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Américas

Oposição e chavistas saem às ruas em novas manifestações na Venezuela

media O opositor Juan Guaidó convocou nova manifestação para pressionar por ajuda humanitária. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

Chavistas e oposicionistas convocam os venezuelanos para novas manifestações neste sábado (16). O opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino e reconhecido por 50 países, quer pressionar o governo a reconhecer a crise humanitária, agravada pelo apagão dos últimos dias. O presidente Nicolás Maduro convocou, por sua vez, uma contra-manifestação de apoio ao seu governo em Caracas.

Maduro criou na sexta-feira (15) uma unidade militar encarregada de proteger as instalações de serviços básicos como eletricidade e água, após o apagão generalizado que atribuiu a "ataques cibernéticos" dos Estados Unidos. Em rede nacional, ele anunciou a criação do "Comando para a Defesa dos Serviços Básicos Estratégicos do Estado", que terá a missão de proporcionar "segurança, operacionalidade e manutenção". Os integrantes da nova unidade garantirão a "segurança física e cibernética" da infraestrutura e vigiarão a manutenção dos equipamentos.

O líder venezuelano voltou a afirmar que o apagão foi provocado por "ataques sucessivos" contra Guri - a maior hidroelétrica do país - e outras instalações "dirigidos" por John Bolton, assessor de segurança de Donald Trump. Ele acusou ainda a oposição de criar um plano para "acompanhar o apagão com violência generalizada", e culpou Juan Guaidó como responsável direto pela "sabotagem".

As principais centrais elétricas da Venezuela já estão sob o controle dos militares desde a época do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013), que declarou "emergência" em várias ocasiões diante dos frequentes apagões no país.

Jornalista é libertado

O jornalista alemão Billy Six foi libertado na sexta-feira, depois de permanecer quatro meses detido na sede do serviço de Inteligência em Caracas. Ele deverá, no entanto, se apresentar à Justiça a cada 15 dias. Em um comunicado, a ONG Espaço Público, que defende a liberdade de expressão, explicou que ele está proibido de falar à imprensa sobre o caso. "Exigimos liberdade plena, #InformarNoEsDelito", publicou a ONG.

A libertação do jornalista, de 32 anos, ocorreu após "sua audiência de apresentação", informou o Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP), que qualifica de "arbitrária" a prisão ocorrida em 17 de novembro passado. Six foi preso na península de Paraguaná, no estado de Falcón, supostamente por fotografar Maduro de "muito perto", segundo o Espaço Público.

O jornalista estava na Venezuela para investigar casos de narcotráfico, contrabando e tráfico de pessoas, assim como o êxodo dos venezuelanos provocado pela grave crise econômica.

O jornalista polonês Tomasz Surdel, colaborador do jornal Gazeta Wyborcza, instalado há dois meses em Caracas, foi detido na madrugada de quinta para sexta-feira pelas forças especiais da polícia, quando circulava no bairro de Bello Monte. O SNTP exibiu imagens do rosto do jornalista coberto de sangue  e hematomas. Ele relatou em um vídeo ter sido abordado por seis policiais, que o agrediram gratuitamente, relatou.

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