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Américas

Conservador vence eleições na Guatemala e pode renegociar acordo sobre imigração com Trump

media Alejandro Giammattei discursa para seus partidários, em 11 de agosto de 2019. Johan ORDONEZ / AFP

O conservador Alejandro Giammattei venceu a eleição presidencial deste domingo (11) na Guatemala depois de uma campanha marcada por promessas de combater a pobreza e a violência, que contribuem com a imigração clandestina em direção aos Estados Unidos.

Durante a campanha, Giammattei e a ex-primeira dama Sandra Torres, a candidata social-democrata, evitaram falar de modo mais aprofundado sobre o acordo assinado em julho pelo governo com os Estados Unidos. O documento prevê que a Guatemala, país de passagem para migrantes que tinham o objetivo de pedir asilo nos EUA, receba os estrangeiros. Em entrevista à jornalista da RFI Lucile Gimberg, Kevin Partenay, cientista político e professor da universidade de Tours, no centro da França, disse que o novo chefe de Estado deverá renegociar o acordo.

“Os Estados Unidos exercem uma pressão colossal sobre os países da América Central, que são dependentes das trocas comerciais com os EUA”, disse. “O novo presidente já declarou que ele não é necessariamente contra esse acordo sobre a imigração, mas que é necessário renegociá-lo.” Segundo o cientista político francês, as negociações devem começar já no início do mandato de Giammalttei. “Este será sem dúvida um de seus principais desafios”, diz. Quase 1,5 milhão de guatemaltecos vivem nos Estados Unidos, mas apenas 300.000 e 400.000 com visto legal, de acordo com dados oficiais.

Violência e pobreza

O acordo gerou muitas críticas e processos. Embora os dois candidatos tenham citado planos para frear o êxodo aos Estados Unidos, as remessas dos migrantes representam um motor fundamental da economia guatemalteca e no ano passado alcançaram quase US$ 9,3 bilhões, valor próximo ao total das exportações.

A pobreza afeta 59% dos 17,7 milhões de guatemaltecos e a violência provoca 4.500 mortes por ano. Os dois temas são apontados como os principais fatores que motivam a migração. “Ele precisará de soluções para diminuir a violência e a pobreza, e uma das soluções é o desenvolvimento social e econômico”, analisa Partenay. “Suas negociações com os Estados Unidos, a luta contra a violência e o desenvolvimento econômico da nação são seus três principais desafios”, conclui.

O novo presidente defende a linha dura contra o crime e deseja reinstaurar a pena de morte. Em 2010, ele passou 10 meses na prisão, acusado de executar sete réus em um presídio em 2006, quando era diretor do sistema penitenciário, mas foi liberado. A Justiça não conseguiu provar sua participação no caso.

Para o cientista político francês, a defesa da pena de morte é apenas um elemento retórico. “É preciso aguardar e ver o que ele fará concretamente em termos de repressão e prevenção da violência. O restabelecimento da pena de morte não resolverá o problema da violência na Guatemala.”

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