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Insegurança, penúria, inflação galopante: brasileira relata o cotidiano em um bairro popular de Caracas

Insegurança, penúria, inflação galopante: brasileira relata o cotidiano em um bairro popular de Caracas
 
A manauense Mafiza Dantas com sua filha, Alesandra. E. Jorge

A manauara Mafiza Dantas chegou na Venezuela em 1982, quando o país era “maravilhoso”. Ela veio trazida pelo pai, também brasileiro, que já morava em Caracas. Durante a adaptação à nova cultura, ela conheceu o marido, um português originário da Ilha da Madeira. Os três filhos do casal cresceram quando a economia ainda era forte e a situação política mais estável que a de agora. Mas o cenário mudou.

“Até pouco tempo atrás, aqui tinha de tudo. Até que começou a crise”, relembra, referindo-se ao turbulento período iniciado em 2014 e que, desde então, só aprofundou as dificuldades econômicas, políticas e sociais por que passa a Venezuela.

 Em janeiro deste ano, no dia em que o opositor Juan Guaidó se autoproclamou presidente interino, o açougue do marido de Mafiza foi invadido. Ele já havia vivido situação parecida em fevereiro de 1989, durante o levante popular conhecido como Caracaço. “No dia 23, saquearam o comércio dele. Quebraram tudo”, conta ela.   

Dolarização dificulta recuperação

Para restaurar o açougue, localizado em um bairro popular da capital venezuelana, o marido faz manobras no orçamento. Desde o plano de reajuste econômico, aplicado pelo governo do presidente Nicolás Maduro em agosto passado, a moeda venezuelana perdeu ainda mais valor, o que deu início a uma aceleração da dolarização da economia local. A situação vem retardando a recuperação do estabelecimento, de onde a família tira grande parte do sustento.

“É tudo em dólar, até para colocar os vidros novos. Levaram serra, moenda... Levaram muitas coisas”, lamenta.

Comparando a Venezuela de 1982 com a atual, tudo é diferente: da oferta de alimentos e produtos à insegurança nas ruas, passando pelos recentes apagões. No entanto, a família não tem planos de deixar o país.

“Para sair daqui, comprar casa e abrir um negócio, tem que ter muito dinheiro. E o dinheiro venezuelano (o bolívar) não tem mais valor”, indica a brasileira.

Falta de gasolina – apesar de ser um dos líderes do petróleo mundial

Mafiza conta que, em 2018, ao voltar de carro de Manaus a Caracas, quase ficaram no meio da estrada. “Nós pensamos que encontraríamos um posto de gasolina no caminho, mas não havia. A gente encontrava pessoas vendendo gasolina em garrafas de todos os tamanhos. A gente comprava e colocava”, relata.

A situação é quase irônica para um país que é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, sócio da Organização de Países Produtores de Petróleo (OPEP). Mas, nos últimos dias, um problema já conhecido pelos que moram ou transitam pelo interior venezuelano chegou à capital Caracas: a falta de gasolina.

Das cinco principais refinarias do país, apenas uma funciona, e de forma precária. A Refinaria de Amuay (localizada no noroeste venezuelano) trabalha com apenas 10% de sua capacidade. A Venezuela, que já chegou a produzir quase um milhão de barris de gasolina por dia, agora produz cerca de cem mil. Uma garrafinha de água é infinitamente mais cara que encher um tanque de combustível.  

Aperto ainda maior aconteceu em 2016, quando a caçula Alesandra precisou de tratamento contra um linfoma. Os remédios começavam a faltar e o tratamento era caríssimo.

Mafiza e a família buscaram alternativas até mesmo no exterior, sobretudo no Brasil. A dona de casa chegou a ir a Manaus tentar conseguir os medicamentos. Mas Alesandra teve sorte e conseguiu fazer os procedimentos médicos em Caracas.

Alesandra solicitou recentemente nacionalidade portuguesa. Caso já a tivesse, na época do tratamento, teria recebido os benefícios médicos facilitados pelo governo de Portugal aos lusitanos que moram na Venezuela.

"Brasil deveria ajudar os brasileiros"

Embora o Brasil tenha incentivado a entrada da ajuda humanitária na Venezuela, até o momento Brasília não concede apoio médico aos brasileiros que residem no país. “Eu acho que o Brasil deveria ajudar mais os brasileiros que estão aqui. Há uma crise humanitária, faltam medicamentos. Se o Brasil reconhece que aqui há uma crise humanitária, deveria dar ajuda os brasileiros.”     

Em fevereiro, a fronteira entre Brasil e Venezuela foi palco de confrontos quando a oposição tentou entrar com o carregamento da ajuda humanitária. Semanas depois, o carregamento contendo alimentos, remédios e material médico entrou no país graças à Cruz Vermelha Internacional.

Os venezuelanos que buscam melhores condições de vida no território brasileiro, sobretudo no estado de Roraima, recebem apoio do governo do Brasil. No plano político interno, embora integrantes do governo e da oposição recentemente tenham participado de negociações na Noruega, o panorama da Venezuela ainda é incerto.


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