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Brasil

Samarco descartou anomalias em barragem em MG uma hora antes de ruptura

media Mar de lama após rompimento da barragem Reuters

A mineradora Samarco não detectou anomalias na barragem que rompeu na quinta-feira (5) durante uma inspeção feita uma hora antes do desastre. "Sentimos um tremor perto das duas e pouco da tarde, então fomos imediatamente ao local fazer inspeções e constatamos que não havia nenhuma anomalia", explicou nesta sexta-feira (6), em coletiva de imprensa, Germano Silva Lopes, gerente-geral de projetos e responsável pelo plano de ações de emergência da companhia. "Depois de certo tempo, nos informaram que havia começado a ceder", completou.

Cerca de 55 milhões de metros cúbicos de mineral de ferro depositados nessa barragem, com capacidade para 60 milhões, cobriram com uma lama marrom 80% de Bento Rodrigues, um distrito de 620 habitantes no estado de Minas Gerais. A barragem se rompeu por volta das 15h locais. Outra barragem com 7 milhões de metros cúbicos de água também rompeu pouco depois.

Até agora há 17 mortos, segundo Adão Severino Júnior, comandante dos bombeiros de Mariana, a cidade mais próxima a Bento Rodrigues, a cerca de 23 km. O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, reportou apenas um morto - um empregado da Samarco que teve um infarto - e 14 desaparecidos, também trabalhadores da mina de Germano, que paralisou suas operações por tempo indefinido.

Plano de emergência

O plano de emergência da mineradora Samarco não incluía uma sirene para ordenar a evacuação do distrito em caso de um acidente desse tipo. A empresa teve que chamar por telefone a Defesa Civil, algumas famílias e líderes comunitários.

"O plano que estava vigente não incluía alerta sonoro, mas isso que estamos vivendo vai nos trazer muitas lições, pode ser melhorado", declarou o presidente da Samarco, Ricardo Vescovi, que assegurou que o material derramado "não é tóxico".

A empresa começou uma investigação e anunciou que trará auditores externos para determinar a causa do acidente. Alguns leves tremores registrados no momento do acidente também serão considerados dentro das possíveis causas. A barragem, que passava por uma obra de reforma para ser ampliada, foi fiscalizada pelas autoridades em julho de 2015, assegurou Silva Lopes. Outros depósitos de resíduos minerais da empresa nesta área estão sendo avaliados.
 

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