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Brasil

Oposição endossa protestos de domingo pelo impeachment da presidente Dilma

media A presidente Dilma Rousseff REUTERS/Lucas Jackson

Neste domingo (16) acontece em 114 cidades do Brasil e do exterior, inclusive Paris, um protesto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff, motivado pelas denúncias de corrupção que envolvem membros do governo federal. Organizada pelos grupos Movimento Brasil Livre, Revoltados Online e Vem Pra Rua, esta manifestação traz um elemento novo: uma mobilização clara da oposição para endossar os protestos.

O cientista político Gaspard Estrada, do Observatório Político da América Latina, da Universidade Sciences Po, em Paris, analisa a nova situação: "Esse protesto dá sequência a uma série de iniciativas que vem acontecendo no Brasil desde março visando o impeachment da presidente Dilma. No entanto, eu sinto que há uma movimentação clara da oposição para endossar os protestos, o que não foi o caso nem em março nem em abril deste ano, quando houve duas manifestações populares nos grandes centros urbanos."

Ele acrescenta que o ex-candidato à presidência e presidente do PSDB, Aécio Neves, anunciou que vai se manifestar desta vez. "E também o próprio partido nas suas inserções na TV anunciou apoio às manifestações e incitou os brasileiros a saírem às ruas. Isso pra mim é um fato novo", diz.

Crise em processo acelerado

Para o cientista político Marcelo Suano, diretor do Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais, em São Paulo, o protesto é um reflexo da crise política no Brasil. "Ele é significativo da situação em que o governo está e do alcance da crise política. Não é muito comum o brasileiro querer se manifestar constantemente. Quando ele chega ao ponto de estimular várias manifestações, é que a crise está em processo acelerado. O que se espera é que se busque uma forma de entendimento nacional", opina.

Segundo ele, é exatamente isso que está assustando a sociedade. "O Brasil não está caminhando para um entendimento e muito menos para um pedido de desculpa, pacto ou coalizão de lideranças. Ele caminha para a ruptura e para brigas internas dentro do governo. Cada horas as alianças estão mudando de lugar, gerando mais crise, insatisfação e perda de credibilidade", afirma.

Contradição

A decisão dos organizadores de poupar o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acusado de receber RS$ 17,5 milhões de propina no escândalo da Petrobras, é uma contradição, na visão de Gaspard Estrada. "No fundo é um tiro no pé no discurso deles. Eles dizem que estão lutando contra a corrupção, mas decidem poupar o presidente da Câmara. Ele sim está sendo envolvido nominalmente na lista publicada pelo Ministério Público Federal, o que não é o caso de Dilma. Ela pode ser acusada de não ter feito um bom primeiro mandato, de ter cometido erros na condução econômica e política do país, que levou à queda do crescimento econômico e à desarticulação da base aliada do governo. Mas, até hoje, não há nenhuma prova de que ela estava envolvida em algum escândalo de corrupção", diz.

Para Marcelo Suano, um pedido de impeachment precisa de uma justificativa jurídica para não parecer um golpe. "Se nós temos uma crise de liderança, talvez o impeachment da presidente Dilma traga mais vácuo de poder. Quanta à legitimidade do pedido, devemos dizer que uma ação de impeachment é eminentemente política, embora necessite o respaldo de uma justificativa jurídica. Senão ficaria sempre para a sociedade que houve um golpe branco, um movimento de afastamento ilegítimo, algo que não tem o respaldo da sociedade."

Falta debate profundo

O consultor Fábio Lopes, de São Paulo, explica por que participa dos protestos. "Para lutar pelos direitos dos brasileiros contra a corrupção. Para que os recursos sejam usados corretamente na saúde, na educação, no transporte. E que a lei seja cumprida com rigor para quem quer que seja, independetemente da sua posição política."

Já a atriz sergipana Monize Moura, que mora em Paris, considera o protesto um equívoco. "Todas as formas de protesto são legítimas. Mas acho um equívoco pedir o impeachment. Acho que há uma manipulação midiática e não acho que seja a melhor decisão para o país, tendo em vista toda a onda reacionária que existe. Acho que não é um problema unicamente do PT, como a mídia e alguns setores da sociedade insistem em associar a corrupção apenas ao PT. Eu acho que isso tudo é muito redutor e não há um debate profundo realmente sobre a questão da corrupção na política brasileira."

 

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