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Visto, acordos econômicos e transferência tecnológica estão na agenda de Bolsonaro nos EUA

Visto, acordos econômicos e transferência tecnológica estão na agenda de Bolsonaro nos EUA
 
A manifestação foi organizado pela "DC United Against Hate" (Distrito de Columbia unido contra o ódio), uma coalizão de organizações socialistas, ativistas antifascistas e progressistas. REUTERS/Lisandra Paraguassu

Recebido com um forte esquema de segurança, o presidente do Brasil Jair Bolsonaro chegou neste domingo (17) a Washington, nos Estados Unidos, para uma viagem de negócios de três dias. Manifestantes protestaram contra o chefe de Estado brasileiro nas imediações da Casa Branca, mas ele também recebeu o apoio de eleitores.

Núria Saldanha, de Washington, especial para a RFI

Na programação, estão reuniões com conservadores americanos, líderes religiosos, empresários e um encontro com o presidente Donald Trump.

Jair Bolsonaro chegou às 15h40 pelo horário local à base militar de Andrews, localizada em Prince George's, no estado de Maryland, há 30 minutos da capital Washington. Ele veio acompanhado por assessores e ministros. Eles partiram em comboio escoltado pelo serviço secreto americano até a Blair House, uma residência para convidados do presidente dos Estados Unidos que fica em frente a Casa Branca.

A casa recebe presidentes, primeiros-ministros e monarcas em viagens oficiais a Washington desde 1942 e foi nela que se hospedaram os três antecessores de Bolsonaro quando estiveram por aqui: Fernando Henrique Cardoso, Lula e Dilma Roussef. As imediações da Casa Branca - que costumam ficar abertas ao público - foram fechadas e um forte esquema de segurança está em ação para proteger Bolsonaro.

Há uma preocupação natural das autoridades americanas quando outros chefes de Estado estão no país, mas o presidente brasileiro ganhou uma atenção ainda mais especial porque foi vítima de um atentado. Levou uma facada no abdômen enquanto estava em campanha para as eleições presidenciais.

O primeiro compromisso do programa oficial da viagem foi um jantar na embaixada brasileira com pensadores, financistas e jornalistas americanos alinhados com o pensamento conservador. Entre os convidados estavam o escritor Olavo de Carvalho, considerado um "guru" pela família Bolsonaro, o ex-estrategista da Casa Branca Steve Bannon, que defende o populismo de extrema direita, além da colunista do Wall Street Journal Mary Anastasia O’Grady, uma das poucas vozes internacionais a saudar a vitória de Bolsonaro nas eleições.

O jantar foi fechado à imprensa, mas segundo porta-voz da presidência, general Otávio Rêgo Barros, Bolsonaro fez um discurso para apresentar ideias de "fortalecer o comércio, reconhecendo que os Estados Unidos são o segundo mercado para os produtos brasileiros, que a diplomacia de fortalecer a democracia neste lado do Ocidente é importante e que aspectos relativos ao antigo comunismo não podem mais imperar".

Manifestações

Um pouco antes da chegada do presidente, 60 manifestantes protestavam contra a visita de Bolsonaro nas imediações da Casa Branca. A manifestação foi organizada pela "DC United Against Hate" (Distrito de Columbia unido contra o ódio), uma coalizão de organizações socialistas, ativistas antifascistas e progressistas.

Alguns apoiadores que moram nos Estados Unidos fizeram plantão em frente a Blair House para acompanhar a movimentação de Bolsonaro. Entre eles estava vendedor de carros Daniel Oliveira, de 54 anos, que conseguiu trocar uma palavra com o presidente. Assim que Bolsonaro saiu da casa, Oliveira gritou "Bolsonaro, we love you... Não deixe a corrupção te pegar, você não precisa”.

O presidente respondeu com um sorriso e agradeceu a manifestação. Oliveira mora nos Estados Unidos há quase três décadas e levou a família para ver o presidente, ele me contou que não tem partido e que não pode votar nas últimas eleições porque não transferiu o domícilio eleitoral, mas a esposa dele, Kelly Oliveira, votou em Bolsonaro.

Entrada na OCDE não deve ocorrer

Uma das principais esperanças do governo Bolsonaro para esta viagem era que os Estados Unidos endossassem a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o grupo dos países ricos, mas esse é um tema difícil de ser aprovado pelas autoridades americanas. Integrantes do governo brasileiro apostam em um pedido presencial de Bolsonaro para Trump.

Com perfil intempestivo, o presidente americano é conhecido por tomar decisões inusitadas. Por outro lado, há grandes chances de o Brasil sair daqui com o título de aliado dos Estados Unidos "extra-OTAN", que concede benefícios como o acesso a tecnologia militar a aliados importantes que não fazem parte da Organização do Atlântico Norte.

Transferência tecnológica

Um acordo que já foi acertado previamente e anunciado por Bolsonaro esta semana diz respeito ao Centro de Lançamento Alcântara no Maranhão. As duas nações devem assinar um compromisso de transferência tecnológica. O Brasil deve abrir a base de Alcântara para uso comercial e os Estados Unidos vão poder alugar o local para lançar foguetes com satélites, por exemplo.

A base brasileira é muito cobiçada pela localização próxima à linha do Equador, que diminui a distância para os lançamentos e, consequentemente, os gastos com combustíveis. Durante sua visita, Bolsonaro deve anunciar ainda o fim do visto para turistas americanos entrarem no Brasil, mas o gesto não deve ter reciprocidade diplomática americana. A medida também vai beneficiar australianos, canadenses e japoneses.

Seguindo a agenda do presidente, hoje Bolsonaro participa de um evento para empresários na Câmara de Comércio dos Estados Unidos. O ministro da Economia Paulo Guedes vai ficar encarregado de falar sobre o futuro da economia brasileira e as oportunidades para empreendedores estrangeiros naquele país. O presidente brasileiro vai discursar no fim do encontro.

Nesta segunda (18), Bolsonaro se encontra com empresários e, na terça (19), participa de uma reunião de trabalho com o presidente americano Donald Trump. O retorno ao Brasil está marcado para terça-feira às 21h45 pelo horário local de Washington.


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