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Brasileiros ajudam a resgatar a tradição do Carnaval na Argentina

Brasileiros ajudam a resgatar a tradição do Carnaval na Argentina
 
O bloco Cordão de Prata foi criado há três anos e é organizado pelo Centro de Estudos da Música Brasileira (Cembra) em Buenos Aires. Divulgação/Cordão de Prata

A Argentina recuperou o feriado de Carnaval há apenas oito anos e vive um processo de construção de expressões artísticas sob influência direta de brasileiros e de ritmos do Brasil. Em nenhuma outra época do ano, Buenos Aires é tão brasileira.

Márcio Resende, correspondente da RFI em Buenos Aires

Até oito anos atrás, praticamente não existia Carnaval em Buenos Aires. A data nem mesmo era feriado nacional. Tudo começou a mudar 2011, quando a Argentina recuperou o feriado que tinha deixado de existir em 1976.

De lá pra cá, a Argentina vem reconstruindo o seu Carnaval. E os brasileiros têm sido atuantes nesse processo de ocupação do espaço público e de projeção de expressões artísticas a partir de ritmos do Brasil. São bailes de Carnaval, blocos de rua e até escola de samba. Já dá para pular Carnaval em Buenos Aires sem sentir tanta saudade do Brasil.

O bloco Cordão de Prata, por exemplo, nasceu há três anos, organizado pelo Centro de Estudos da Música Brasileira (Cembra). No primeiro ano, convocou 100 pessoas. No ano passado, já foram 300. E neste ano, mais de mil.

Foliã no bloco Cordão de Prata, em Buenos Aires. Divulgação/Cordão de Prata

Tiago Melo de Souza é cenógrafo e um dos produtores artísticos do bloco. Tiago contou à RFI como o Cordão, ao longo de 1,5 km de trajeto pelo bairro portenho de Almagro, desperta o interesse dos moradores.

"Algo que a gente foi sentindo ao longo desses três anos é a recepção das pessoas do bairro. Durante a caminhada do bloco, num sábado à tarde, elas saem nas suas varandas, principalmente os mais idosos, mesmo de pijama. E você vê nos olhos que elas estão vivendo uma nostalgia", descreve Tiago, quem também organiza, neste domingo de Carnaval, o alternativo baile "Let's Have Bizarre" que já tem lista de espera.

Bloco Cordão de Prata pelas ruas de Buenos Aires. Divulgação/Cordão de Prata

Microcosmo brasileiro

A foliã Gisele Teixeira vê como o carnaval brasileiro tem ganho o espaço público da cidade. "Acompanho desde a primeira edição do Cordão de Prata. Vejo que, a cada ano, tem mais gente entendendo o carnaval brasileiro. A Argentina ainda tem um Carnaval muito espectador. Não é um Carnaval de expressão popular. Mas eu acredito que isso venha com o tempo", prevê.

Para Gisele, já se pode dizer que, na Argentina, existe um circuito fielmente brasileiro de Carnaval. "Eu me sinto muito feliz de ter essa pitada de Carnaval aqui nos anos que eu não posso viajar ao Brasil. É como se fosse um mini cosmos do Carnaval brasileiro: exatamente o que acontece lá, mas numa versão menor", compara.

Tiago Melo de Souza é produtor artístico e cenográfico do bloco Cordão de Prata. Divulgação/Cordão de Prata

Samba tradição

O Cordão de Prata não se prende a um único ritmo. Vai da marchinha ao maracatu; do xote ao funk. Todas as regiões brasileiras representadas.

Já a escola de samba Estação Primeira de Lanús faz do samba-enredo carioca o seu estandarte. Canta em português, compõe em português, mas é feita por argentinos.

A Escola nasceu há 10 anos com apenas 5 integrantes na bateria. Cinco anos depois, já eram 50. Hoje, são 130 componentes. O público quintuplicou: passou de 200, há cinco anos, para mais de mil em cada apresentação em vários municípios da grande Buenos Aires.

Nicolás Doallo, um dos fundadores da escola, explicou à RFI essa influência do samba no Carnaval argentino. "O trabalho da Estação Primeira é difundir e manter na Argentina a tradição das escolas de samba do Rio de Janeiro. Mas, nesse processo, percebemos que também precisamos construir a nossa própria identidade. Agora estamos nesse novo processo de entender e de representar a voz do nosso povo, da nossa comunidade", indica Nicolás.

"É como trazer o samba para a Argentina e, por outro lado, através do samba, expressar a cultura argentina também", conclui como uma receita de integração.

Nicolás Doallo comanda a Estação Primeira de Lanús neste Carnaval. Márcio Resende/RFI

A história da Escola de Lanús se confunde com o crescimento do próprio Carnaval em Buenos Aires, avalia Nicolás. "Em paralelo à recuperação dos feriados de Carnaval no país, nós estávamos nesse desafio de fazer uma escola de samba. Foi uma coincidência, mas que potencializou porque o feriado permite que agrupações e instituições ganhem projeção artística. Ter recuperado o Carnaval foi uma vitória do povo, algo que nunca se devia ter perdido."

Saudades do Brasil e dos antigos carnavais

E, claro, não podiam faltar os bailes. A casa de show Notorius, onde a música brasileira encontra o seu templo em Buenos Aires, realiza o segundo baile de Carnaval conduzido pela cantora pernambucana Josi Dias.

Para Josi, esse é um baile para matar saudade do Brasil e para exportar o que o brasileiro sabe fazer de melhor. "A contribuição do Carnaval brasileiro para o Carnaval argentino é realmente poder mostrar como a gente se entrega de corpo e alma à alegria. Acho que isso é fundamental para que o argentino possa adotar essa forma linda de comemorar o Carnaval", acredita.

"A nossa proposta é recriar os bailes de carnaval de antigamente, compondo esse ambiente familiar, de encontro com os amigos. A confraternização a partir da alegria de viver", resume Josi.

E a própria Prefeitura de Buenos Aires organiza desfiles do bloco "Me leva que Vou" em três bairros da cidade, inclusive na emblemática Avenida de Maio. "Quem sabe no futuro não tenhamos brasileiros que venham do Brasil para curtir o Carnaval na Argentina, para curtir o nosso bloco?", sonha Tiago, do Cordão de Prata.

Sonhar não custa nada, ou melhor, fantasiar.

Flyer do baile de Carnaval conduzido pela cantora pernambucana Josi Dias. Divulgação/Notorius

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