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Brasil

Para defender Dilma, Lula tenta seduzir imprensa, diz Le Monde

media O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante coletiva para a imprensa internacional em São Paulo, na segunda-feira (28). REUTERS/Paulo Whitaker

O jornal Le Monde que chegou às bancas nesta terça-feira (29) dá destaque à crise política no Brasil. Com o título "Lula está em missão de sedução para defender Dilma", a correspondente do vespertino em São Paulo, Claire Gattinois, explica como o ex-presidente tentou salvar a imagem de Dilma durante uma entrevista coletiva concedida à imprensa internacional na segunda-feira (28).

Para a correspondente do Le Monde, Lula usou seu dom de orador de ex-sindicalista e "todo seu charme natural" para tentar socorrer Dilma. "Deixem essa mulher governar o país. Ela precisa de tranquilidade para pensar no futuro", declarou Lula durante a entrevista, que tinha como alvo a imprensa francesa, alemã, americana, argentina e chinesa.

"Lula, que saiu do poder com mais de 80% de popularidade, deixando um país próspero e promissor, é hoje um homem arruinado. Suspeitas de corrupção pairam sobre um ex-presidente convocado por uma Dilma Rousseff desesperada para fazer parte de seu governo. A iniciativa chocou", escreve Claire Gattinois.

Segundo a correspondente, Lula quer apagar a ideia de que, como ministro, ele tentaria escapar da justiça. Para ela, o ex-presidente tenta passar a imagem de que, aceitando ser chefe da Casa Civil, estaria servindo o país, ajudando a combater a recessão econômica brasileira sem cortes orçamentários, mas atraindo investimentos. Uma tentativa do líder petista, de acordo com Gattinois, de reencarnar o "Lulinha Paz e Amor", slogan de sua campanha de 2002.

O país em febre

A correspondente questiona se a estratégia de Lula de apelar à nostalgia dos brasileiros vai dar certo, em um momento em que a polarização atinge seu auge. "O país, em febre, se rasga", escreve, explicando para os leitores franceses o virulento confronto entre os dois lados caricaturais da opinião pública brasileira, os "coxinhas" e os "mortadelas".

"Lula assiste, desolado, a esse espetáculo. Ele, que se diz autor de uma revolução social" está "angustiado", escreve Gattinois. Segundo a correspondente, o líder petista, que defendeu no passado o processo de destituição previsto na Constituição, usa hoje a retórica do golpe de Estado para denunciar um processo sem fundamento jurídico a seus olhos. Para o ex-presidente, a tentativa de tirar Dilma do poder não passa de um pretexto da oposição inconformada com a derrota para o PT em 2014, ressalta a jornalista.

Gattinois também descreve a rivalidade que se criou entre Lula e o juiz Sérgio Moro, encarregado da investigação Lava Jato. A correspondente diz que o ex-presidente se sentiu ofendido ao ver algumas de suas conversas telefônicas, grampeadas a mando de Moro, se tornarem públicas. Uma decisão que Lula classificou como "um circo midiático e um espetáculo pirotécnico", escreve. Para a jornalista do Le Monde, o líder petista está convencido de que, em pouco tempo, todos os que o acusam logo virão lhe pedir desculpas.

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