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Brasil

Rompimento do PMDB é uma péssima notícia para Dilma, diz Les Echos

media Les Echos analisa o rompimento anunciado do PMDB com o governo Dilma. lesechos.fr

A crise brasileira volta a ser destaque na imprensa francesa desta terça-feira (29). Em matéria de página inteira, Les Echos analisa o rompimento anunciado do PMDB com o governo Dilma. O jornal econômico informa que a decisão, que deverá ser tomada hoje na reunião do partido, em Brasília, "é uma péssima notícia para a presidente". Em plena crise politica, a ruptura do partido centrista, que foi aliado de todos os governos brasileiros nos últimos 30 anos, pode levar à destituição de Dilma, avalia o diário.

O conservador Michel Temer, que assumiria o poder em caso de impeachment, negocia nos bastidores pela ruptura, garante a matéria do correspondente do Les Echos em São Paulo, Thierry Ogier. A influência do vice-presidente e líder do PMDB nesse processo é determinante, mas um especialista ouvido pelo jornal acredita que nem tudo está 100% definido.

Ricardo Sennes, diretor da consultoria Prospectiva, estima que os pró-governo ainda representam 30% do PMDB no Congresso atualmente. Dilma Rousseff conta com o apoio ativo do ex-presidente Lula, que poderá ser nomeado conselheiro da Presidência se a STF rejeitar definitivamente sua posse como ministro. Lula terá a missão de garantir entre 55 a 60 votos contra o impeachment. "É uma missão difícil, mas não impossível", afirma Ricardo Sennes, lembrando a grande credibilidade que o ex-presidente ainda tem.

O novo pedido de impeachment, feito ontem (28) pela OAB, vem complicar ainda mais a situação, mas a planilha da Odebrecht revela que "todo o sistema político brasileiro é corrupto", escreve o jornal. Antes da publicação da lista com 300 nomes de políticos que teriam recebido comissões da construtora, a imagem de corrupção estava colada sobretudo ao PT. Agora, o Brasil vive um cenário parecido ao espanhol. "Nenhum político que participa do sistema é digno de confiança e a população rejeita a classe política", analisa Angela Alonso, presidente do Cebrap, entrevistada pelo Les Echos.

Para ilustrar esse cenário, o correspondente conclui o artigo informando que Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados que instaurou o processo de impeachment, é indiciado por corrupção e que o vice-presidente Michel Temer é citado em vários processos.

Brasil líder mundial de assassinatos

O Atlas da Violência no Brasil, divulgado na semana passada, pelo Ipea, também é analisado pelo Les Echos. Há muito tempo que o Brasil é violento, mas as últimas estatísticas colocam o gigante latino-americano na liderança do ranking mundial, em números absolutos, aponta o diário.

O número de assassinatos no país aumentou muito nos últimos anos e 10% dos homicídios cometidos no mundo acontecem no Brasil. Em 2014 foram 60 mil assassinatos. Em relação a 2005 o aumento foi de 24%, escreve alarmado o jornal. E essa violência ocorre sobretudo nas periferias. O simples fato de ser negro aumenta em 21% a probabilidade de ser vítima de um assassinato, ressalta o jornal que denuncia também a violência policial no país.

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