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Eleições na Bolívia podem pôr fim a 14 anos de Evo Morales

Eleições na Bolívia podem pôr fim a 14 anos de Evo Morales
 
O presidente Evo Morales disputa seu quarto mandato e pode ser derrotado. REUTERS/Manuel Claure

A Bolívia terá no domigo (20) as eleições mais disputadas desde a década de 1950 nas quais, pela primeira vez em 14 anos, o presidente Evo Morales pode perder. Se conseguir um controverso quarto mandato, Morales enfrentará o esgotamento de um modelo econômico há quatro anos em declínio associado a uma hegemonia absoluta de poder.

Márcio Resende, correspondente em Buenos Aires

Evo Morales sustenta-se no crescimento econômico e na redução da pobreza de um modelo em declínio enquanto Carlos Mesa quer acabar com a hegemonia autoritária mais extensa hoje na América Latina. Quem pode pôr fim ao sonho de um quarto mandato é o jornalista e escritor Carlos Mesa (2003-2005), do Comunidade Cidadã, uma coligação de Centro. Mesa pretende liderar um giro democrático, voltando ao poder depois do breve período em que, como vice-presidente, governou uma Bolívia em convulsão depois da renúncia do ex-presidente Gonzalo Sánchez de Lozada.

"Democracia ou ditadura. É isso o que está em jogo. O governo atual não é ainda uma ditadura, mas é profundamente autoritário. Controla os poderes Judiciário, Legislativo e Eleitoral de maneira absoluta. A tendência do regime boliviano é que, sem uma mudança, caminhe a um modelo parecido com o da Venezuela ou da Nicarágua", avalia à RFI o economista Carlos Toranzo, um referente na Bolívia. "Essa mudança, pela primeira vez, aparece tangível", ressalta.

O premiado analista político Raúl Peñaranda descreve à RFI a aposta a tudo ou nada do presidente. "Evo Morales ou ganha no primeiro turno ou não ganha mais. O governo sabe que as chances de derrota num segundo turno são enormes", afirma Peñaranda, autor de dez livros entre os quais "Controle Remoto", que analisa como Evo Morales criou uma rede paraestatal de veículos comunicação e um plano para perseguir a imprensa independente. Num segundo turno, Evo Morales, do Movimento ao Socialismo (MAS), veria a união das forças opositores, fragmentadas em oito opções neste domingo.

Candidatura ilegal

A reta final da dividida campanha foi marcada por uma série de manifestações que reuniram cerca de um milhão de pessoas nas principais cidades do país. Os protestos apontavam contra a reeleição de Morales, considerada ilegal por ferir a Constituição que apenas prevê dois mandatos.

Em 2017, o Tribunal Constitucional, controlado por Morales, alegou o "direito político a participar e a ser eleito", previsto na Convenção Interamericana de Direitos Humanos, abrindo o caminho para Morales tentar a reeleição indefinida.
A decisão do Tribunal chocou-se contra o referendo de fevereiro de 2016, no qual 51,3% dos bolivianos disseram "Não" à intenção de Morales de reformar novamente a Constituição para habilitar a reeleição indefinida. Em 2009, já tinha reformado a Carta Magna para habilitar a reeleição.

A insistência de Morales, associada a escândalos de corrupção, a obras faraônicas sem utilização, ao esbanjamento de dinheiro público - o presidente percorre de helicóptero os 10 minutos que um carro leva entre a residência oficial e a sede de governo - e a um desgaste natural depois de 14 anos levaram a uma queda na popularidade de 65%, há quatro anos, aos 35% atuais.

Para ser eleito no primeiro turno, um candidato precisa superar os 50% dos votos válidos ou 40% desde que tenha dez pontos de vantagem sobre o seu rival imediato. A maioria das sondagens indica que Morales não atinge os 40%.
Uma sondagem da Universidad Mayor de San Andrés, a principal do país, coloca Evo Morales com 32,3%, apenas cinco pontos acima de Mesa, com 27%. Outros dois opositores, o senador de direita Oscar Ortiz e o pastor evangélico coreano-boliviano Chi Hyun Chung -considerado o Bolsonaro da Bolívia - somam juntos cerca de 16 pontos. Os indecisos rondam os 10%.

O Tribunal Superior Eleitoral proibiu a divulgação dessa pesquisa, mas o reitor da universidade desafiou a proibição, publicando os números nas redes sociais. A Igreja Católica evidenciou o que a maioria dos atores políticos advertem: as chances de uma manipulação dos resultados."Está prevista uma grande fraude eleitoral a favor do governo, que envolve o Tribunal Supremo Eleitoral. Dependerá de quanto a cidadania conseguirá fiscalizar o voto", alerta Toranzo.

Voto útil e campanha do medo

Carlos Mesa passou o último mês de campanha pregando o voto útil para forçar um segundo turno. Já Evo Morales aproveitou as crises argentina e equatoriana para apelar ao medo. "Primeiro a Argentina; agora o Equador. Isso é o que acontece quando se entrega ao Fundo Monetário Internacional. É isso que vocês querem para a Bolívia?", questionou Morales.

"Irmãos, não se enganem. Aqui só existem dois caminhos: voltar ao passado ou continuar com o processo de mudança", insitiu Morales no encerramento da campanha. A oposição também adverte para o risco de Evo Morales levar o país pelo mesmo caminho da Venezuela, um aliado da Bolívia junto com Cuba e Nicarágua. "O caminho do autoritarismo tende a aprofundar-se. O controle dos poderes do Estado tende a transformar-se num modo de ação. A geração do medo tende a transformar-se num sistema", aponta Carlos Mesa.

Economia de ficção

O presidente apela à estabilidade econômica que permitiu o país mais pobre da América do Sul melhorar os seus índices sociais. A pobreza diminuiu de 60% a 34% da população a partir de um crescimento econômico de 4,9% em média ao longo de 14 anos. No entanto, o modelo ruma a um colapso se não houver um ajuste."A bonança acabou há quatro anos, quando caíram os preços das matérias- primas. O país ainda cresce porque gasta as reservas do Banco Central e porque aumenta a sua dívida externa. Será preciso um duro ajuste econômico", indica o economista Carlos Toranzo.

A Bolívia depende das exportações de gás ao Brasil e à Argentina, países que tendem a comprar cada vez menos, graças à exploração crescente das suas próprias reservas. Além disso, o preço do gás desmoronou em sintonia com a queda pela metade do valor do barril de petróleo.

A economia boliviana acumula um déficit comercial anual em torno de 2% do PIB e um déficit fiscal próximo de 8%. A sensação de estabilidade é mantida graças às reservas internacionais do Banco Central, acumuladas até o auge de 2014, mas que já se reduziram pela metade em quatro anos. Também pelo endividamento externo,que pulou de 30% a 50% do PIB no período.

"Além disso, a Bolívia tem um tipo de câmbio fixo em relação ao dólar que, há oito anos, está congelado pelo governo. A mercadoria mais barata na Bolívia é o dólar. Não tem sentido produzir nada no país porque tudo que for importado é mais barato. Quem assumir, terá de desvalorizar a moeda, com o risco social que isso representa ", prevê Toranzo.

Voto queimado

Os incêndios na Amazônia boliviana interromperam o crescimento eleitoral de Evo Morales. Em julho, decretos presidenciais permitiram as queimadas para ampliar terrenos aos interesses agropecuários. Semanas depois, os incêndios ganharam proporções de descontrole com cinco mortos e com 5,3 milhões de hectares arrasados. Morales também se negou a declarar a emergência ambiental, como exigiam os grupos indígenas.

"Os incêndios tiveram um alto impacto nos votos de Morales, que ainda se mostrou como aliado dos empresários do agronegócio. A população associou diretamente os decretos com o fogo", analisa Raúl Peñaranda.

Encruzilhada

Nas eleições, os bolivianos também vão renovar os 166 legisladores, sem que se visualize a formação de um bloco majoritário, um risco para a governabilidade, do próximo governo. "Sem maioria parlamentar e com movimentos sociais que continuarão a pedir como se o país estivesse num boom econômico, haverá grandes problemas de governabilidade seja quem for o eleito", observa Carlos Toranzo. "O perigo maior é que Evo Morales ganhe, que não ajuste a economia e que leve o país a uma situação como a da Venezuela. Já se Carlos Mesa ganhar e fizer um ajuste, vão-lhe arrancar a cabeça", adverte Toranzo sobre a encruzilhada boliviana.


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