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Brasil

“A publicidade brasileira é a mais machista do mundo”

media Propaganda de cerveja brasileira. Captura vídeo

Serge Katembera é um jornalista do Congo que estuda na Universidade Federal da Paraíba. Desde 2013, ele escreve suas impressões como um estrangeiro vivendo no Brasil para o projeto da RFI Mondo Blogs, que reúne blogueiros do mundo todo escrevendo em francês. Alguns de seus artigos estão sendo publicados em português, aqui no site da RFI Brasil. (Leia os posts anteriores).

“Brasil, país do futebol”, país do “jogo bonito” (um título que em breve será contestado?). O Brasil gosta principalmente dos títulos pomposos: “o país do amor”, “o país do maior carnaval do mundo”, “o gigantes do Brics” e, mais recentemente, o país que teve a honra de ter em seu parlamento o pior deputado do mundo, Jair Bolsonaro. Podemos também dizer que o Brasil é o país em que as peças de propaganda são as mais machistas do mundo? Vamos ver.

O país da propaganda…

É preciso antes de tudo reconhecer um fato: o Brasil é certamente um dos melhores produtores de publicidade no mundo. Quando eu digo “melhores”, você percebe que há uma dimensão perversa bastante evidente. Até mesmo a ideia de que a gente possa classificar as melhores propagandas é obscena. É o caso, por exemplo, do mercado da publicidade de produtos de luxo para crianças...

Eu falo, claro, do efeito de impacto. A publicidade brasileira funciona como um choque elétrico. Não falta imaginação neste setor. O Gunn Report 2015 coloca o Brasil entre os cinco melhores do mundo quando o assunto é criação publicitária, atrás da Suécia, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.

...divertida e eficaz...

Há propagandas realmente engraçadas, como esta da rede de postos de combustível Ipiranga. Engraçado e eficaz, além de ser infinitamente renovável... A peça se repete há anos, em trinta segundos. Em geral tem um homem em um carro que para para pedir informações e então tem diálogos extremamente engraçados.

Fora do Brasil também se faz propaganda eficaz e boa, ou seja, sem bundas muito expostas. Por exemplo, este:

Mas vendo este anúncio acima, considerado o “melhor do mundo”, eu penso que nenhuma agência “séria” do Brasil aprovaria. O que? Uma propaganda de cinco minutos sem nenhuma bunda? Nem mesmo uma alusão? Não pode ser...

... e, com frequência, muito machista

De resto, o quadro é bastante sombrio. O país se destaca na produção de propagandas machistas. Se por um lado a imaginação é fértil, ela anda lado a lado com uma total falta de rigor na regulação dos conteúdos publicitários.

Assistir à televisão pode às vezes ser um exercício perigoso, sobretudo se você tem crianças em casa. Ainda mais porque os horários que os anúncios vão ao ar são raramente classificados por idade.

Os primeiros responsáveis são as cervejarias. Às vezes é preciso se segurar para não sufocar. O álcool é constantemente apresentado ao lado de uma mulher, com frequência vestindo apenas biquíni – na melhor das hipóteses –, ao ponto que faz a gente se perguntar o que é que eles estão vendendo de verdade: a mulher ou a cerveja?

A publicidade brasileira é reflexo de um país extremamente machista. Um paradoxo para um país que reelegeu uma mulher à presidência em 2014. No entanto, a vida não é sempre fácil para Dilma Rousseff.

É possível haver algo mais degradante para uma mulher do que este anúncio acima da Itaipava? Na verdade, é possível.

O caso mais chocante deste verão 2015 na época do carnaval (que surpresa...) é sem dúvida este cartaz da Skol, segundo a revista Carta Capital. Criado uma por das agências de publicidade mais famosas do mundo, esta propaganda teve de ser retirada porque descrevia as brasileiras como objetos sexuais, acompanhada de uma frase no mínimo perturbadora: “esqueci o ‘não’ em casa”. Tradução: “transe comigo”.

 

>> Leia todos os posts de Serge Katembera em português

 

A Carta Capital recorda também que a agência nacional que regula a publicidade não tem, entre as suas regras, uma proibição clara do machismo. O combate, portanto, é necessário. Até a marca de sandálias Havaianas, quando tentou ficar mais famosa, no começo dos anos 90, apostou no sex appeal das mulheres cariocas.

Não é por acaso que o concorrente direto das Havaianas no mercado brasileiro se chama Ipanema. Uma referência à célebre canção de Tom Jobim, A Garota de Ipanema.

Os maiores produtores de sandálias do Brasil não ficam atrás. Com frequência seus anúncios são acompanhados de um discurso agressivo em relação às mulheres, onde a representação é constantemente sexualizada.

O filósofo francês Jean Baudrillard não se enganou em seu livro O Sistema dos Objetos, quando fala do “caráter abstrato dos objetos”, reforçando que “sua função é relativa ao sujeito”. Podemos então nos consolar com a ideia de que belos pares de sandálias Havaianas podem igualmente servir para darmos boas chineladas nestes publicitários abertamente machistas.

 

 

>> Leia todos os posts de Serge Katembera em português.

>> Acesse o blog de Serge Katembera em francês.

>> Siga o blogueiro no Twitter: @sk_serge

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