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Brasil

Especialista pede no Le Monde “esforço de guerra” para reflorestar Amazônia

media O desmatamento da Amazônia aumentou 191% em agosto e setembro de 2014, em relação ao mesmo bimestre de 2013, segundo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), de Belém. Hebert Rondon/ Ibama

O jornal Le Monde, que chegou às bancas na tarde desta terça-feira (25), traz uma entrevista alarmante com o agrônomo brasileiro Donato Nobre, apresentado como um dos “melhores especialistas do clima e do ecossistema da Amazônia”. Neste momento em que a seca recorde e a crise hídrica afeta o Brasil, e principalmente o estado de São Paulo, o pesquisador revela o impacto do desmatamento no ciclo das chuvas e pede um “esforço de guerra” para reflorestar a região amazônica.

O agrônomo Donato Nobre começa sua entrevista lembrando os números “monstruosos” do desmatamento da floresta brasileira, publicados no relatório “O futuro climático da Amazônia”. Nos últimos 40 anos: 763.000 km2 foram destruídos, o que equivale a duas vezes a superfície da Alemanha. Para dramatizar ainda mais a destruição, o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE), pede aos leitores do Le Monde para imaginar um trator com uma serra de três metros de largura trabalhando a uma velocidade de 756/h, sem parar, durante 40 anos. “Uma espécie de máquina do fim do mundo”.

Segundo as estimativas, neste período foram cortadas 42 bilhões de árvores. Essa é a parte visível da destruição. Donato Nobre adverte também para as áreas da floresta que estão degradadas e que as fotos feitas por satélites não mostram. A degradação é estimada em 1,3 milhão de km2, que adicionado ao espaço já desmatado atinge 2 milhões de km2, isto é, 40% da floresta amazônica.

Grito de alerta

Cada árvore cortada na Amazônia tem um impacto no clima, garante o especialista. Ele explica que a floresta brasileira é uma “usina de serviço ambiental” porque cada grande árvore da região emite na atmosfera mais de 1.000 litros de água por dia.

Pelos cálculos do INPE, a Amazônia inteira emite 20 bilhões de litros por dia, formando “rios aéreos” que ela exporta as outras regiões do país. Sem a ajuda da floresta, “essas regiões produtoras agrícolas poderiam ter um clima quase deserto”, afirma Donato Nobre. “Não sou contra a agricultura, mas que tipo de produção agrícola podemos ter sem água?”, indaga.

Abismo climático

As mudanças climáticas e o aquecimento global não são mais uma previsão científica, mas uma dura realidade. Existem provas que a crise climática está ligada ao desmatamento da Amazônia, que voltou a crescer após a entrada em vigor do novo código florestal brasileiro, afirma o agrônomo ao vespertino francês.

Ele pede no Le Monde um esforço mundial, como o realizado durante a crise financeira de 2008, para evitar o “abismo climático”. Segundo Donato Nobre, o desmatamento zero não é mais suficiente. É necessário agora replantar o que foi cortado. Para reflorestar a Amazônia são necessários US$ 7 bilhões. “Uma gota de água para a economia mundial”, compara.
 

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