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Venezuela: apagão leva Guaidó a pedir instauração do estado de emergência

Venezuela: apagão leva Guaidó a pedir instauração do estado de emergência
 
Em Caracas cidadãos buscavam água, driblando os efeitos do apagão. Elianah Jorge

Desde quinta-feira (9), a Venezuela vive o maior apagão da sua história. O presidente autoproclamado, Juan Guaidó, pediu que o Parlamento vote pela instauração do estado de emergência para facilitar a entrada de ajuda humanitária no país.

Elianah Jorge, correspondente da RFI em Caracas

“Devemos nos encarregar dessa catástrofe agora”, declarou o opositor de Nicolás Maduro, reconhecido por cerca de 50 países. A energia elétrica voltou a funcionar neste domingo (10) à noite em alguns bairros de Caracas, mas o retorno não é duradouro.

O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, pediu calma e explicou que “a paciência é a arma que vai nos dar a vitória”. Segundo ele, as Forças Armadas tomaram estações e subestações de energia elétrica em todo o país para evitar "novas ações" contra a Venezuela.

A ordem de resguardar pontos estratégicos para o fornecimento elétrico no país foi anunciada em 2013. Mas isso não impediu o suposto “ataque cibernético”, denunciado pelo presidente Nicolás Maduro no sábado (9). Para ele, uma sabotagem provocou a pane.

Primeiro alerta aconteceu em 2010

O primeiro alerta sobre a situação da energia elétrica na Venezuela aconteceu em 2010, feito pelo então presidente Hugo Chávez. Nesta época, a iluminação pública foi restrita na capital Caracas e em outras cidades do país.

No interior, os habitantes tiveram que se adaptar ao racionamento aplicado desde 2016. Naquele ano, especialistas advertiram que as termoelétricas funcionavam com 30% de sua capacidade, aportando apenas 6.500 megawatts - em vez dos 21.500 que poderiam suprir ao país.

O apagão era esperado, mas ninguém sabia quando aconteceria. Quem pôde, no passado, comprou um gerador portátil de energia. Em um comunicado, Nicolás Maduro informou que o governo está trabalhando para restituir o fornecimento de energia elétrica.

Situação grave nos hospitais

O governo decretou que empresas, comércio em geral e escolas continuem fechados. A situação mais grave é nos hospitais, onde pacientes que dependem de máquinas para continuarem vivos, padecem. Neste domingo, 15 pessoas com problemas renais morreram porque não puderam realizar a diálise. A informação foi desmentida pelo governo.

A falta de eletricidade implica na falta de água, de sinal de telefonia fixa e de celular. Neste domingo não havia sinal de internet em cerca de 80% do país. No interior, o apagão ainda é vigente. No domingo, em várias partes do país, muitos veículos aguardavam nos postos de gasolina a chegada da energia para poder abastecer. Foram registrados saques a comércios no país e shoppings não abriram desde o início do apagão.

Driblando o apagão

Prevendo a falta d´água por causa do apagão, venezuelanos recorreram a rios para encher garrafões. Apesar dos problemas na comunicação, circularam informações sobre como conservar alimentos e remédios sem refrigeração. Problemas de conexão com os sistemas bancários levaram o dólar a ser a moeda vigente durante o apagão. Cidadãos e comércios preferiam doar alimentos perecíveis em vez de deixá-los estragar. Neste apagão, Caracas, onde moram cerca de seis milhões de pessoas, parecia uma cidade fantasma .


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