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Américas

Tráfico de pessoas é beneficiado com acordo migratório entre EUA e México

media Migrantes caminham depois de atravessar o rio Bravo na fronteira entre Ciudad Juarez, no México, e El Paso, no Texas, EUA, visto de Ciudad Juarez, México, 9 de maio de 2019. REUTERS/Jose Luis Gonzalez

O acordo migratório entre o governo mexicano e os Estados Unidos, o qual evitou a imposição de tarifas progressivas às exportações mexicanas, tem um beneficiado: os traficantes de pessoas na fronteira sul do México.

O pacto firmado na noite de sexta-feira implica que o México mobilizará efetivos militares da recém-criada Guarda Nacional para a fronteira com a Guatemala, além de desmantelar grupos de tráfico de pessoas.

Especialistas preveem, porém, que a presença da Guarda Nacional pode aumentar a pressão na fronteira sul, fortalecendo o negócio desses traficantes.

"Haverá mais mecanismos de controle. Haverá mais rigidez na passagem. E isso vai provocar o aumento do custo do translado. Isso fortalece o negócio do crime organizado que trafica pessoas", disse Javier Urbano, pesquisador em Assuntos Internacionais da Universidade Ibero-Americana.

"Quanto maior a dificuldade, maior o custo e maior a demanda do tráfico de pessoas", acrescentou o especialista.

Acordo, sob pressão de Trump

As autoridades mexicanas chegaram a um acordo diante da ameaça dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 5% sobre todas as exportações do México a partir desta segunda-feira (10).

"Não vejo nenhum acordo. O que eu vejo é o pagamento de uma extorsão. Não tem tarifas, e o México aceita uma série de coisas que têm muitas complicações para o país", criticou a especialista em migração Leticia Calderón, do Instituto Mora, um centro de pesquisa situado na Cidade do México.

Ativistas e políticos mexicanos da oposição disseram ainda que o acordo implica a militarização da fronteira sul. Apesar do envio da Guarda Nacional para a fronteira sul, a pressão das autoridades mexicanas sobre os migrantes não é nova.

Há meses, observam-se contínuas operações e detenções no sul do México. As medidas contradizem o discurso de portas abertas à migração adotado pelo presidente Andrés Manuel López Obrador desde que assumiu o cargo, em dezembro passado.

Dependência "patológica"

Para o especialista Javier Urbano, as detenções de migrantes e o acordo fechado na sexta-feira mostram a sintonia entre a política migratória dos Estados Unidos e a do México. "Temos uma dependência quase patológica da economia dos Estados Unidos e vivemos em sincronia com a agenda de segurança desse país", comentou.

Apesar das medidas de pressão de ambos os governos, o ativista Luis Villagrán é categórico: "A migração não vai parar".

As detenções de estrangeiros em território mexicano passaram de 8.248 pessoas, em janeiro deste ano, para 23.679, em maio passado. A grande maioria é formada por cidadãos centro-americanos, apontam números recentes divulgados pelo governo mexicano. As deportações também mostram uma espiral ascendente. Passaram de 5.884, em janeiro passado, para 16.507, em maio.

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