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Brasil

Impeachment pode mergulhar Brasil em "era da incerteza", diz sociólogo

media O clima é de forte tensão e expectativa para a análise da suspensão da posse de Lula no cargo de ministro da Casa Civil. Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Para o sociólogo e professor venezuelano Alfredo Pena Vega, professor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais em Paris (EHESS), tirar a presidente Dilma Rousseff do poder “é uma ilusão”, já que não existem alternativas políticas.

RFI Brasil - Como você avalia a atuação do Judiciário na crise política brasileira?

Alfredo Pena - O mais importante é que as instituições funcionem. Há uma crise política com foco no Judiciário, pela maneira como o inquérito está sendo levado. Mas nessa situação, o que importa é que as instituições estejam funcionando corretamente e tudo esteja sendo feito respeitando a Constituição e os princípios democráticos. Hoje, os grampos, tão criticados, parecem fazer parte do sistema. Podemos observar isso aqui na França: informações de conversas grampeadas que estão no poder do Judiciário e 24 horas depois são publicadas na imprensa. É difícil impedir o vazamento dessas informações - há uma proximidade entre o judiciário e o meio jornalístico. E os jornais e revistas vivem desses escândalos.

O avanço do conservadorismo no Brasil poder abrir espaço para um governo autoritário?

Não uso essa palavra, mas a crise pode ser responsável pela emergência do que chamo de “ditamole”, que seria um compromisso entre uma facção reacionária da política no Brasil com alguns personagens próximos da ditadura militar. Essa é uma opção: uma "ditamole" ou então uma situação de turbulências que podem durar muito tempo, porque não haverá a possibilidade de compor uma alternativa política para substituir Dilma, se o impeachment for confirmado. Em outras palavras, diria que o Brasil entra numa era de incertezas. Essa era, caso não haja uma opção política, será complicada. Não basta uma proposta contra a corrupção. A proposta de verdade seria a recomposição de uma nova esquerda no Brasil.

E o papel do Lula no escândalo? Não dificultaria a composição dessa nova esquerda?

A crise que o Brasil enfrenta hoje é excepcional e não se compara à crise que o país viveu depois do impeachment do Collor. Isso por duas razões: no Brasil, e não só no Brasil, vivemos uma regressão política e ética, que podemos comparar ao que vivemos hoje na Europa: não há mais um pensamento de esquerda. Para muitos intelectuais europeus, cujo referencial era a esquerda latino-americana, o caso Lula é uma situação preocupante. O que o Brasil está vivendo hoje, essa regressão, pode se repercutir em outros países e regiões. Cai um mito. No Brasil, a esquerda, com a liderança do Lula, desde que ele assumiu a presidência pela primeira vez em 2003, era um modelo para a esquerda brasileira e internacional. Lula representava uma visão progressista e ética. Essa imagem do Lula hoje vai repercutir na esquerda dentro e fora do Brasil.

O impeachment é uma solução na sua opinião?

O mais preocupante da crise no Brasil é que não há uma possibilidade de saída de crise. Aqueles que pensam que a crise será resolvida com o impeachment, estão enganados. Isso é uma ilusão. Caso aconteça, o Brasil vai entrar numa situação de muitas incertezas. Não há uma alternativa. Isso pode gerar vários “imprevistos”. O país está à beira de uma revolução, mas sem líder e sem proposta.
 

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