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Américas

Disputa pelo Ártico esquenta a rivalidade entre EUA, China e Rússia

media Mike Pompeo no primeiro dia do Conselho do Ártico,na cidade finlandesa de Rovaniemi Mandel Ngan/Pool via REUTERS

O secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, anunciou que seu país tem novas ambições no Ártico. O representante de Washington alega estar respondendo à "atitude agressiva" da China e da Rússia, que tentam se impor na região rica em recursos naturais e oportunidades econômicas.

As declarações de Pompeo foram feitas pouco antes do início do Conselho do Ártico, um fórum intergovernamental que trata de questões comuns para os governos dos países árticos e os representantes de povos indígenas da região. O encontro começa nessa segunda-feira na cidade finlandesa de Rovaniemi e reúne os oito estados-membros (Canadá, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega, Rússia, Suécia e Estados Unidos).

“A região se tornou um espaço de poder e competição global”, disse chefe de diplomacia norte-americana, antes de acrescentar: “Só porque o Ártico é um lugar selvagem não significa que deve se tornar um lugar sem lei ".

A alfinetada de Washington visa principalmente a China, que tem apenas o status de observadora do Conselho, mas se apresenta com um país “quase ártico”. O Pentágono teme que Pequim busque estabelecer uma presença permanente na região polar, o que incluiria o destacamento de submarinos que atuariam como elementos de dissuasão nuclear. “Será que nós queremos que o oceano Ártico se transforme em um novo mar da China meridional, repleto de ações de militarização e reivindicações territoriais rivais? ”, questionou o chanceler.

"Há apenas 'Estados do Ártico ' e 'Estados não Árticos'. Não existe uma terceira categoria e garantir o contrário não dá à China o direito a nada", martelou Pompeo, alertando que as atividades chinesas na região devem ser monitoradas de perto.

Possibilidade de navegação

Em razão da diminuição da calota polar, essa área do planeta está cada vez mais navegável. De olho nesse contexto, as autoridades chinesas veem na região uma opção para os trajetos entre os oceanos Pacífico e Atlântico, passando pelo norte da Rússia, e que seriam muito mais curtos. O projeto entraria no âmbito das “Novas rotas da seda”, o vasto programa de investimento lançado pela China.

Pompeo também atacou Moscou por ação na região. “A Rússia já deixou suas pegadas de botas na neve”, disse o representante de Washington em referência ao reforço da presença militar russa na região. O Kremlin reabriu na zona várias bases, que estavam fechadas desde a queda da União Soviética.

Para conter os dois rivais, Washington pretende “lançar manobras militares, reforçar sua presença, reconstruir sua frota de navios quebra-gelo e aumentar o orçamento de sua guarda-costeira na região”, explicou Pompeo. Especula-se que o governo norte-americano também esteja cogitando intensificar sua presença diplomática na zona, com uma representação no território autônomo dinamarquês da Groelândia, onde os Estados Unidos fecharam seu consulado em 1953.

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