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Américas

“Sou antissionista, não antissemita”, diz cartunista português após polêmica charge de Trump

media Charge do cartunista português António. DR

Uma charge do premiado cartunista português António, publicada pela edição internacional do jornal The New York Times, no último dia 25 de abril, provocou polêmica internacional. Na imagem, um Donald Trump cego, de óculos escuros e quipá na cabeça é guiado por um cachorro com a cara do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, de coleira com a estrela de Davi.

A repercussão tomou proporções inéditas, com críticas de antissemitismo vindas de todos os cantos, a começar pelas redes sociais. O jornal se desdobrou em desculpas públicas: “A imagem é ofensiva e foi um erro de julgamento publicá-la”.

A imprensa internacional – como The Jerusalem Post, The Times of Israel, CNN, Fox News e muitas outras – repercutiram o caso. Teve até protesto na frente da sede do jornal, em Manhattan.

A charge foi retirada do site do New York Times e o jornal anunciou medida disciplinar contra o editor responsável pela publicação da imagem, além de anunciar que os funcionários terão informações atualizadas sobre antissemitismo.

Trump acusa jornal por "fake news"

O próprio presidente Trump reclamou que ainda estava esperando desculpas do jornal por “notícias falsas e corruptas”. O vice-presidente Mike Pence tuitou: “Estamos do lado de Israel e condenamos o antissemitismo em TODAS as suas formas”.

Em Portugal, a charge, publicada alguns dias antes pelo jornal semanal Expresso, não rendeu polêmica. “Nem no dia 19, nem no dia 20, 21, nada”, declarou o cartunista à RFI Brasil. Ele diz que a surpresa com a repercussão foi “total”, resultado do “aproveitamento e oportunismo pelos Trump – pai e filho”.

O cartunista português António. DR

António Moreira Antunes, 66 anos, mais conhecido apenas por “António”, vê como “um mau presságio” o cerco que se fez em torno de um jornal de referência como o New York Times.

Ele explica que o desenho “não é antissemita, mas antissionista”. António reclama que há pessoas interessadas em manter a confusão. “Não são sinônimos”, insiste. “Há quem só quer o que lhes interessa”.

Papa de preservativo

As polêmicas não são estranhas a António. Em 1992, reagindo às declarações do então papa João Paulo II ao uso de preservativos, o desenhista fez uma imagem do pontífice com uma camisinha pendurada no nariz, gerando uma grande onda de críticas do clero em Portugal.

“É preciso explicar que se trata de um país vindo de uma ditadura muito ligada à Igreja Católica, muito conservadora, em que o papa já vivia no céu, mesmo estando na Terra. Ao fazer declarações fora do âmbito do culto, eu, como cidadão do mundo, tenho o direito, ou melhor, o dever, de criticá-lo. E foi isso que fiz”.

António lembra que as críticas em ambos os casos – do papa e de Trump – não foram imediatas. “Ou seja, a indignação é fabricada, é um ato político fabricado”.

“Eu não busco as polêmicas, elas acontecem porque digo coisas”, afirma. “O cartunista é um cronista de seu tempo, com seu estilo e seu ideário – ele é um jornalista. A linguagem é que é diferente. Mas ambos refletem, criticam o mundo exterior. ”

Pressão dos lobbies

“Há muitos lobbies de pressão nos EUA, como se viu agora. E jornais importantes, como o New York Times, a recuar, a pedir desculpas. É um espetáculo triste”.

Em declaração publicada pelo Expresso no dia 29/04, António explicou sobre a tão criticada charge:

"A leitura que fiz é a de que a política de Benjamin Netanyahu, quer pela aproximação de eleições, quer por estar protegido por Donald Trump, que mudou a embaixada para Jerusalém reconhecendo a cidade como capital, e que permitiu primeiro a anexação dos Montes Golã e depois da Cisjordânia e mais anexações na Faixa de Gaza, o que significa um enterro do Acordo de Oslo, representa um aumento da violência verbal, física e política. É uma política cega que ignora os interesses dos palestinianos. E Donald Trump é um cego que vai atrás. A estrela de David [símbolo judaico] é um auxiliar de identificação de uma figura [Netanyahu] que não é muito conhecida em Portugal".

"Bolsonaro, irmão brasileiro de Trump"

Jair Bolsonaro não foi poupado do olhar crítico de António. “É o irmão brasileiro do Trump”, diz. Eleito, o novo presidente foi desenhado como um índio, só que na cabeça, ao invés de penas, o cartunista colocou canos de espingarda. A imagem custou a António muitas críticas, inclusive de pessoas que ele acreditava ter um outro espírito crítico. “Teve o caso de um brasileiro de prestígio, por quem eu tinha admiração e estima. A admiração continua, mas a estima, já não tenho mais”, conta, sem revelar o nome do desafeto.

Charge do cartunista português António. António

 

 

 

 

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