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Brasil

Queda de Dilma não vai resolver a crise profunda no Brasil, diz historiador

media O debate lançado após a reeleição de Dilma Rousseff revelou a sociedade brasileira de hoje, afirma historiador. REUTERS/Adriano Machado

Em uma tribuna publicada no jornal Le Monde que chegou às bancas na tarde desta terça-feira (27), o historiador Laurent Vidal analisa a atual crise brasileira. Especialista em História do Brasil, ele relembra fatos do passado do país para explicar o contexto atual e afirma que a solução vai além da saída da presidente do poder.

Laurent Vidal, que leciona na Universidade de La Rochelle, explica que a crise que o Brasil enfrenta desde a reeleição de Dilma Rousseff, em outubro de 2014, revela a sociedade brasileira de hoje, que longe de ser o “país do futuro”, está colada no presente e capturada por seus demônios do passado.

Um dos primeiros demônios, segundo o professor, é a questão da discriminação, que vem sendo ressaltada desde a vitória de Dilma. Para ele, um dos estopins foi a difusão, pelos grandes jornais do nacionais, logo após os resultados, de mapas do Brasil onde era possível ver claramente uma divisão da nação: de um lado, na metade superior, os estados do norte e nordeste, pintados de vermelho, que teriam uma maioria de votos para a petista e, do outro, pintados de azul, os estados que de onde viriam a maior parte dos votos do rival Aécio Neves.

Vidal contesta esses números, lembrando que, na verdade, a maioria dos votos que elegeram Dilma vieram do Sul, Sudeste e Centro-oeste. No entanto, o estrago já havia sido feito, pois a maneira como o mapa do Brasil foi apresentado ressaltava um país divido em dois. Um sentimento ainda mais presente quando certos jornais estabeleceram a relação direta entre as zonas que teriam votado para Dilma e aquelas que mais beneficiavam do programa Bolsa Família.

“Esse retorno dessas duas faces do Brasil esconde principalmente uma forma de desprezo social, que se instalou no coração dos brasileiros. O excluído hoje não é apenas aquele que sofre das carências materiais, mas também aquele que não é reconhecido como sujeito digno de se pronunciar sobre uma escolha política e social”, analisa o professor nas páginas do Le Monde.

Corrupção histórica

Vidal também chama atenção para o fato de que “a luta contra a corrupção, reivindicada pelos adversários da presidente, é um elemento clássico da história do país”. Ele lembra que, em 1808, o primeiro jornal brasileiro já falava dos danos que ela provocava na corte portuguesa exilada no Brasil.

O especialista relembra vários outros fatos do passado, e insiste na importância desses episódios para entender o presente. “O impeachment não resolverá a crise profunda que atravessa o país, pois não é o futuro que divide os brasileiros, e sim o súbito ressurgimento de um passado doloroso. (...) Enquanto esse passado não for exorcizado, vai ser difícil imaginar um projeto de futuro capaz de integrar a diversidade desse país e de restaurar a confiança e o respeito entre os brasileiros”, conclui.

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