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Brasil

Brasil estudará proposta de parceria com Airbus para lançamento de satélites

media Ministro da defesa diz que Brasil vai dar continuidade à luta contra a espionagem. Wikipedia/CreativeCommons

A Airbus pretende costurar uma parceria com empresas brasileiras para entrar no mercado de lançamento de satélites de pequeno porte, a partir da base de Alcântara, no Maranhão. Atualmente, a instalação é usada para lançar foguetes ucranianos, numa parceria que a presidente Dilma Rousseff optou por interromper, por considerar pouco vantajosa. O ministro da Defesa, Jaques Wagner, que está em visita oficial à França, conversou com a companhia europeia nesta terça-feira (12) e prometeu apresentar ao empresariado brasileiro a proposta de criação da joint venture.

O interesse da Airbus em uma cooperação deste tipo existiria desde 2009 - bem antes, portanto, de vir a público a vontade do governo brasileiro de descontinuar um acordo bilateral com a Ucrânia, ainda formalmente em vigor. A interrupção desse contrato foi pedida há pouco mais de um mês pela presidente Dilma Rousseff, sob a alegação de que o acordo tinha mais custos do que benefícios.

Anulada a parceria, as instalações de Alcântara, no Maranhão, ficam disponíveis para outros usos. A estrutura é particularmente cobiçada por sua posição equatorial, o que diminui o gasto com combustível, já que os satélites de comunicação circulam em órbitas paralelas à linha do Equador. Outras propostas de uso comercial de Alcântara devem aparecer - os Estados Unidos, concorrentes dos franceses no setor aerospacial, são grandes interessados.

"A reunião de hoje de manhã (com a Airbus) era nesse caminho", explicou o ministro, esclarecendo que "eles estão falando de lançadores de menor capacidade, mas para satélites que hoje são muito demandados, que são os satélites de observação, usando a estrutura brasileira".

Vantagens para os dois lados

Para a companhia europeia, a vantagem de uma joint venture com o Brasil seria o potencial de concorrer no mercado de satélites de até 700 kg, que orbitam a 700 km de altitude. Atualmente, a empresa se especializa em satélites geoestacionários de grande porte. "Eu acho que seria um ganho grande para nós (...) porque eles querem fazer via Embraer", avaliou Jaques Wagner.

Além disso, na Europa, os franceses não têm mais possibilidades de parcerias e enfrentam a concorrência de players agressivos, como os próprios Estados Unidos, a China e a Rússia. O Brasil apareceria como uma ótima alternativa, num programa que previsse transferência de tecnologia e desenvolvimento de infra-estrutura local, ao contrário do que acontece no caso do acordo ucraniano.

A conversa, no entanto, foi "absolutamente prospectiva". "Eu acho que foi demonstrado um interesse verdadeiro. (...) Eu disse a eles que vou levar o dever de casa. Vamos chegar lá e vamos reunir nossa equipe para saber o que há de real e falar. Porque tem de haver uma contraparte nossa. Se a contraparte for uma estrutura empresarial, melhor ainda", afirmou Jaques Wagner.

Ajuste Fiscal

O ministro se disse satisfeito com o saldo da viagem de três dias, que contou com visitas a usinas em Cannes e Cherbourg, onde estão sendo construídos os submarinos brasileiros, além de uma bateria de reuniões com empresários. O contexto, no entanto, não é dos melhores, dado o ajuste fiscal promovido pelo governo, que cortou de quase metade do orçamento da Defesa para o primeiro trimestre deste ano.

"Estamos trabalhando na manutenção daquilo que já está contratado, eventualmente, renegociando a velocidade de entrega em função exatamente desta questão (orçamentária)", afirmou. Um dos contratos renegociados foi o do helicóptero HX-BR. A previsão inicial era que a Airbus entregasse 13 equipamentos por ano, mas, para reduzir o fluxo de caixa, esse número foi revisto para sete entregas anuais, aumentando em dois anos o prazo inicial. Jaques Wagner garantiu que nenhum programa será descontinuado.

"Creio que, ao final de 2016, a gente já terá um horizonte mais confortável na área orçamentária", estimou o ministro. "Falar agora de novas aquisições é impossível". Na quarta-feira (13), Jaques Wagner se encontra com o ministro francês da Defesa, Jean-Yves Le Drien e embarca para Brasília ainda na parte da manhã.

 
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