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Brasil

Brasília Teimosa, berço do Fome Zero, sente saudades de Lula

media Lula e Dilma Rousseff em discurso em Recife. Flickr: Sala de Imprensa/Ichiro Guerra

Espremida no final da orla chique de Boa Viagem, na zona sul de Recife, a comunidade de Brasília Teimosa tem uma história atrelada à do governo federal. Nos anos 50, daqui saíram muitos ‘candangos’ que foram atuar na construção de Brasília, a nova capital. Na comunidade também foi lançado o programa Fome Zero pelo ex-presidente Lula. Nesta terça-feira (21), ele foi a Recife ao lado de Dilma Rousseff.

Brasília Teimosa nasceu da luta contra as autoridades locais que não queriam ver se implantar um bairro paupérrimo de palafitas na região há mais de quatro décadas. Dessa luta constante contra as tentativas de desocupação nasceu o nome do bairro, como contou à RFI, D. Elides, líder comunitária e presidente do Conselho de Mulheres. « Foram os próprios moradores que fizeram o traçado do bairro. Nos fomos teimando, ficando, construindo… e depois começamos a lutar por melhorias habitacionais e de infraestrutura », explicou D. Elides.

Combate contra a fome

 Além de defender o direito à moradia, D. Elides e outras lideranças locais de engajaram na campanha Natal sem Fome de Betinho nos anos 90. O álbum de recordações dessa época com fotos e recortes de jornal com as diversas campanhas de doações de alimentos.

Não por acaso, logo após a eleição em 2002, o então presidente Lula veio com uma comitiva de ministros lançar o Fome Zero, o embrião de um dos mais emblemáticos programas sociais do governo Lula: o Bolsa Família. Na ocasião, ele também prometeu substituir as palafitas por casas de tijolo e cimento em 100 dias. “Mas essa promessa levou mais tempo e tivemos que fazer um protesto para cobrar essas mudanças”, conta D. Elides.

 Influência de Lula

Ao longo dos 12 anos dos mandatos do PT no governo federal, a comunidade mudou muito. As palafitas desapareceram, as ruas foram asfaltadas e os pequenos comércios prosperam. A influência do ex-presidente ainda é nítida. « Lula tem uma influência grande, forte e positiva no Estado de Pernambuco. Essa ligação dele foi muito importante. Trouxe muitos avanços para o nosso Estado », disse D. Elides.
Para transformar esse carisma de Lula em influência do PT foi um passo. Brasília Teimosa tornou-se um bastião fiel do Partido dos Trabalhadores. Em todas as eleições, a votação de Lula foi expressiva. Em 2012, Dilma Rousseff surfou nessa onda de popularidade e não encontrou dificuldades para se eleger.

Neste ano, porém, a entrada de Eduardo Campos (PSB) na corrida eleitoral mudou essa dinâmica. D. Elides destaca que o bairro deve muito aos anos Lula, mas ela ressalta que as melhorias não são frutos apenas da atuação federeal mas, também, da intervenção dos governos locais, sobretudo de Campos, que ainda é adorado pelos moradores.

Com a sua morte trágica, os votos foram transferidos para Marina Silva que arrecadou cerca de 2,3 milhões de votos. No segundo turno, porém, não se sabe o destino desses eleitores. “Está muito acirrada a disputa. Há muitas agressões na campanha, mas isso não acrescenta nada ao eleitor. O nosso eleitorado aqui está bastante dividido, mas se o candidato fosse Lula, a situação seria diferente. Aqui realmente muitos se dividem entre Aécio e Dilma, sabendo que a Dilma tem a vantagem do Bolsa Família. Muitas pessoas aqui se beneficiam desse programa”, avalia a líder comunitária.

Uma caminhada pelas ruas do bairro mostra essa polarização. Em algumas fachadas é possível ver faixas, cartazes e retratos de Dilma Rousseff e de Lula. Mas nos carros novos que circulam pelas ruas, fruto do boom econômico de consumo dos últimos 12 anos, os adesivos que prevalecem são os do candidato Aécio Neves.

Rivalidades entre vizinhos viram brincadeira

Entre vizinhos, o clima de disputa eleitoral é levado na brincadeira. O morador “Zé do Fracasso” escolheu apoiar Aécio Neves no segundo turno. “Já estou cansado só de ouvir falar de corrupção e de Bolsa Família. Para mim, é uma bolsa miséria que só serve para fazer o povo votar neles”, argumentou. Sentado ao lado, o vizinho Pedro entrou na conversa para defender a candidata do PT. “Esse povo daqui é muito ingrato. Depois de tudo que o PT fez pela gente eles vão votar no Aécio. Ele nem sabe onde é Brasília Teimosa”.

Na orla de Boa Viagem, a reportagem encontrou um militante que se sunga, uma camiseta de Dilma Rousseff e adesivos de Lula agitava uma imensa bandeira “Dilma 13”. “Votei em Dilma no primeiro turno e votarei sempre nela e no PT. Eles fizeram coisas erradas e têm que consertar. Mas eles fizeram muitas coisas boas e o povo esquece fácil”.

Gratidão sim; submissão não

Mesmo entre os que não se beneficiam diretamente do Bolsa Família, há um sentimento de gratidão em relação aos governos do PT. Mas os escândalos de corrupção envolvendo grandes nomes do partido afetaram a imagem. “O PT foi com muita sede ao pote”, avaliou D. Elides. Muitos também criticam a perda da “alma popular do partido e dos seus elos “com o povão”, disse Wilson Pena, presidente do Conselho de Moradores, e eleitor do candidate do PSDB. “Eles se afastaram muito. O Lula ainda conseguia contornar esse afastamento com o jeito dele. Ele é espontâneo. É natural, mas a Dilma não tem carisma nenhum. Não nos sentimos próximos dela”, sentenciou.

No começo de setembro, porém, Dilma e Lula foram recebidos como ‘rock stars’ no bairro. Uma multidão acompanhou a dupla numa carreata pelo bairro e em um comício. Prova de que a aura mágica de Lula ainda pode surtir efeito nas urnas.

 

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