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Primárias na Argentina viram pré-confronto entre Macri e Kirchner

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Primárias na Argentina viram pré-confronto entre Macri e Kirchner
 
Presidente argentino, Mauricio Macri, discursa nesta quinta-feira (8) em comício de encerramento da campanha para as primárias, que ocorrem no domingo (11) no país. REUTERS/Ignacio Izaguirre

Argentinos podem definir neste sábado (11) o caminho para a reeleição do presidente Mauricio Macri ou para a volta de Cristina Kirchner, numa votação na qual o Brasil tem grande interesse. Além de se pronunciar sobre o próximo presidente, o Congresso será parcialmente renovado e haverá eleições para governador em quatro províncias, inclusive na de Buenos Aires.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Se um estrangeiro chegar à Argentina por estas horas e tentar entender as eleições de domingo, encontrará uma votação sui generis que não define nada na teoria, mas muito na prática. Os argentinos vão às urnas para as chamadas Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (PASO), uma experiência inusual na qual se definem, em teoria, quais dos pré-candidatos seriam candidatos nas eleições de 27 de outubro.

Na prática, porém, como todos os candidatos já foram escolhidos anteriormente pelos partidos, os argentinos votarão naquele que querem que seja presidente, fazendo das PASO um verdadeiro primeiro turno - com um final totalmente aberto.

Maior incógnita dos últimos 36 anos

"São as eleições mais imprevisíveis desde 1983 [quando o país recuperou a democracia]. Nunca vi tanta incerteza entre nós que fazemos sondagens e entre os próprios políticos", conta à RFI o sociólogo e analista de opinião pública Eduardo Fidanza, diretor da Poliarquia, uma referência no país.

Essa imprevisibilidade surge de uma escassa diferença entre os dois principais candidatos numa eleição ultrapolarizada. Juntos, abrangem cerca de 80% das intenções de voto.

Uma média entre 12 sondagens aponta a uma diferença de apenas 2,75% a favor de Fernández, que ficaria com 39,48%, contra 36,73% para Macri.

De um lado, o presidente tenta a sua reeleição. Do outro, a ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015) almeja voltar ao poder, agora como vice-presidente, tendo ela mesma escolhido como seu candidato a presidente, Alberto Fernández. O esquema conduz Alberto Fernández ao governo e Cristina Kirchner ao poder real.

"Não existe antecedentes no mundo de uma liderança política, dona dos votos, que nomeie um representante para o seu lugar. Ou seja: a chefe ocupa o segundo lugar. É uma invenção argentina”, avalia Fidanza. “Acho muito difícil pensar que Cristina Kirchner, com a sua personalidade de líder política, resigne poder", complementa o analista da Poliarquia. "As pessoas mostram-se receosas com todas essas contradições. Há incerteza sobre como governariam. Isso aparece nos focus group que fazemos", constata.

Número mágico

O número mágico para o governo é uma diferença de até cinco pontos, abaixo da qual Macri poderia reverter o jogo até outubro; acima desse índice, ficaria difícil uma virada.

"É preciso prestar atenção se Alberto Fernández aproxima-se dos 45% dos votos. Nesse caso, o primeiro turno verdadeiro, em outubro, poderá funcionar como segundo turno e já eleger o presidente", explica à RFI o consultor Raul Aragón, um dos mais ouvidos pelo establishment. Na Argentina, bastam 45% para se eleger um presidente no primeiro turno.

Com uma escassa margem entre ambos, é alta a probabilidade de que os eleitores dos demais candidatos migrem o voto em busca do “menos pior” com chance de ganhar, acirrando ainda mais a polarização.

Guerra de medos

A principal estratégia usada de um e de outro lado é a chamada "guerra de medos". O governo pede que os argentinos não voltem a um passado de autoritarismo e de corrupção que significa Cristina Kirchner. "Esta eleição define se continuamos no caminho do futuro ou se voltamos ao passado. Não há futuro no passado", sentenciou Macri.

Já Alberto Fernández diz que não haverá futuro para o país com este presente de crise econômica e ajuste fiscal, que significaria a continuidade do governo Macri. "Devemos virar a página. Para nós, o futuro não é amanhã, mas hoje. É preciso começar a mudar hoje", pediu Fernández.

"Essa guerra do medo prega a catástrofe em caso de uma vitória do rival e considera a outra opção perigosa, acirrando a polarização", sublinha o analista Eduardo Fidanza.

Esse medo explica o apoio a Macri manifestado nesta semana pelo presidente "encarregado" da Venezuela, Juan Guaidó. Cada líder que visita a Argentina pede aos eleitores que não permitam que a Argentina “se torne uma Venezuela”. A lista inclui o brasileiro Jair Bolsonaro, o chileno Sebastián Piñera e o colombiano Iván Duque.

Crise econômica x corrupção

"Se fosse estritamente pela economia, Macri deveria perder. As pessoas lhe atribuem a culpa pela situação econômica, mas não abraçam outro candidato. É uma frustração que não tem uma alternativa nítida", observa Eduardo Fidanza.

Uma estratégia do governo tem sido valorizada pelos eleitores: a de mostrar avanços em obras de infraestrutura, no combate à corrupção, à insegurança e ao tráfico de drogas. "Há uma raiva muito grande de Cristina e do peronismo. Não há outra explicação para que Macri continue sendo competitivo. É preciso ser franco", admitiu esta semana Alberto Fernández.

Do outro lado, Cristina Kirchner responde a 12 processos, a maioria por corrupção, e tem sete pedidos de prisão preventiva que não são executados apenas pela imunidade do atual cargo de senadora.

"Há dois componentes no voto em Cristina. A maior parte é por gratidão, dquele segmento que melhorou de vida durante o kirchnerismo e que piorou muito com Macri. Em menor medida, há um voto carisma, de pessoas que gostam da líder. Essa é uma adesão emocional que não se importa com processos por corrupção", interpreta Raúl Aragón.

Trump, Bolsonaro e Macri

No duelo de modelos antagônicos de país, Mauricio Macri representa a economia aberta, o livre comércio e uma série de reformas estruturais pela frente - uma agenda bem brasileira. Já o modelo do chamado kirchnerismo representa uma economia protecionista, de forte intervenção do Estado.

Portanto, para o Brasil de Bolsonaro, é fundamental a eleição de Macri. Da eleição de Macri, depende também a estratégia do Brasil para a abertura comercial, para consolidar o acordo entre a União Europeia e o Mercosul, e para já começar a negociar um acordo entre os Estados Unidos e o bloco sul-americano.

Nesse sentido, da eleição de Macri, depende ainda toda a estratégia de Donald Trump para a América do Sul na sua guerra comercial contra China. “Trump tem de sustentar a região a partir dos dois grandes jogadores da América do Sul, Brasil e Argentina. Uma vitória do kirchnerismo na Argentina seria um recuo importante para a política de Trump de conservar a região como um mercado para os produtos norte-americanos", observa Raúl Aragón.

 


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