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Brasil

Manifestação a favor de Dilma e Lula colore a Paulista de vermelho

media Garoto segura balão no protesto da Avenida Paulista. REUTERS/Nacho Doce

“Vamos mostrar para os caras que estamos na área”, gritou um ambulante que subia a ladeira atrás do Museu de Arte de São Paulo, puxando um carrinho com uma grande caixa de isopor em direção aos manifestantes que chegavam num ônibus fretado. Todos estavam a caminho do protesto “contra o golpe e pela democracia”, iniciativa favorável à presidente Dilma Rousseff e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocorrida nesta sexta-feira (18) e que, segundo os próprios organizadores, teria reunido cerca de 350 mil pessoas na Avenida Paulista.

Fábio de Oliveira, correspondente da RFI Brasil em São Paulo

Já na avenida, um carro de som estacionado próximo ao Masp ecoava a música "Vermelho", um dos sucessos da cantora Fafá de Belém. O clima tranquilo contrastava com a tensão que tomou conta do trecho da via em frente ao prédio da Fiesp no início da manhã, a poucos metros do museu, quando a tropa de choque da Polícia Militar (PM) usou jatos de água para dispersar protestantes contra Dilma e Lula, que ficaram acampados por ali por quase 40 horas, fechando uma das principais artérias do trânsito paulistano.

O fato gerou críticas quanto ao tratamento diferenciado dado a passeatas do Movimento Passe Livre contra o aumento da tarifa de ônibus e metrô para R$ 3,80 no início do ano, que foram reprimidas pela PM com gás lacrimogênio e balas de borracha. Também havia o receio de que houvesse conflito com os participantes do evento pró-governo marcado para horas depois.

Também durante as primeiras horas do dia, não havia sido confirmada a presença de Lula no protesto, o que só foi dado como certo no início da tarde. O evento em frente ao Masp foi dividido em três blocos. A partir das 16h, começaram a falar representantes de entidades como a Unidade Nacional dos Estudantes (UNE). Para as 18h, estavam programados shows. Lula deveria encerrar o protesto.

Fotos do homem que Dilma quer ver como novo membro de seu ministério se espalhavam por cartazes em contraste ao domingo 15, quando o juiz Sérgio Moro, da Operação Lava Jato, foi a figura de destaque dos protestos contra o Partido dos Trabalhadores. Vez ou outra, o hino da campanha do PT à presidência em 1989, "Lula Lá", era entoado ao ritmo de batucada pela multidão que começava a se aglomerar na região. Os carros de som também tocaram Raul Seixas e hip hop. Gritos de “Não vai ter golpe, vai ter luta” e críticas à Rede Globo eram entoados nos intervalos. A frase “não vai ter golpe” também estava inscrita em balões vermelhos.

“Respeito às urnas”

A empresária Silvana Cassol, de 61 anos, foi uma das presentes ao protesto. “A gente elegeu uma presidente por quatro anos. Temos de respeitar os resultados das urnas”, disse ela. “O regime é presidencialista e não parlamentarista. Não acho que tenha algo concreto para afastar a Dilma. Apoio o Lula. Os heróis passaram a ser justiceiros e eu não quero isso. Estou falando do Moro”, acrescentou. “Temos uma oposição cretina. Ela que está fazendo a economia desandar, e as pessoas ficam insatisfeitas. Durante o Mensalão, a economia estava bem e as pessoas não deram bola.”

Hugo de Oliveira, de 17 anos, compareceu à Paulista para representar o coletivo LGBT Atraque, de Barueri, na Grande São Paulo. “Não tem porque tirar a Dilma”, falou o estudante do 2º ano do Ensino Médio, que também foi “protestar contra o golpe” que, na suas palavras, estão dando contra Lula.

A bancária Dalva Santos, de 48 anos, afirmou que foi defender uma escolha democrática de 54 milhões de pessoas. “Temos de garantir nosso direito de cidadão e proteger nossa escolha, além de um país livre e democrático.”

Já o cineasta Daniel Ribeiro, de 33 anos, diretor do filme "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", acredita que o protesto serve para mostrar que se deve respeitar as instituições no Brasil, seguindo as regras de uma democracia republicana. “De repente passou a ser normal rejeitar voto, urna e achar que grito, vuvuzela, panela e buzina é o que vale”, afirmou. “A gente tem de falar de reforma política para não ficar à mercê de gente como [o presidente da câmara dos deputados] Eduardo Cunha. O impeachment não tem a ver com crime, tem a ver com chantagem.” E concluiu: “Se a gente não respeitar as urnas agora, nunca mais vamos respeitar as próximas”.

Éder dos Santos Camargo, 39 anos, vê a atual conjuntura política muito radicalizada. “A gente vem de uma situação de críticas ao governo, até legítimas, mas nada justifica parar um processo decidido pelas eleições, romper a legalidade”, disse o professor de história. Eleitor de Dilma nos dois últimos pleitos à presidência, ele credita alguns erros ao atual governo, como a condução da política econômica e não priorizar algumas reformas estruturais, como a agrária e a tributária. “A corrupção disseminada tem a ver com o fato de não haver uma reforma política.” E completou: “E se ocorreram desvios, vamos investigar, mas não a lei sob a qualquer custo, como grampear uma presidente. Em qual país do mundo se grampeia uma presidente?”.

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