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Por que há uma invasão de turistas argentinos nas praias brasileiras?

Por que há uma invasão de turistas argentinos nas praias brasileiras?
 
Praias cariocas neste verão 2016. Andre Gomes de Melo/ GERJ

O Brasil vive uma verdadeira invasão de turistas argentinos. O fluxo deve marcar um recorde histórico neste verão. Neste fim-de-semana, na virada da quinzena do mês, uma nova leva de turistas ruma em busca de praias e de bons preços. E existe explicação econômica para o fenômeno.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Em média, a cada meia hora, um avião sai da Argentina repleto de turistas com destino ao Brasil. Só de Buenos Aires, partem mais de 40 voos diários para cidades brasileiras. Cerca de 300 voos por semana nesta temporada.

Por via aérea, a mais procurada é o Rio de Janeiro, seguida de Florianópolis e de Salvador. Mas a maior parte chega mesmo por via terrestre, de carro e até de ônibus, rumo às praias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

É o caso de Adrián Mattos, de 40 anos. Ele acaba de voltar a Buenos Aires, depois de 12 dias com a esposa em Bombas e Bombinhas em Santa Catarina. Foi de carro e cumpriu o sonho de conhecer o Brasil.

"Sempre quis conhecer o Brasil, onde tenho muitos amigos. Esta foi a melhor oportunidade", explica. "Achei o Brasil muito mais barato do que a Argentina com melhores praias e melhor serviço. E o custo é mais ou menos 30% menor", compara.

Real desvalorizado explica em parte o fenômeno

Mas o que explica esse fluxo histórico? Uma combinação perfeita entre um real desvalorizado no Brasil, um custo de vida elevado na Argentina e o fim das restrições para os argentinos poderem comprar moeda estrangeira.

É verdade que, no ano passado, o peso argentino perdeu 40% do seu valor, mas o real brasileiro perdeu ainda mais: 48,3%. E enquanto, no Brasil, a inflação foi de 10% no ano passado, na Argentina passou de 30%.

Além disso, em dezembro, o novo governo argentino liberou o mercado de câmbio. Houve uma desvalorização imediata de 30% do peso argentino, porém, como o governo também eliminou uma taxa de 35% sobre as despesas em moeda estrangeira, o preço das passagens aéreas e dos pacotes turísticos ao exterior não mudou.

Em síntese, a Argentina ficou cara até para os argentinos, enquanto o Brasil ficou mais barato do que qualquer outro destino, um panorama que não acontecia há 15 anos.

Foi esse o cálculo que Fabián Cobbe, de 54 anos, fez. Em outubro passado, quando fechou a viagem férias, Fabián queria mesmo viajar pela Argentina com a esposa e as duas filhas, mas...

"A diferença de custos entre tirar férias na Argentina e no Brasil já era grande em outubro. Agora é ainda mais notável. Os preços relativos são muito mais econômicos no Brasil do que na Argentina", afirma.

Preferência por casas de veraneio

De um modo geral, os argentinos alugam casas e apartamentos. Vão em numerosos grupos de amigos ou em família. Ficam cerca de 15 dias, quando se renova a quinzena do mês, segundo o calendário de férias das empresas.

Catalina Ciarlelli, de 17 anos, viaja com cinco amigas e fica numa casa compartilhada com mais 15 pessoas. O Brasil barato também é ideal para o bolso de um adolescente.

"Estou indo com todas as minhas amigas. O Brasil está muito barato e a Argentina muito cara", concorda.

As irmãs Paula, de 23 anos, e Josefina Pérez, de 22 estão a ponto de embarcar. Paula conta que um tio alugou uma casa em Florianópolis e chamou a família. No total, 15 pessoas. É a terceira vez que as irmãs viajam a Florianópolis.

Josefina resume as qualidades do destino: "O lugar é muito bonito, com praias e ideal para descansar. E o custo é menor. Está barato para os argentinos viajar ao Brasil. É muito mais barato", confirma.

Recorde de turistas argentinos em 2016

Sol, praia, proximidade e preços bons só podem ter uma consequência: recorde histórico. O Ministério do Turismo do Brasil não divulgou números atualizados. Os últimos com os quais a Embratur trabalha são de 2014.

Em outubro, em entrevista com a RFI, o presidente da Embratur, Vinícus Lummertz, calculava um recorde em 2016.

"É uma tendência de muita consistência porque a diferença cambial é muito evidente. Nós estamos projetando um aumento de 30% em média para os sul-americanos, mas já temos sinais, no caso do mercado argentino, de uma ampliação de 50%. O que acontece com o verão é que será o prelúdio do ano. Os números serão grandes", previu.

Em 2014, os turistas sul-americanos representaram praticamente a metade de todos os turistas estrangeiros no Brasil. Foram 3,133 milhões dos países vizinhos. Com 1,736 milhão de turistas, a Argentina é a maior emissora de turistas para o Brasil. O aumento deste ano pode elevar esse número a 2,5 milhões, sendo a metade durante o verão.

Segundo os Instituto de Estatísticas e Censos da Argentina, no verão passado, 817 mil argentinos cruzaram a fronteira com o Brasil. Um aumento de 30%, representaria mais de um milhão neste ano só no verão.

Esses 30% a mais no Brasil são justamente o que faltam nas praias argentinas, como em Mar del Plata, onde o mau tempo acabou por transformar esta temporada na pior dos últimos 10 anos.

E mesmo quem é de Mar del Plata, está indo ao Brasil. É o caso de Juan Juárez, de 61 anos, que viaja com a esposa e com quatro filhos a Camboriú, em Santa Catarina. Juan decidiu a viagem em outubro e os fatos tornaram a decisão acertada.

"Em Mar del Plata, o clima está bastante chuvoso e frio. Sem querer, vamos a um lugar com mais calor e com custos menores", celebra.


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