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Américas

Presidente do Banco Central dos EUA acalma investidores mas Trump faz bolsa fechar em queda

media O presidente da Reserva Federal, Jerome Powell.. REUTERS/Sarah Silbiger/File Photo

O presidente do Banco Central dos Estados Unidos (Fed), Jerome Powell, prometeu nesta sexta-feira (23) dar apoio à expansão da economia do país, mas advertiu que o Fed não tem um protocolo estabelecido para lidar com as tensões comerciais. Inicialmente, Wall Street havia reduzido suas perdas nesta manhã após o discurso de Powell, com os investidores parecendo acolher seus comentários como confirmação de um movimento acomodativo nas taxas. Mas a tendência se inverteu, depois dos tuítes ameaçadores de Donald Trump sobre a guerra comercial com a China. O Dow Jones perdeu 1,17% no final da manhã.

Mesmo se as perspectivas econômicas do país continuarem favoráveis, Powell alertou em seu discurso em Jackson Hole para um possível agravamento da situação internacional, em parte devido a "incertezas comerciais".

Pequim acaba de anunciar nesta sexta-feira a intenção de impor novas tarifas sobre US $ 75 bilhões em importações dos Estados Unidos até o final do ano. Powell observou que as tensões comerciais parecem "desempenhar um papel na desaceleração global e no fraco investimento em manufatura e nos negócios nos Estados Unidos".

Mas, neste contexto, ele adverte que a política monetária não tem "nenhuma receita pronta". "No entanto, podemos focar em como as questões comerciais afetam as perspectivas econômicas e ajustar nossa política", disse o principal membro do Fed durante a conferência no estado do Wyoming.

Os mercados esperam que as taxas de juros caiam na próxima reunião monetária em 18 de setembro, depois da taxa de 1/4 de ponto percentual decidida no final de julho. O presidente Donald Trump criticou repetidamente o Fed e Jerome Powell, indicado por ele para o Banco Central.

O chefe da Casa Branca sugeriu ironicamente em um tuíte que Powell seria "um inimigo pior do que o presidente chinês Xi Jinping".

Ele também se indignou de "um dólar forte e um Fed fraco", dizendo que as taxas de juros muito altas (atualmente abaixo de 2,25%) reforçam indevidamente a moeda. Isso prejudicaria os Estados Unidos no meio de uma guerra comercial.

Deterioração internacional

Na frente internacional, Powell elaborou uma longa lista de obstáculos econômicos, citando "os novos sinais de desaceleração na Alemanha e na China", mas também "circunstâncias geopolíticas" como "a crescente possibilidade de um Brexit duro", ou as tensões em Hong Kong e a crise política na Itália.

Ele também observou a volatilidade dos mercados de ações e a queda nos rendimentos "ao redor do mundo". O chefe do Fed também mostrou o compromisso do Banco Central de segurar a inflação, cujo patamar muito baixo "é o verdadeiro problema". "A inflação permaneceu abaixo de 2% em média nos últimos 25 anos e essa queda nos preços tem sido a principal preocupação da última década", disse ele, enquanto o Fed estima que a meta de 2 % de inflação é saudável para a economia.

A inflação anual caiu para 1,4% em junho nos Estados Unidos, de acordo com o índice PCE, o barômetro favorito do Fed. A maioria dos economistas acredita que um novo corte em setembro já está estabelecido.

Para Ian Shepherdson, economista-chefe da Pantheon Macroeconomics, a menção de que a situação econômica internacional se deteriorou ainda mais "parece ser uma indicação muito forte de que o Fed será mais flexível em setembro". "Nada sugere neste discurso que o Fed vai fazer uma pausa em setembro. Os falcões tentaram gritar, mas eles estão em minoria", acrescenta ele, referindo-se à divisão de Comitê Monetário do Banco Central, da qual dois membros votaram contra os cortes de taxas em julho.

Para Mark Zandi, da Moody's Analytics, Powell "deu aos investidores o que eles queriam".

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