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Brasil

Divulgação de ligação entre Lula e Dilma não é ato democrático, diz cientista político

media Protesto contra a nomeação do ex-presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva como ministro, em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, Brasil, 16 de março de 2016. REUTERS/Adriano Machado

Para o cientista político canadense Philippe Faucher, da Universidade de Montreal, a divulgação da conversa entre Dilma e Lula e a atuação do Judiciário no “jogo político” são um reflexo da crise generalizada que atinge o país.

RFI - Qual diagnóstico o senhor faria da situação política hoje no país?

Philippe Faucher - Eu vejo várias crises que se acumulam, uma depois da outra. Há a crise de legitimidade, de um governo que não consegue governar. Há a crise econômica, que já atinge um nível muito alto de recessão, e ameaça o déficit público, a dívida que aumenta. Tem também uma terceira crise, que é a crise das instituições, que se manifesta através da corrupção e atinge a classe política, o Congresso e o Senado. Finalmente, observamos uma crise no sistema judiciário, que ocorre quando a Justiça participa e tem um papel no jogo político. Isso é o que está acontecendo no Brasil, como mostra o vazamento da conversa entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula.

RFI - No seu entender, esse grampo e a divulgação do conteúdo da conversa mostra que a crise no Judiciário é tão grave quanto a política?

PF - Ora, isso não é um ato democrático em si, o vazamento de uma comunicação privada. Também temos a interpretação do conteúdo. Não é clara a interpretação do que um presidente pode fazer com o chamado termo de posse “se for preciso.” O termo “se for preciso” pode querer dizer muitas coisas. Tem um processo administrativo e burocrático para a nomeação, e o termo deve ser assinado. Como sempre, há uma explicação simplista e outra que vai muito além. Isso não contribui para uma solução, mas complica o problema e mostra que tem gente nesse jogo político interessada em usar informações privilegiadas para interesses pessoais ou setoriais.

RFI - Na sua opinião, como a Justiça dará continuidade à investigação com a nomeação de Lula? Como o Supremo Tribunal vai agir?

PF - Essa história de que o Lula está indo para o governo para fugir da Justiça é ridículo. Não é assim que o sistema funciona e ainda bem. No caso brasileiro, ele será julgado pelo Supremo Tribunal Federal. Alguns de seus membros foram nomeados pelo ex-presidente, o que é normal, e por isso poderão haver suspeitas. Daí a achar que por isso o STF será mais “compreensivo”, não tem o menor fundamento. Talvez o processo seja mais lento. Mas nem por isso o Lula vai fugir.

RFI - Como você avalia essa derrocada de Lula? De presidente responsável pelo milagre econômico brasileiro a quase réu investigado por corrupção…

PF - É uma história dramática. Vai virar filme. Lula tem uma história muito especial e em muitos casos admirável. Esse episódio é lamentável, e tem uma relação com o sistema político e as flutuações históricas da economia brasileira. Isso cria turbulências na sociedade. Mas há outros fatores que contribuem para essa crise. O primeiro culpado são as oposições partidárias. Tenho impressão que eles não aceitaram a reeleição de Dilma e fazem tudo para diminuir a capacidade do governo e se apresentam como alternativa ao PT. O problema é que eles não tem projeto político. Dizer “é a minha vez” depois de tantos anos de governo é legítimo, mas não basta. Existe também uma falta de respeito às instituições e ao processo democrático. Dilma foi eleita de maneira legal e isso deve ser respeitado. Há ainda outro aspecto: não acho que tudo seja culpa da mídia, mas nesse processo, acredito que a imprensa brasileira tenha influenciado a crise, criando ondas de indignação. Não sou a favor de censura, mas é preciso colocar as coisas em perspectiva. Lula e Dilma, que eu saiba, estão sendo investigados, mas são tratados como culpados pela mídia. O que é bem diferente.

RFI - Você acha que haverá impeachment?

PF - Duvido que o governo caia. Lembra da ditadura militar? Muita gente queria que eles deixassem o poder.  Hoje, isso só vai acontecer quando houver uma alternativa viável, uma coalizão séria, responsável, senão o caos será ainda maior.

 

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