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Américas

Derrota de Macri por ampla diferença coloca Argentina sob risco de turbulências financeiras

media O presidente argentino Mauricio Macri em Buenos Aires, nesse domingo 11 de agosto de 2019. REUTERS/Luisa González

A derrota por ampla margem do governo argentino nas eleições primárias desse domingo (11) torna a reeleição do presidente Mauricio Macri praticamente impossível. O resultado abre, a partir desta segunda-feira (12), um período de risco de turbulência financeira com possibilidade de corrida cambial.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Entre a continuidade de Macri e a volta de Cristina Kirchner, os argentinos optaram pelo chamado kirchnerismo numa eleição primária não-vinculante, mas que, na prática, funciona como um primeiro turno.

A contabilização de 97,61% dos votos das chamadas Primárias Abertas Simultâneas e Obrigatórias (PASO) revelou uma dura derrota para o presidente Macri na sua campanha pela reeleição em 27 de outubro. O candidato da ex-presidente Cristina Kirchner, Alberto Fernández obteve 47,66% dos votos enquanto Macri ficou com 32,08%.

A diferença de 15,58 pontos não era apontada por nenhuma sondagem eleitoral e triplicou a diferença de cinco pontos que o governo e os analistas indicavam como o limite que Macri poderia reverter até outubro.

"A diferença do resultado foi muito maior do que podíamos supor. Pelos números da economia, era mais provável que a oposição ganhasse, mas havia outros aspetos que beneficiavam o governo como transparência e combate à corrupção, mas isso não aconteceu", explica Mariel Fornoni, diretora da Management & Fit, empresa especializada em opinião pública.

Assim, a recessão combinada com alta inflação e o aumento do desemprego combinado com o da pobreza provocaram o chamado "voto castigo" que nenhuma pesquisa detectou com precisão e tiveram peso maior do que os 12 processos a que responde Cristina Kirchner, a maioria por corrupção.

Reação de Macri

Visivelmente abatido, Macri reconheceu o mau desempenho. "Hoje tivemos uma eleição ruim e isso nos obriga a redobrar os esforços para que em outubro possamos conseguir o apoio necessário para continuar", disse, sem entusiasmo.

"Dói-me na alma que haja tantos argentinos que acreditem que há uma alternativa de voltar ao passado", lamentou em relação à preferência pelo candidato peronista Alberto Fernández, escolhido por Cristina Kirchner, sendo ela a candidata a vice.

Para ser eleito presidente em primeira volta, bastam 45% dos votos ou acima de 40% com uma diferença superior a dez pontos sobre o segundo colocado. Alberto Fernández ganhou com as duas opções.

A contundente vitória terá posta a prova a partir de hoje pelos mercados que desconfiam do modelo kirchnerista que prega o protecionismo comercial e a intervenção do Estado na economia.

"Ninguém esperava por esses números. Todas as sondagens falharam. O que vai acontecer amanhã não se sabe. O mercado terá a sua posição. Da nossa parte, vamos cuidar de tudo o que estiver ao nosso alcance", garantiu o presidente Macri, desafiando Alberto Fernández a explicar aos mercados financeiros o que vai fazer com a economia.

"É preciso que aqueles que receberam esse respaldo (das urnas) expliquem uma alternativa de futuro para que as eleições de outubro aconteçam num clima positivo", indicou.

Incertezas

"Para o governo, acabou. É muito difícil imaginar que possa reverter este resultado até outubro. Macri não tem mais a opção de ser eleito, mas tem a opção de terminar bem o seu mandato com a economia em ordem ou numa situação de descalabro econômico. E a oposição peronista precisa de comportamentos responsáveis", considera o analista político Marcos Novarro.

"Aqueles que estão intranquilos que se tranquilizem porque nunca fomos loucos governando", disse Alberto Fernández em seu discurso de vitória como se já estivesse eleito.

No entanto, o candidato também repetiu uma das suas promessas de campanha de recortar a taxa de juros que se paga hoje aos bancos por títulos públicos argentinos e usar a diferença para dar medicamentos grátis a todos os aposentados.

"Vamos dar remédios para os nossos avós em vez de pagar juros aos bancos", afirmou.

"Na Argentina, os mercados são atores muito importantes porque podem contribuir para a estabilidade política ou para a turbulência. Abre-se agora uma zona de incerteza complicada. Essa é a preocupação com o dia seguinte", alerta o sociólogo e analista de opinião pública, Eduardo Fidanza.

"Esta segunda-feira será um dia muito complicado nos mercados. O grande risco é que haja uma forte corrida cambial durante este período eleitoral. O governo deve focar na estabilidade econômica e na governabilidade porque ainda falta muito até o final do mandato (10 de dezembro)", avaliou o analista político Sergio Berensztein.

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