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Brasil

Estudo britânico destaca avanços do Brasil na amamentação

media Méae carrega filho no Panamá. bancomundial.org

A amamentação prolongada pode salvar a vida de mais de 800 mil bebês anualmente e representa uma economia de bilhões de dólares para os sistemas de saúde de todo o mundo, graças à proteção de algumas doenças infantis - é o que diz uma série de estudos publicados nesta sexta-feira (29), na revista científica Lancet. A publicação ressalta os avanços registrados no Brasil nessa questão.

A duração da amamentação aumentou de 2,5 meses, nos anos 1974 e 1975, para 14 meses em 2006 e 2007. A mudança, sublinha a Lancet, foi possível graças à política pró-ativa de serviços de saúde e amplas campanhas de informação para incentivar o aleitamento materno.

"Apenas uma em cada cinco crianças é a amamentada até os 12 meses nos países ricos, enquanto apenas uma em cada três é exclusivamente amamentada nos seis primeiros meses de vida nos países de baixa renda e média", informa a revista médica britânica. Desta forma, milhões de crianças não se beneficiam plenamente das vantagens do leite materno, observam os pesquisadores.

Além disso, os cientistas calcularam que, subindo para 90% a taxa de aleitamento materno exclusivo até seis meses nos Estados Unidos, China e Brasil e 45% no Reino Unido, os custos para tratamento de doenças comuns da infância, como pneumonia, diarreia ou asma poderiam ser reduzidos.

Graças ao aleitamento, "uma economia para o sistema de saúde de ao menos US$ 2,45 bilhões aos Estados Unidos, de US$ 29,5 milhões ao Reino Unido, de US$ 223,6 milhões na China e US$ 6 milhões no Brasil" seria viável.

Importância do aleitamento para a criança e a mãe

O leite materno cobre todas as necessidades nutricionais do bebê durante os primeiros seis meses de vida. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a amamentação exclusiva até os seis meses e a amamentação parcial até os dois anos. De acordo com a entidade, atualmente menos de 40% das crianças em todo o mundo se beneficiam do aleitamento.

Além da função puramente alimentar, o aleitamento materno é conhecido há muito tempo por ter efeitos benéficos tanto para a saúde da criança e quanto da mãe. A amamentação a longo prazo "poderia salvar mais de 800 mil vidas de crianças a cada ano em todo o mundo, o equivalente a 13% de todas as mortes em crianças menores de dois anos", explicam os autores, tomando como base uma série de estudos.

Redução dos riscos de câncer

A amamentação também poderia prevenir a cada ano a morte de 20 mil mães em decorrência de câncer de mama. Contrariando uma "ideia falsa e amplamente difundida", os benefícios do aleitamento não dizem respeito apenas aos países mais pobres. "Nossos trabalhos demonstram claramente que o aleitamento salva vidas e permite economizar em todos os países, ricos e pobres", escrevem os autores. "Nos países ricos, a amamentação reduz em mais de um terço a morte súbita do lactente. Em países pobres ou de renda média, cerca de metade das epidemias de diarreia e um terço das infecções respiratórias poderiam ser evitadas graças ao aleitamento materno", dizem os pesquisadores.

A longo prazo, a amamentação também ajuda a reduzir o risco de obesidade e diabetes em crianças. Para as mães, reduziria o risco de câncer de mama e câncer de ovário.

Países ricos têm menores índices

Nos países ricos, o Reino Unido, a Irlanda e a Dinamarca têm as mais baixas taxas de amamentação de 12 meses do mundo (respectivamente abaixo de 1%, 2%, 3%).

Com base em um estudo anterior, publicado em março de 2015, que considerou que a amamentação contribui para o aumento da inteligência, mais escolaridade e, assim, melhor resultado como adultos, os autores estimam que um baixo aleitamento materno representou uma perda de US$ 302 bilhões (0,49 % do PIB global) em 2012.

Os cientistas também criticam a publicidade agressiva favorável às fórmulas de substituição que minam, de acordo com eles, os esforços das autoridades para promover o aleitamento materno. "A saturação dos mercados dos países ricos levou os fabricantes a entrar rapidamente nos mercados emergentes", acrescentam. "As vendas globais de leite (de substituição) aumentaram o valor de US$ 2 bilhões em 1987 para cerca de US$ 40 bilhões em 2014", apontam.

Com informações da AFP

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