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Geral

No Brasil, “policial rima com assassino”, diz Le Monde

media Polícia Militar durante ação no Complexo do Caju, no Rio de Janeiro. Anistia Internacional

Em uma reportagem de página inteira publicada em sua edição deste sábado (26), a revista semanal do jornal francês Le Monde relata os episódios recentes de violência envolvendo policiais no Brasil. O texto chama a atenção para a banalização dos assassinatos cometidos pelas forças de ordem e a impunidade diante desses atos no país.

A reportagem da revista M começa relatando o caso do policial militar filmado quando jogava do telhado um suspeito de roubar uma moto no Butantã, em São Paulo, em 7 de setembro, antes de listar uma série de episódios “macabros” do mesmo tipo. A jornalista relembra as cerca de vinte pessoas executadas por homens mascarados em Osasco e Barueri no mês passado, ou ainda os 30 mortos no Amazonas, na mesma época. Em ambos os casos, as forças de ordem estão implicadas, ressalta o texto. “Esse tipo de fato, recorrente, evidencia uma cultura institucional da violência e da impunidade dos policiais”, comenta Amerigo Incalcaterra, representante para a América Latina do Alto Comissariado das Nações Unidas para os direitos humanos, ouvido pelo Le Monde.

A revista também traz o depoimento de Adilson Paes de Souza, um ex-coronel da Polícia Militar, que se tornou militante dos direitos humanos. Segundo ele, esses episódios não podem ser analisados como casos isolados, e o vídeo do Butantã seria “uma prova irrefutável da existência de grupos de exterminação dentro da Polícia”, diz o texto. “Os policiais se sentem abandonados pelo sistema, então eles fazem justiça sozinhos”, comenta o ex-militar, autor do livro O Guardião da Cidade.

A reportagem lembra que, no Brasil, apenas 8% desses crimes são resolvidos e que, mesmo se os culpados são detidos, eles “aterrissam em um sistema carcerário corrompido pelo crime organizado”.

Ricos entrincheirados e polícia impune

A jornalista ressalta que atualmente todos temem por sua segurança nas metrópoles brasileiras. “Os mais ricos se entrincheiram em seus prédios ultrasseguros e manifestam pouca tolerância diante dos delinquentes. Já os policiais, em nome da proteção dos cidadãos, beneficiam de uma espécie de impunidade”, analisa a reportagem. “Nos primeiros seis meses do ano, 358 pessoas morreram durante as ações da polícia no Estado de São Paulo e mortes de 11 policiais foram registradas”, compara o texto.

O sociólogo Daniel Pereira Andrade, que também foi consultado pela reportagem do Le Monde, explica que, na maioria dos casos, as vítimas vêm das classes populares. “Nossa polícia assassina os negros e os mais pobres”, denuncia o professor da Fundação Getulio Vargas. “Temos a impressão de que o jovem delinquente mestiço não tem o mesmo ‘valor humano’ que um filho da burguesia”, conclui a jornalista.

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