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Américas

Guaidó anuncia entrada de ajuda humanitária na Venezuela

media Confronto entre venezuelanos e as forças de segurança em Ureña, 23/02/2019 REUTERS/Andres Martinez Casares

A luta pelo poder na Venezuela se acentuou neste sábado (23), “Dia D” para o conflito da entrada da ajuda humanitária no país. Diversos incidentes ocorreram ao longo da manhã e o presidente interino autoproclamado, Juan Guaidó, anunciou que um primeiro carregamento de alimentos e medicamentos conseguiu entrar no território venezuelano, passando pela fronteira com o Brasil.

"Atenção Venezuela: anunciamos oficialmente que o primeiro carregamento de ajuda humanitária entrou agora passando pela fronteira com o Brasil. É uma grande conquista, Venezuela!", escreveu Guaidó no Twitter. O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, se opõe veementemente à entrada dos alimentos e medicamentos, afirmando que isso representaria o início de uma “intervenção militar” dos Estados Unidos.

Em represália, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia, tendo em vista o apoio do governo de Ivan Duque a Juan Guaidó em sua tentativa de entregar ajuda humanitária.

"Eu decidi romper todas as relações políticas e diplomáticas com o governo fascista da Colômbia e todos os seus embaixadores e cônsules devem partir em 24 horas da Venezuela. Saia daqui, oligarquia!", afirmou Maduro diante de uma grande manifestação em Caracas.

Na manhã deste sábado, dois caminhões, transportando cerca de oito toneladas de ajuda humanitária, deixaram uma base aérea da cidade de Boa Vista em direção a Pacaraima, fronteira com a Venezuela. Juan Guaidó, de 35 anos e reconhecido como presidente interino por cinquenta países, havia dito que 23 de fevereiro seria o dia da entrada dos mantimentos em seu país, contrariando a ordem de bloqueio de Maduro, que mandou fechar os principais pontos fronteiriços.

Os dois líderes venezuelanos disputam a questão da ajuda humanitária no país – ambos fizeram apelo para que seus apoiadores saíam às ruas de Caracas. Guaidó exige passagem livre para os mantimentos e medicamentos, enquanto Maduro denuncia uma “tentativa de intervenção militar”. Centenas de manifestantes, cobertos com a bandeira nacional, desfilaram aos gritos de “Maduro, o povo está com você”.

Confrontos na fronteira

Um pouco mais cedo neste sábado, militares venezuelanos dispersaram, com gás lacrimogêneo e balas de borracha, dezenas de pessoas que tentavam chegar à Colômbia por uma ponte fronteiriça em Ureña, bloqueada por ordem de Maduro. O governo venezuelano ordenou na sexta-feira (22) à noite o fechamento total das quatro pontes que ligam o estado Táchira ao departamento colombiano de Norte de Santander, onde fica a cidade de Cúcuta, centro de coleta da ajuda enviada pelos Estados Unidos.

Moradores de Ureña pediram aos militares autorização para atravessar a passagem de pedestres, algo que eles fazem normalmente. Após momentos de tensão, os militares avançaram e usaram gás lacrimogêneo. Algumas pessoas responderam com pedras e outros queimaram pneus. Os militares posicionaram um veículo e barricadas para impedir a passagem.

"Eu tenho que passar para cumprir minhas oito horas de trabalho. O que vai acontecer se eu não for? Minha família depende de mim", afirmou à AFP Unay Velasco, um jovem de 24 anos que presta serviços de limpeza em um supermercado de Cúcuta. Quase 40.000 venezuelanos atravessam diariamente a fronteira, segundo as autoridades migratórias. A maioria retorna ao país após o horário de trabalho ou depois de comprar medicamentos ou produtos em falta em seu país.

Militares desertaram

Onze militares e dois policiais venezuelanos desertaram neste sábado e partiram para a Colômbia. Um deles se apresentou como major Hugo Parra, vestindo uniforme da Força Armada Nacional Bolivariana. “Reconheço nosso presidente Juan Guaidó e lutarei com o povo venezuelano em cada etapa”, declarou Parra à imprensa.

Quatro dos militares que desertaram passaram pelas pontes na fronteira com a Colômbia, fechadas por ordem do governo de Nicolás Maduro. Três militares que estavam em um tanque derrubaram uma das cercas de segurança da ponte Simón Bolívar, na cidade de Cúcuta, informou um oficial do serviço de migração da Colômbia. Durante a ação, uma mulher ficou ferida.

Em um comunicado à imprensa, o serviço de migração colombiano afirmou que os militares "desertaram da ditadura de Nicolás Maduro". Os membros da Guarda Nacional Bolivariana entraram no território colombiano, enquanto o veículo ficou do lado venezuelano, de onde foi retirado por militares.

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