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Brasil

Zika relança debate sobre aborto no Brasil, diz Le Monde

media Mosquito transmissor do vírus Zika tras à tona debate sobre aborto no Brasil. RFI

O jornal francês Le Monde que chegou às bancas na tarde desta quarta-feira (20) traz uma longa reportagem sobre o avanço da epidemia provocada pelo vírus zika no Brasil. O vespertino explica que a epidemia, que continua se propagando pelo país, traz à tona um outro debate: a questão da legalização do aborto.

Le Monde conta a história de uma brasileira, grávida de 32 anos que, ao descobrir que estava infectada, decidiu praticar um aborto. No entanto, apesar da gravidade do vírus, que pode provocar a microcefalia no feto, o aborto teve de ser realizado de maneira clandestina. Diante da situação, explica a correspondente do jornal francês, a jovem preferiu se transformar em uma criminosa aos olhos da lei brasileira do que correr o risco de levar a gravidez até o fim.

O jornal lembra que o aborto é proibido no Brasil, com exceção dos casos de estupro ou de risco de vida para a mãe. Além disso, algumas raras malformações do feto, como a anencefalia (a ausência de cérebro), também autorizam a mãe a interromper a gravidez. No entanto, a microcefalia não justifica o aborto, mesmo se a criança pode sofrer distúrbios graves de desenvolvimento, ressalta o jornal francês.

Mas essa incoerência começa a ser questionada por causa da epidemia do vírus zika. Segundo Bia Galli, da ONG Ipas, ouvida pela correspondente do Le Monde, a população ainda não tem informações claras sobre a doença, sua prevenção e as consequências, o que tem criado uma espécie de pânico generalizado, que vai certamente aumentar o número de abortos.

Uma mulher morre a cada dois dias vítimas de abortos clandestinos

Atualmente, a cada ano, cerca de um milhão de brasileiras praticam o aborto ilegalmente no Brasil, ressalta Le Monde. No entanto, nem todas o fazem da mesma maneira. Se as grávidas vindas das classes mais abastadas pagam atualmente entre R$ 10 mil e R$ 15 mil para interromper a gestação em uma clínica privada, apesar das proibição da lei, as mais modestas acabam recorrendo a profissionais desqualificados ou até métodos perigosos, colocando suas vidas em risco, analisa o jornal. “Uma mulher morre a cada dois dias vítima de um aborto realizado em condições deploráveis ligadas à clandestinidade”, alerta o vespertino.

Citando um editorial do jornal Folha de São Paulo, a correspondente de Le Monde lembra que a epidemia provocada pelo vírus zika e o aumento de casos de microcefalia criaram uma situação excepcional e que “o mais racional seria rever as leis que regem o aborto no país”.

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