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Brasil

Bloquear WhatsApp é “decisão estúpida e contraprodutiva”, diz especialista em segurança

media Justiça brasileira determinou o bloqueio do WhatsApp por 72 horas. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

A determinação judicial que ordenou o bloqueio do aplicativo WhatsApp no Brasil por 72 horas é um instrumento de pressão ineficaz sobre as ferramentas de comunicação, na opinião de especialistas em segurança digital. A notícia correu o mundo e demonstrou, mais uma vez, a incapacidade dos países de lutar contra a popularização de técnicas sigilosas de transmissão de dados pela internet, como a criptografia.

Até pouco tempo atrás, apenas os serviços de inteligência dos países tinham acesso a esse tipo de “privilégio” nas comunicações. As informações sensíveis circulavam do emissor até o destino de uma maneira codificada, ao abrigo de grampos e outras formas de interceptação.

No entanto, o escândalo das escutas internacionais feitas pela agência americana NSA resultou em uma demanda crescente por mais segurança das conversas dos cidadãos comuns, por mais inofensivas que sejam as comunicações. Aplicativos de smartphone agora propõem um serviço de conversas criptografadas - é o caso do WhatsApp, visado pela justiça de Sergipe, em meio a uma investigação sobre tráfico de drogas.

Debandada para o Telegram

“Não sei se é uma decisão legítima à luz do Direito brasileiro, mas posso garantir que é uma escolha estúpida e contraprodutiva. Em geral, isso não funciona porque existem inúmeros métodos de contornar essas proibições”, afirma François-Bernard Huyghe, diretor de pesquisas do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris), de Paris. “O objetivo é ter acesso às conversas dos traficantes no WhatsApp. Porém, pode ter certeza: amanhã eles estarão usando o Telegram ou outro aplicativo”, diz o especialista em estratégia cibernética, em referência ao programa russo, considerado o mais seguro entre os que oferecem uma comunicação sigilosa.

Tão logo a suspensão do WhatsApp entrou em vigor no Brasil, o número de inscritos no Telegram disparou, ao ponto de o aplicativo não conseguir atender a tantas demandas no ritmo habitual. O diretor científico do Instituto Nacional de Altos Estudos de Segurança na Justiça da França, Nicolas Arpagian, observa que a proteção dos dados dos usuários hoje é um dos principais trunfos dos aplicativos rumo ao sucesso, uma vantagem que eles asseguram com todas as forças e sobre a qual não têm o menor interesse em ceder.

“A confiança condiciona o sucesso econômico desses aplicativos – e as empresas deixam claro que a prioridade é o usuário. Entregar os dados para o primeiro juiz que pedisse seria como um suicídio”, frisa Argagian, autor do volume A Cibercriminalidade, da coleção francesa Que sais-je?.

Países deverão se adaptar

O professor da Escola Nacional Superior de Polícia da França ressalta que a decisão de bloquear o serviço de mensagens não apenas é ineficiente como gera “uma publicidade formidável” para o WhatsApp. “A criptografia é, a priori, uma solução positiva, porque protege os usuários de agressões externas, como golpistas. No entanto, criou essas dificuldades para a Justiça. Vai ser preciso que as leis dos países definam de que maneira a Justiça terá acesso à criptografia legal.”

Além transtornos gerados pelo bloqueio, a ideia de que o Estado está pronto para intervir nas comunicações dos cidadãos é muito mal vista pelos usuários. “Cada vez mais Estados tentam, pelos meios legislativos e judiciários, interromper transmissões de dados, intervir nas operadoras e impedir o funcionamento de aplicativos de abrangência planetária. É uma reação exagerada diante de um fenômeno que é muito maior do que eles, o da tecnologia de massa”, destaca Huyghe.

Nos países desenvolvidos, desafio é o terrorismo

Nos países desenvolvidos, a briga tem sido para ter acesso às contas de suspeitos de atividades terroristas. Os envolvidos nos atentados de Paris, por exemplo, se comunicaram pelo WhatsApp e o Telegram na véspera dos ataques. Jamais, no entanto, algum aplicativo foi suspenso por uma decisão judicial na Europa ou nos Estados Unidos.

O diretor de pesquisas do Iris comenta que a edição mais recente da revista de propaganda do grupo Estado Islâmico dedica longas páginas a explicar os cuidados que os jihadistas devem ter ao usar aplicativos e a internet em geral, para escapar das investigações policiais. “Quanto mais os serviços estatais tentam cortar os meios de comunicação, sabotá-los ou interceptá-los, mais os terroristas vão divulgar informações sobre como navegar de forma anônima e criar novas comunicações criptografadas”, diz Huyghe.

Regra é deixar criminosos “à vontade” nos aplicativos

Por isso, os serviços de segurança preferem não divulgar os detalhes das suas capacidades de invasão nessas redes – um sistema no qual os criminosos confiam possibilita que eles fiquem à vontade para dialogar.

“Se os terroristas têm confiança absoluta no Telegram, eles usarão menos códigos entre eles, vão ligar uns para os outros diretamente, e os serviços de inteligência têm todo o interesse em ver essa situação perdurar. É por isso que nunca vemos a polícia se gabar que conseguiu invadir as comunicações dos suspeitos – isso daria a eles o sinal de que é preciso trocar de sistema”, adverte Arpagian.
 

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