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Elizabeth Warren desponta como a pré-candidata preferida dos democratas

Elizabeth Warren desponta como a pré-candidata preferida dos democratas
 
Os pré-candidatos democratas Joe Biden e Elizabeth Warren, no debate de terça-feira (15). REUTERS/Shannon Stapleton

O quarto debate do partido Democrata americano, realizado na noite de terça-feira (15), teve a participação de 12 pré-candidatos à presidência. O encontro não despertou uma reação muito entusiasmada da plateia, mas serviu para indicar que Elizabeth Warren, senadora pelo estado de Massachusetts, é a preferida, confirmando a percepção geral de que ela deve enfrentar Donald Trump nas urnas em novembro de 2020.

Ligia Hougland, correspondente da RFI em Washington

A primeira eleição interna dos democratas para definir quem vai disputar a Casa Branca será realizada em 3 de fevereiro, em Iowa. Esse é um estado importante, pois, desde 1996, todos os candidatos democratas que venceram em Iowa foram também escolhidos para representar a legenda nas eleições presidenciais.

Nas últimas pesquisas, realizadas antes do debate de terça, Warren já liderava em Iowa, com 22,7% das intenções de voto. Joe Biden, vice-presidente de Barack Obama, ocupava o segundo lugar, com cerca de 19%.

Com o favoritismo, Warren foi o maior alvo de ataque durante o debate. A senadora parecia satisfeita por ser o foco dos outros pré-candidatos, já que isso lhe deu uma oportunidade de se destacar.

Warren foi quem falou por mais tempo durante o debate que durou cerca de três horas. Ela foi seguida, mais uma vez, pelo ex-vice-presidente Joe Biden. No entanto, o vice de Obama, de 76 anos, pareceu muitas vezes confuso e com dicção falha.

Mesmo Bernie Sanders – senador de 78 anos pelo estado de Vermont que também é um dos pré-candidatos preferidos e, recentemente, foi hospitalizado por causa de um enfarte – teve um desempenho mais coerente e empolgado que Biden. Além disso, a decisão dos democratas de ir em frente com o processo de impeachment contra o presidente americano prejudicou o ex-vice-presidente. O caso começou com a divulgação de uma conversa de Trump com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pedindo que as atividades da família Biden no país fossem investigadas, o que acabou por também expor Biden de forma negativa.

À medida que o processo de seleção dos pré-candidatos democratas avança, fica mais evidente que o ponto forte de Biden, que há até poucos meses tinha uma grande vantagem nas pesquisas, é que seu nome é bem conhecido entre os eleitores americanos. Mas quanto mais os outros candidatos ganham destaque, menos vantagem Biden tem. Além disso, até agora Obama não deu nenhum indício de que apoiaria a candidatura do seu vice.

Questões debatidas

Os tópicos mais discutidos durante o debate foram aborto, controle de armas de fogo, Big Tech - os grandes monopólios tecnológicos e, principalmente, as redes sociais - e a situação na Síria. O foco nesses tópicos em vez de na economia e em oportunidades para toda população, além de reforma da saúde, pode ter sido um dos motivos da reação morna da plateia.

Aborto e controle ao acesso a armas de fogo são temas que causam bastante divisão entre os americanos. Portanto, a curto prazo, é improvável que haja alguma mudança significativa nessas áreas. A prioridade dos americanos é uma economia forte, além de acesso a serviços de saúde.

Os candidatos também apresentaram ideias diferentes sobre como lidar com as Big Tech, com Warren dizendo que queria desmantelar esses monopólios e Andrew Yang, o único candidato que é da área de tecnologia, afirmando que isso não resolveria o problema.

Para exemplificar sua posição, Yang argumentou que o fato de a Google ter concorrentes – como, por exemplo, a Bing - não impede seu domínio nas buscas na internet. Kamala Harris, senadora da Califórnia, quis forçar Warren a se posicionar quanto à sua iniciativa de forçar o Twitter a bloquear a conta de Trump, mas a senadora de Massachusetts ignorou o desafio.

Surpreendentemente, tópicos como imigração, mudança climática e China - especialmente em tempos de plena guerra comercial com os Estados Unidos, além de protestos em Hong Kong sendo constantemente destacados pelos noticiários - não foram discutidos durante o debate organizado pela CNN e o New York Times.

Sanders ganha apoio de peso

Durante o evento, Sanders, anunciou que seu comício que será realizado nesse sábado (19), em Nova York, contaria com uma presença especial, sem revelar detalhes. A divulgação surpresa aconteceu ao final do debate, com a imprensa americana noticiando que a participação especial seria da deputada Alexandria Ocásio-Cortez, líder da ala jovem progressista do partido Democrata.

Essa notícia pode atrapalhar os planos da senadora de Massachusetts. Apesar de, à primeira vista, Warren e Sanders parecerem bastante semelhantes, pois são brancos, têm mais de 70 anos, representam a privilegiada região de New England, no nordeste dos Estados Unidos, além de serem simpáticos a ideais socialistas, os dois pré-candidatos também têm diferenças significativas.

Warren promete “consertar” o que está errado na sociedade americana. Sanders promete uma revolução, com a intenção de transformar os Estados Unidos.

Além disso, o senador de Vermont é popular entre os eleitores jovens e conta com mais apoio das minorias. Com o apoio da jovem deputada que é dona de uma voz forte tanto no do partido quanto nas redes sociais, é possível que as pesquisas comecem em breve a mudar a favor de Sanders.


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