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Américas

Bolívia : Oposição protesta contra Evo Morales, que tenta 4° mandato

media Apesar do referendo, Morales foi reeleito nas primárias de seu partido para tentar um quarto mandato como presidente da Bolívia Courtesy of Bolivian Presidency/Handout via REUTERS

A oposição boliviana se organiza nesta quinta-feira (21) para manifestar contra a candidatura do presidente Evo Morales, que vai tentar se reeleger em outubro. O protesto é realizado três anos após um referendo que proibia o chefe de Estados de concorrer.

Alice Campaignolle, correspondente da RFI em La Paz

O dia 21 de fevereiro de 2016 se tornou uma data simbólica para muitos bolivianos. Foi nesse momento que a população participou de um referendo que previa modificar a Constituição do país, autorizando o presidente a tentar um quarto mandado. No cargo desde 2006, Morales já bateu o recorde como o chefe de Estado há mais tempo na presidência da Bolívia. 

Os bolivianos se exprimiram contra uma possível reeleição. Mas o líder decidiu tentar se manter no poder e conseguiu, com o apoio da Justiça, entrar na corrida eleitoral. Em janeiro deste ano seu partido organizou eleições primárias pela primeira vez e, apesar o referendo, Morales foi designado candidato. 

Desde 2016, os opositores fazem greve e se manifestam no dia 21 de fevereiro para chamar a atenção para o que consideram um desrespeito à democracia. Nos últimos dois anos alguns protestos chegaram a ser marcados por tensão violência, com manifestantes bloqueando as grandes avenidas da capital.

Esse ano dezenas de milhares de pessoas são esperadas nas ruas. No entanto, diante eleição iminente e do apoio do Tribunal Eleitoral ao chefe de Estado, a oposição começa a aceitar o fato de que Morales vai concorrer e a mobilização vem perdendo força. 

Eleição sem programa eleitoral

Nove candidatos devem concorrer ao principal cargo político da Bolívia. Porém, mesmo se o pleito acontece em apenas oito meses, até agora nenhum programa eleitoral foi divulgado. Os candidatos se contentam em criticar Morales, sem necessariamente apresentar propostas concretar para o país.

O principal rival do atual chefe de Estado é Carlos Mesa. Mas o opositor carrega um legado difícil, já que foi vice de Gonzalo Sanchez de Lozada, ex-presidente que fugiu da Bolívia acusado após ter comandado a repressão a uma manifestação que fez mais de 60 mortos em 2003.

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