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Américas

Congressistas negros boicotam evento com presença de Trump

media Funcionários do museu observam o presidente dos EUA, Donald Trump em a visita ao Jamestown Settlement Museum em Williamsburg, Virgínia, EUA, em 30 de julho de 2019. REUTERS/Carlos Barria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visitou, nesta terça-feira (30), o local do primeiro assentamento permanente de ingleses no país para comemorar os 400 anos de democracia representativa, mas os representantes (deputados) estaduais negros boicotaram o evento por considerá-lo um ato de racismo aberto do republicano.

Trump se encontra no olho do furacão por suas declarações consideradas insultantes e racistas em relação aos cidadãos afro-americanos e a minorias étnicas. Na cerimônia realizada em Jamestown, na Virgínia, ele não parecia, porém, ter pressa para acalmar os ânimos.

"Sou a pessoa menos racista do mundo", disse Trump à imprensa ao deixar a Casa Branca, devolvendo a acusação para um de seus principais acusadores, o proeminente ativista pelos direitos civis Al Sharpton.

Nas últimas duas semanas, o presidente investiu contra quatro congressistas democratas representantes de minorias, contra um respeitado legislador democrata negro de Baltimore e contra Sharpton. Foi acusado de aprofundar, deliberadamente, as divisões raciais para atender à sua base de eleitores brancos da classe trabalhadora de olho na reeleição de 2020.

O discurso desta terça busca celebrar a criação, em 1619, da primeira assembleia legislativa em Jamestown. Foi instalada para governar a incipiente colônia inglesa, precursora da democracia americana.

A cerimônia foi ofuscada pelo ambiente político tenso por conta dos recentes ataques de Trump.

Jamestown não foi apenas o lar de alguns dos primeiros colonos europeus nos Estados Unidos, mas também dos primeiros escravos africanos. Isso transformou o lugar em um símbolo da história americana como um refúgio para os imigrantes, mas também como, até 1865, um lugar de escravidão em massa.

Os congressistas afro-americanos da Virgínia disseram que boicotariam a celebração, porque foi "manchada" por Trump.

“Emblema do ódio”

"É impossível ignorar o emblema do ódio e o desdém que o presidente representa", disseram os legisladores em um comunicado, acusando Trump de usar uma "retórica racista e xenófoba".

Nesta terça, Trump negou que a polêmica racial, a qual rompe todas as normas da política tradicional de Washington, tenha prejudicado sua imagem.

"Os afro-americanos estão ligando para a Casa Branca. Nunca se sentiram tão felizes com o que nosso presidente fez", afirmou, falando de si mesmo. A informação, no entanto, não foi confirmada.

Pesquisas de opinião recentes mostram, contudo, que o apoio de Trump entre os eleitores negros em todo país é particularmente baixo.

Além dos ataques aos congressistas, Trump se mostrou especialmente duro contra Baltimore, uma cidade portuária situada perto de Washington. Com população de maioria negra, a localidade é há muitos anos dominada pelos democratas.

(Com informações da AFP)

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