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Américas

Resultado das eleições primárias deixa Argentina sob risco de ingovernabilidade

media Após o resultado das primárias de domingo e a derrota de Macri, a segunda-feira foi sombria para a moeda e a economia argentina; a bolsa de Buenos Aires recuou 38%. RONALDO SCHEMIDT / AFP

Com a derrota de Maurício Macri nas primárias de domingo (11), a campanha eleitoral no país passa à fase da ameaça financeira. O presidente decidiu lutar pela façanha de reverter o resultado adverso e corre risco de perder o controle da governabilidade.

Márcio Resende, correspondente em Buenos Aires

O resultado das eleições primárias na Argentina fez a campanha eleitoral entrar numa fase de turbulência econômica, que pode arrastar o governo do presidente Mauricio Macri, assinalam analistas políticos. Entre iniciar uma transição ordenada de governo ou insistir com a campanha eleitoral, Macri optou por tentar reverter a derrota até as eleições em outubro, arriscando a governabilidade.

"A saída eleitoral é um risco. Se Macri priorizar a campanha eleitoral e tirar da mira o mais importante que é a governabilidade, pode ficar sem as duas coisas. O pior que Macri pode fazer é não compreender os riscos", sentenciou o analista político Sergio Berensztein.

Macri quer, pelo menos, ser o primeiro presidente não-peronista a terminar o mandato, desde 1928. "Se ele não reagir, a este ritmo com os mercados como estão e com as incertezas tão altas, não sei se Macri vai conseguir esse objetivo. Esse objetivo corre risco se a turbulência continuar", alertou Berensztein.

As primárias argentinas de domingo funcionaram como um virtual primeiro turno, projetando o que deve acontecer no verdadeiro primeiro turno, em 27 de outubro. Num país onde um presidente se elege com 45%, o candidato de Cristina Kirchner, Aberto Fernández, obteve 47% dos votos, com uma inesperada diferença de 15 pontos sobre Macri.

Hecatombe financeira

Os mercados reagem a um futuro novo governo peronista, como o de Cristina Kirchner (2007-2015) que foi marcado, segundo eles, pelo protecionismo, pela intervenção do Estado na economia, pela perseguição a empresários e pela manipulação de dados econômicos.

Uma hecatombe financeira sacudiu o país. Em um único dia, as empresas argentinas perderam metade do seu valor em dólares, o peso argentino desabou 23% face ao dólar, a bolsa de Buenos Aires caiu 38%, a taxa de juros de referência subiu a 75% e a e risco-país chegou a um nível de moratória da dívida: 1.467 pontos-básicos, um aumento de 68%.

"Se for confirmado que o kirchnerismo ganhará as eleições, isso é uma mostra do que vai acontecer. É terrível o que pode acontecer", advertiu Macri, ao explicar a reação dos mercados. "O problema maior dos argentinos é que a alternativa kirchnerista ao governo não tem credibilidade no mundo", acusou o presidente

Macri negou que vá fazer mudanças no gabinete de ministros ("Não creio em mudanças simbólicas"), mas confirmou que estuda medidas econômicas para tentar resgatar parte do eleitorado perdido, especialmente o de classe média.

Fernández não revela programa econômico

Os mercados desconfiam do kirchnerismo e querem saber o que Alberto Fernández fará com a economia. Essa é a encruzilhada da oposição: anunciar antes das eleições o que pretende fazer e correr o risco da rejeição de eleitores e dos mercados. "O que eu posso fazer? Sou só um candidato. Minha caneta não assina decretos", esquivou-se Alberto Fernández. "Macri diz que eu sou a causa dos seus problemas, mas o único responsável pelo que acontece na Argentina chama-se Mauricio Macri", retrucou. Segundo analistas, Alberto Fernández não quer dividir o custo da crise política com reflexos na economia porque prefere o desgaste de Macri na reta final do seu mandato.

Uma mensagem de Whatsapp de autoria atribuída ao secretário de governo, Hernán Lombardi, e que circulou entre os ministros de Macri, sintetiza o contra-ataque do governo. "Vão tentar trocar a governabilidade por rendição", adverte, em referência a um suposto plano kirchnerista de desgastar o governo Macri.

"Temos de governar até o final. Apostar em ganhar e sair da ideia de um resultado irreversível. Vão tentar trocar a governabilidade por rendição. Nenhuma concessão a essa ideia. Termina em saída antecipada como aconteceu com Alfonsín e com De La Rúa. Querem nos ver sair (do governo) vomitando sangue para justificarem, nos próximos meses, a catástrofe que eles mesmos (Alberto Fernández e Cristina Kirchner) vão gerar. As pessoas não nos perdoarão se as deixarmos indefesas perante o poder populista", diz o texto convocando a reação do governo.

Tática peronista

A tática peronista já foi aplicada algumas vezes na História. Em 1989, Raúl Alfonsín, sem controle da economia, precisou entregar o cargo seis meses antes ao peronista Carlos Menem. Em 2001, Fernando De La Rúa, encurralado pelo colapso econômico argentino, precisou renunciar dois anos antes de terminar o mandato. As duas experiências reforçam a tese peronista de que somente eles podem governar a Argentina, algo que Macri tentar romper.

O governo decidiu comprar a briga. Avisou que não haverá rendição e que o resultado eleitoral só vai acontecer em 27 de outubro. "Isto não terminou. Foi só uma eleição primária. A eleição ainda não aconteceu", respondeu Macri.

Enquanto isso, a turbulência pode continuar, a economia ficar paralisada até uma definição política e a governabilidade fugir das mãos do presidente argentino.

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