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Brasil

Les Echos chama juiz Sérgio Moro de "faxineiro" da corrupção

media O juiz Sérgio Moro é destaque no jornal francês Les Echos desta quinta-feira, 07 de abril de 2016 Rovena Rosa/ Agência Brasil

O jornal Les Echos  desta quinta-feira (7) dedica uma página inteira ao juiz Sérgio Moro, apresentado como um "faxineiro" da corrupção no Brasil. Idolatrado pelos manifestantes antigoverno, o jovem magistrado lançou uma verdadeira "operação mãos limpas" no país, apesar das críticas de que está indo longe e rápido demais.

Segundo Les Echos, Sérgio Moro foi quem revelou o escândalo Petrobras e hoje seu combate implacável contra a corrupção faz tremer a presidente Dilma Rousseff. Ele se tornou um ícone popular e sua fama já ultrapassa fronteiras, diz o diário ao lembrar que a revista Forbes o colocou na 13ª posição da lista das personalidades mais influentes do mundo.

O tom é sempre calmo e a atitude sempre muito afável, mas há dois anos, Sérgio Moro comanda com mão de ferro a operação Lava Jato. Apoiado pelo trabalho de uma equipe de procuradores agressivos e de uma polícia federal que se inspira no FBI, o jovem magistrado de 43 anos conseguiu demonstrar as engrenagens complexas da corrupção no interior da maior empresa brasileira e a decifrar os códigos da "corrupção sistêmica", diz o texto assinado pelo correspondente do Les Echos em São Paulo, Thierry Ogier.

O texto explica que a arma favorita de Sérgio Moro é "delação premiada", que segundo o jornal, permitiu revelar as "ramificações complicadas do escândalo Petrobras".

Em tom elogioso, o jornal diz que ele conquistou uma fama de juiz implacável para uma opinião pública revoltada pela extensão da corrupção. O jornal lembra as mais de 100 condenações aplicadas pelo juiz e destaca a mais impressionante: a de Marcelo Odebrecht, condenado em primeira instância a 19 anos e dois meses de prisão. "Ninguém mais se sente intocável" no Brasil, escreve Les Echos.

Sua luta quase obsessiva pela busca de um antídoto anticorrupção é alvo de críticas, como a do advogado Caio Leonardo Rodrigues, de Brasília. Ouvido pelo jornal, ele considera Moro próximo demais dos procuradores. O jornal destaca também frases de uma cearense que disse ter ido a uma manifestação em São Paulo para defender o juiz Sérgio Moro.

“Desamparados, os brasileiros estão em busca de um salvador da pátria”, escreve Les Echos, que comenta as manifestações de apoio recebidas pelo juiz paranaense por onde passa, desde Fóruns até palestras. Sem falsa modéstia, ele prefere valorizar o trabalho das instituições e, fato raro, saiu de sua discrição para dizer que se sentiu tocado pelas demonstrações populares nas manifestações de rua.

Les Echos também questiona o papel de Sérgio Moro como instigador do debate político, ao se referir ao episódio da condução coercitiva do ex-presidente Lula e do levantamento do sigilo da conversa dele com a presidente Dilma Rousseff. Moro é acusado de usar golpes baixos e métodos muito agressivos para atingir seus objetivos. Alguns não hesitam a compará-lo a Hitler, diz a reportagem.

Lógica política

Entrevistado pelo diário, Ricardo Sennes, diretor de uma empresa de consultoria acusa o juiz de obedecer a uma lógica política e de ter uma visão autoritária e moralista da política.

Barry Wolfe, um advogado escocês baseado em São Paulo diz que Moro foi longe demais e parece ter adotado "uma técnica de jogo de xadrez na qual sacrifica o bispo para poder fazer um xeque-mate". Ao mesmo tempo, diz ele, as pessoas adoram saber o que acontece nos bastidores e chama o juiz de combativo.

Fragilizado, Moro apresentou desculpas pelo vazamento ao Supremo Tribunal Federal e teve o processo contra Lula retirados de suas mãos, diz o texto.  Se Sérgio Moro conseguir mudar as relações normalmente incestuosas entre o poder, negócios públicos e empresários, o juiz certamente vai merecer a notoriedade internacional, apesar dos incidentes de percurso, conclui Les Echos.

 

 

 

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