.

Maud Chirio lembra que Dilma é a primeira presidente a permitir uma ampla investigação sobre políticos corruptos. Ela não é acusada pessoalmente de favorecimento ilícito, mas todos que estão no comando do processo de impeachment, como o deputado Eduardo Cunha, afastado hoje de suas funções, estão sendo investigados por corrupção.

PT traiu seus eleitores

No entanto, a historiadora reconhece que o PT contribuiu amplamente para o gigantesco escândalo de corrupção envolvendo a Petrobras e que desde o primeiro mandato de Lula, com o escândalo “Mensalão”, em 2005, o partido traiu sua promessa de "ser limpo". "Lula não encampou a batalha contra a corrupção e hoje paga o preço", afirma.

A presidente Dilma, segundo Maud Chirio, governa mal, distante dos valores do PT, mas o fracasso de seu mandato nem a corrupção de seu partido e supostamente de seu mentor político, são motivos para justificar sua destituição. Por essas razões, escreve Maud Chirio, o Brasil vive um golpe de Estado promovido pela direita que quer assumir o poder para implantar um projeto neoliberal para o país.

Na mesma página, um coletivo de escritores na França liderado pelo brasileiro Hamilton dos Santos, ex-exilado político, assina um manifesto denunciando um processo que consideram um golpe jurídico-político. O grupo pede que todos os democratas apoiem Dilma Rousseff e lutem para evitar que o processo democrático no Brasil seja interrompido.

 

 

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