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Contrária a vacinas, comunidade judaica é foco de surto de sarampo em Nova York

Contrária a vacinas, comunidade judaica é foco de surto de sarampo em Nova York O prefeito de Nova Iorque, Bill de Blasio, declara obrigatória a vacina de sarampo em vários bairros da cidade para tentar controlar a proliferação da doença. REUTERS/Shannon Stapleton

Para controlar a doença que se espalha em vários bairros judaicos ultraortodoxos do Brooklyn, a prefeitura de Nova York ameaça fechar escolas e aplicar multas de até US$ 1 mil.

Natasha Madov, correspondente da RFI em Nova York

O prefeito de Nova York Bill de Blasio declarou estado de emergência de saúde pública em alguns bairros do distrito do Brooklyn por causa de um surto de sarampo que atingiu, até agora, 285 pessoas, especialmente nas comunidades judaicas ortodoxas do Brooklyn. As autoridades sanitárias não estão conseguindo controlar o avanço da doença.

Na semana passada, Nova York respondia por dois terços de todos os casos de sarampo registrados nos Estados Unidos, no maior entre os surtos que vêm surgindo em todo o país. Desde janeiro, a prefeitura pede para a população de quatro zonas dos bairros de Williamsburg e Borough Park, no Brooklyn, se vacinar, mas o surto continuou a aumentar.

Quem ainda não for vacinado e se recusar a fazê-lo ou a dar a vacina aos seus filhos pode receber uma multa de até US$ 1 mil. Além disso, escolas e creches que permitam a presença de alunos não vacinados também podem ser fechadas.

Origem do surto

Os bairros de Williamsburg e Borough Park têm uma comunidade grande de judeus ultraortodoxos e há um surto ativo de sarampo em Israel, frequentado por muitos deles. Segundo as autoridades, o paciente que causou o surto no Brooklyn foi uma criança não vacinada que visitou Israel, voltou doente e contaminou outras pessoas.

A religião judaica não condena as vacinas, mas grupos dentro da comunidade ultraortodoxa acham que as imunizações são perigosas. Médicos dizem que já viram panfletos anônimos condenando vacinas circulando pelos bairros atingidos pelo surto.

Embora a lei de Nova York obrigue todos os alunos, do pré-primário à universidade, a ter a vacinação em dia, os pais podem alegar objeções religiosas à regra. Escolas religiosas como as das comunidades judaicas ortodoxas, as chamadas yeshivás, são bastante flexíveis com a vacinação de seus alunos. Segundo registros municipais, as yeshivás do Brooklyn têm cerca de 1,2 mil alunos não vacinados.
Essa concentração de adultos e crianças não imunizadas e expostas a um vírus tão contagioso quanto o sarampo é a receita perfeita para um surto. Por mais que a prefeitura de Nova York faça campanhas repetidas de informação e ameace fechar as yeshivás que permitirem alunos não vacinados, os esforços ainda não tiveram o efeito esperado.

Precedentes legais

Neste contexto, o estado de emergência representa uma iniciativa juridicamente frágil, mas se mantém porque Bill de Blasio teve o cuidado de delimitar as áreas do Brooklyn atingidas e adotar o prazo de até 17 de abril para a medida. A lei americana tende mais a punir quem se recusa a se vacinar ou a vacinar seus filhos do que obrigar as pessoas a se imunizarem. Em 1905, a Suprema Corte ficou do lado do estado de Massachusetts, obrigando quem se recusasse a tomar vacinar contra varíola a pagar uma multa.

Também existe a preocupação que o surto, tão concentrado em um grupo específico da comunidade judaica, traga uma onda de antissemitismo.

Por outro lado, mesmo os ultraortodoxos que concordam com a vacinação e entendem o risco do surto de sarampo não estão felizes com a intrusão do Estado em suas comunidades. Mas as autoridades não veem alternativa, já que, na semana que vem, começa a Páscoa judaica, um feriado em que muitas famílias não só comemoram juntas, como viajam para fora da cidade, o que pode fazer o vírus se espalhar ainda mais.
 


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