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Américas

Mais de 100 prisioneiros políticos são libertados na Nicarágua

media O militante Hanssel Vasquez (à esquerda), um dos 50 opositores libertados na segunda-feira (10) posa para uma foto com a mãe e a irmã, em Manágua. Maynor Valenzuela / AFP

Os principais líderes dos protestos contra o governo de Daniel Ortega foram libertados nesta terça-feira (11), em virtude da Lei de Anistia aprovada no último fim de semana. Os oponentes fazem parte de um grupo de centenas de pessoas detidas desde o ano passado por participarem de manifestações antigoverno.

Vídeos postados nas redes sociais mostravam os opositores libertados gritando "Nicarágua" e "justiça", agitando a bandeira do país. Eles deixaram a prisão em um ônibus da Cruz Vermelha Internacional e se reuniram com familiares.

O economista membro da oposição Juan Sebastián Chamorro informou que, no total, 56 presos foram libertados nesta terça-feira. Outros 50 já haviam deixado a prisão na segunda-feira (10).

"Vamos continuar nosso trabalho", declarou Lucia Piñeda, diretora do canal “100% Noticias”, que estava presa desde dezembro de 2018. Entre os opositores libertados, estão os líderes Medardo Mairena et Pedro Mena, a comerciante Irlanda Jerez, além dos estudantes Amaya Copens, Edwin Carcache e Byron Estrada e o jornalista Miguel Mora.

Controversa lei de anistia

A libertação ocorre depois que o Parlamento, de maioria pró-governo, aprovou no sábado (8) uma controversa Lei de Anistia que concede perdão "a todas as pessoas que participaram nos eventos que ocorreram em todo o território nacional a partir de abril de 2018 até o presente".

O governo informou que "em cumprimento ao estabelecido na Lei de Anistia aprovada pela Assembleia Nacional (...) foram libertadas pessoas condenadas por crimes contra a segurança comum e contra a tranquilidade pública, e continua-se preparando a libertação de outros presos por esses delitos".

Organismos de direitos humanos e familiares das vítimas protestam contra a nova lei porque impede o julgamento dos responsáveis pela morte ou repressão de seus parentes.

A opositora Aliança Cívica pela Justiça e Democracia (ACJD), interlocutora do governo num diálogo, foi contrária à anistia promovida pelo governo porque alega que "é uma lei de impunidade que pretende proteger os crimes cometidos através de suas instituições, estruturas partidárias e paramilitares".

Liliam Ruiz, dirigente do Comitê de Familiares de Presos Políticos, manifestou sua oposição à medida porque "isso significa perdão, e o governo não tem porque perdoá-los, porque eles não cometeram nenhum crime".

Mas, para o governo, a lei é um "ato heroico" e de reconciliação, baseado em sentimentos justos de "indignação, ira e dor profunda". "Proclamamos e juramos" que a anistia não deve ser entendida "como apagar e virar a página", advertiu o Executivo em um comunicado.

Mais de 300 mortos

Os opositores libertados nesta semana estavam presos por participarem dos protestos que começaram em 18 de abril de 2018 contra Ortega, cuja repressão deixou ao menos 325 mortos, centenas de presos e 62.500 exilados, segundo organismos humanitários.

Em 27 de fevereiro, o governo começou a aplicar prisão domiciliar a detidos após os protestos, uma medida que penalizou 386 pessoas. No total, 133 pessoas continuam presas devido às manifestações.

(Com informações da AFP)

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