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Brasil

The Economist defende novas eleições no Brasil: “impeachment não resolve”

media Capa da Economist desta semana é, mais uma vez, sobre o Brasil. Economist

A capa da influente revista The Economist dessa semana dá prosseguimento a uma “série” de edições que foram dedicadas ao Brasil nos últimos anos. Desta vez, a semanal estampa o Cristo Redentor pedindo socorro. Em uma reportagem sobre a crise política no país, a publicação defende a realização de novas eleições e afirma que os eleitores brasileiros “merecem uma chance de se livrar de todo o Congresso infestado de corrupção”.

Na primeira capa da “série”, em 2009, no auge do crescimento econômico do país, a revista mostrava uma montagem do famoso ponto turístico no Rio de Janeiro decolando. Em 2013, quando a situação se inverteu, o mesmo Cristo apareceu desgovernado e, agora, o monumento é ilustrado segurando uma placa de SOS.

A publicação britânica, de tendência liberal, explica que o fato de o escândalo de corrupção na Petrobras envolver alguns dos políticos e empresários mais poderosos do país “é um sinal de que algumas instituições, especialmente aquelas encarregadas de cumprir a lei, estão amadurecendo”. O texto, intitulado “A grande traição”, diz que a nova classe média é mais bem educada e se recusa a aceitar que os corruptos fiquem impunes.

Obstáculos para novas eleições

“Uma maneira de captar esse espírito seria o país a realizar novas eleições. Um novo presidente poderia ser o caminho para o país embarcar em reformas das quais os governos escapam há décadas”, analisa Economist. “Os eleitores também merecem uma chance de se livrar de todo o Congresso infestado de corrupção. Apenas novos líderes e novos legisladores podem realizar as reformas fundamentais que o Brasil necessita, em especial, uma reforma de um sistema político propenso à corrupção e das despesas públicas descontroladas, o que aumenta a dívida e atrapalha o crescimento econômico”, avalia a revista.

A semanal, entretanto, observa que existem obstáculos para essa alternativa, a começar pelo Congresso. Os parlamentares não se mostram favoráveis a aprovar uma emenda constitucional necessária para a dissolução da Câmara e do Senado, primeiro passo para a realização de eleições gerais antecipadas. O texto também lembra que o processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode resultar na cassação da chapa de Dilma e Michel Temer nas eleições de 2014, com a convocação de uma nova votação. No entanto, isso ainda está longe de acontecer.

Acusação contra Dilma é fraca

A matéria também diz que a votação do processo de impeachment pela Câmara vai entrar para a história do país como “um dos espetáculos mais estranhos” já vistos no Congresso. O texto cita os argumentos já anedóticos usados pelos deputados para aprovar a destituição da presidente, como a religião, a causa animal e até as companhias de seguros. “A acusação de base para julgar Rousseff – a de que ela manipulou contas no ano passado para fazer o déficit fiscal parecer menor do que era – é tão pequena que apenas um punhado de congressistas se preocupou em mencioná-la nas suas falas de dez segundos.”

A reportagem lembra que a aprovação do impeachment ocorre em “tempos desesperadores” para a economia brasileira: o país vive a pior recessão desde 1930, o PIB deve se contrair 9% entre o fim de 2014 e o fim deste ano e a inflação e o desemprego rondam os 10%. “As falhas não são só de Dilma Rousseff. A classe política inteira levou o país para baixo, com uma mistura de negligência e corrupção”, afirma a revista. “Os líderes do Brasil não vão ganhar de volta o respeito dos seus cidadãos nem recuperar os problemas da economia se não houver uma limpeza” na política, ressalta o texto.

Corrupção generalizada e até pior

O vice Michel Temer é descrito como um político que conhece os meandros de Brasília, “ao contrário de Dilma”, e o partido dele, PMDB, é mais “amigável” dos negócios do que o PT. Por isso, a ascensão de Temer ao Planalto pode trazer um alívio econômico de curto prazo, sustenta a publicação.

No entanto, a revista afirma que o mais alarmante é que “aqueles que estão trabalhando para tirar” a presidente do poder “são, de muitas maneiras, piores”. O PMDB também está “comprometido” com a corrupção, assim como a maioria dos partidos brasileiros que votaram em favor da destituição.

“Não há um caminho rápido para corrigir isso. As raízes da disfunção política do Brasil remonta para a economia escravagista do século 19, a ditadura no século 20 e um sistema eleitoral viciado, que tanto faz campanhas ruinosamente caras como protege os políticos”, explica a revista. “A curto prazo, o impeachment não vai consertar isso”, constata Economist. “Se Dilma for deposta por uma questão técnica, Temer vai lutar para ser visto como um presidente legítimo pela grande minoria de brasileiros que ainda apoia Dilma”, antecipa a revista.
 

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