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Américas

Sob promessas de combate à corrupção, Guatemala vai às urnas eleger novo presidente

media Eleitores fazem fila para votar na Cidade da Guatemala neste domingo (16). REUTERS/Saul Martinez

Mais de oito milhões de guatemaltecos estão convocados para votar neste domingo (16) em eleições gerais, com a esperança de se livrarem das duras condições de vida no país, que incentivam a migração em massa para os Estados Unidos. Além do presidente, também serão eleitos parlamentares e prefeitos.

O combate contra a corrupção, a pobreza e a criminalidade dominam as promessas dos 19 candidatos a suceder o presidente Jimmy Morales. O ex-humorista de TV venceu as eleições em 2015, após a renúncia do ex-presidente Otto Pérez, acusado de corrupção e em meio a protestos maciços. Morales conclui seu mandato de quatro anos com baixa popularidade e, tal qual seu antecedente, sob suspeitas de corrupção.

Nenhum dos candidatos aparece nas pesquisas de intenção de voto com chances de vencer no primeiro turno. A favorita é a social-democrata Sandra Torres, ex-mulher do ex-presidente Álvaro Colom (2008-2012), de quem se divorciou em 2011. Logo depois chega o conservador Alejandro Giammattei, que se candidata pela quarta vez, embora algumas projeções situem Roberto Arzú, filho do falecido ex-presidente Álvaro Arzú (1996-2000), em segundo lugar.

A campanha eleitoral também foi marcada pela exclusão da ex-procuradora-geral Thelma Aldana, defensora do combate à corrupção, que foi marginalizada do processo de decisões judiciais devido a denúncias de irregularidades quando chefiava o Ministério Público (2014-2018). Além disso, a Justiça deixou de fora da disputa Zury Ríos, filha do falecido ex-ditador Efraín Ríos Montt, já que a lei impede a candidatura de familiares diretos de pessoas que tenham participado de golpes de Estado.

Esperança de mudanças

Em 2015, os guatemaltecos viveram a esperança de começar a combater a corrupção, após a detenção do presidente Otto Pérez e a atuação da Comissão Internacional Contra a Impunidade na Guatemala (Cicig), uma entidade subordinada à ONU, em funcionamento desde 2007. As expectativas minguaram já que Morales decidiu encerrar as atividades da Cicig, depois das suspeitas de financiamento ilegal de sua campanha.

Outro grande problema do país é a pobreza extrema que castiga boa parte da população. Estima-se que 59% dos 17,7 milhões de guatemaltecos vivam em precárias condições econômicas. Por isso, uma grande quantidade de pessoas deixam a Guatemala: milhares se aventuram em cruzar o México para chegar aos Estados Unidos.

Cerca de 1,5 milhão de guatemaltecos vivem atualmente nos Estados Unidos, entre os quais apenas apenas cerca de 400 mil teriam residência legal. Segundo fontes migratórias do país, 94.482 pessoas foram deportadas pelo México e pelos Estados Unidos em 2018, a maioria originárias de povoados indígenas no empobrecido oeste do país.

O Triângulo Norte da América Central - formado por El Salvador, Guatemala e Honduras - é a região sem conflito armado mais violenta do mundo, segundo a ONU, e é a origem de grandes caravanas migratórias em direção dos Estados Unidos.

(Com informações da AFP)

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