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Brasil

Panama Papers: “Brasil está longe da medalha de ouro de corrupção”

media Chineses, árabes, africanos e até islandeses estão mais presentes que o Brasil na lista do Panama Papers. REUTERS/Kacper Pempel/Illustration

A investigação mundial 'Panama Papers', divulgada pela imprensa neste domingo (3), revelou o nome de pelo menos 57 brasileiros que poderiam estar envolvidos com lavagem de dinheiro em paraísos fiscais por meio do escritório de advocacia Mossack Fonseca, baseado no Panamá. Mas segundo José Roberto Toledo, um dos jornalistas que teve acesso aos documentos secretos, o Brasil está longe de ser o “campeão mundial de malandragem”.

Além do chefe de Estado argentino, Mauricio Macri, do primeiro-ministro islandês, Sigmundur David Gunnlaugsson, e de nomes próximos aos presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, ou ainda de personalidades esportivas como Lionel Messi e Michel Platini, o escândalo revelou detalhes sobre contas offshore abertas por brasileiros implicados na Operação Lava Jato.

Mas para o jornalista José Roberto Toledo, do Estadão, um dos três veículos de comunicação brasileiros a divulgar o caso (junto com o UOL e a Rede TV!), o Brasil ainda está longe de certos países quando o assunto é fraude fiscal. “A principal descoberta dessa operação é que quando se coloca o Brasil no contexto internacional, a gente não consegue pleitear nem mesmo a medalha de bronze da corrupção”, ironiza o jornalista. “Para um país que tem mania de achar que é campeão de malandragem, não chegamos nem perto dos valores e quantidade de empresas movimentadas por árabes, chineses, africanos e até islandeses. Conseguimos mostrar que a corrupção, a ocultação de patrimônio, a lavagem de dinheiro e a sonegação fiscal são fenômenos transnacionais.”

Entre os mais de 57 brasileiros apontados pela operação, Luiz Eduardo da Rocha Soares e Olívio Rodrigues Dutra, acusados de operar contas secretas da empreiteira Odebrecht, aparecem diretamente ligados a offshores criadas pela Mossack Fonseca. Também constam na lista de brasileiros o presidente da Câmara de Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o usineiro e ex-deputado federal João Lyra (PTB-AL) e o ex-ministro de Minas e Energia Edison Lobão (PMDB-MA).

Praticamente todos os envolvidos no Lava Jato têm contas offshore

Para Toledo, o escândalo não revela grandes surpresas no Brasil, já que muitos dos que aparecem entre os clientes do escritório panamenho já vinham sendo investigados pelas autoridades. No entanto, ele nota um padrão de comportamento, principalmente nas empreiteiras que já vinham sendo denunciadas na Lava Jato: “Praticamente todas as maiores têm offshore montadas no exterior. Mas isso não significa que sejam empresas criminosas, pois elas podem ter declarado isso à Receita”, comenta. Além disso, a investigação ‘Panama Papers’ permitiu identificar novos nomes, que não haviam sido citados nas investigações da Lava Jato.

O jornalista ressalta que “há políticos de partidos brasileiros envolvidos, mas o número é menor do que o de deputados descobertos, por exemplo, na Inglaterra”. No entanto, frisa Toledo, “isso não quer dizer que não haja outros que tenham offshore, pois só analisamos a documentação da Mossack Fonseca, que não é o único escritório do gênero no mundo. Agora, vamos ter que esperar uma nova fonte anônima roubar as informações e revelar para toda a imprensa”.

Como os jornalistas tiveram acesso aos documentos da Mossack Fonseca

O jornal alemão Sueddeutsche Zeitung recebeu de uma fonte anônima 40 anos de correspondência interna da Mossack Fonseca e compartilhou as informações com o International Consortium of Investigative Journalists (ICIJ), um coletivo de jornalistas que já havia produzido várias reportagens investigativas, como o Swissleaks. Em seguida, os dados foram distribuídos entre mais de 370 repórteres em 76 países. “No caso do Brasil, o ponto de referência do ICIJ foi o jornalista Fernando Rodrigues, do UOL, que convidou o Estadão e a Rede TV! a participar da análise das informações”, lembra Toledo, que analisou os dados nos últimos três meses. “Como havia gente do mundo todo, cada um foi procurar em ‘seu quintal’”, conta o jornalista.

Toledo explica que recebeu uma coleção de documentos diversos (e-mails, cópias de passaportes, procurações, memorandos) e, em seguida, uma lista de nomes foi estabelecida. “Pensamos em parlamentares, prefeitos, governadores e empresários, e começamos a cruzar essas listas com o banco de dados, até encontrarmos aparentes coincidências. A partir daí, tentamos entender o contexto para saber se tratava-se de uma transação vinculada a uma empresa offshore e se havia documentos comprobatórios ou apenas uma menção”, conta. “Foi um trabalho bastante exaustivo e técnico. Foi como procurar uma agulha num palheiro”, conta jornalista do Estadão.

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