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Américas

Exército da Venezuela reafirma “lealdade irrestrita” a Maduro

media O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino Lopez, à frente e ao centro, durante coletiva de imprensa em Caracas, em 19 de fevereiro de 2019. REUTERS/Manaure Quintero

As Forças Armadas venezuelanas se declararam nesta terça-feira (19) em "alerta" para evitar uma violação de seu território com a entrada anunciada de ajuda humanitária no sábado (23). O Exército reiterou sua "lealdade irrestrita" ao presidente Nicolás Maduro, em um pronunciamento de rechaço às solicitações do líder norte-americano, Donald Trump.

"As Forças Armadas da Venezuela permanecerão mobilizadas e em alerta ao longo das fronteiras para evitar qualquer violação à integridade de seu território", disse o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, quem, em nome do alto comando militar, reiterou "irrestrita obediência, subordinação e lealdade" a Maduro.

O chefe do Exército acusou Trump de ser "arrogante" por pedir às Forças Armadas venezuelanas que aceitem a anistia oferecida pelo líder da oposição, Juan Guaidó, e a romper com Maduro, avisando que, caso contrário, "perderão tudo". Padrino afirmou ainda que as Forças Armadas não permitirão a implementação de "um governo fantoche, subserviente, entreguista, antipatriótico", instaurado pela força. "Eles terão que passar sobre nossos cadáveres", afirmou.

Na véspera, Trump havia solicitado aos militares venezuelanos que aceitassem a anistia oferecida por Guaidó. "Podem escolher entre aceitar a generosa oferta de anistia do [autoproclamado] presidente Guaidó e viver sua vida em paz com suas famílias e seus compatriotas. Ou podem escolher o segundo caminho: continuar apoiando [o presidente Nicolás] Maduro. Se elegerem este caminho, não encontrarão um refúgio, não haverá uma saída fácil. Perderão tudo", disse Trump a cerca de 300 venezuelanos em Miami, referindo-se aos militares.

Também afirmou que "os dias do socialismo e do comunismo estão contados" na Venezuela, Cuba e Nicarágua. De Caracas, Maduro respondeu ao apelo do presidente norte-americano aos militares: "Donald Trump acredita que pode dar ordens e que a Força Armada Nacional Bolivariana vai cumprir as ordens dele".

"A Donald Trump, o chefe do império, vamos responder com a moral, com a verdade, com união. Eles subestimam um país inteiro", disse durante um ato de governo transmitido pela TV venezuelana.

Ajuda ou invasão?

Mais cedo, Juan Guaidó também exigiu aos militares que deixassem entrar no país a ajuda humanitária, apesar de o governo de Maduro ter ordenado bloqueá-la por considerá-la o início de uma invasão militar americana. "A ordem está dada. De novo, senhores da Força Armada: permitam que entre a ajuda humanitária, se coloquem ao lado da Constituição, das necessidades do povo", assegurou Guaidó, líder do Congresso de maioria opositora.

Reconhecido como presidente interino por cerca de 50 países, Guaidó está preparando mobilizações em todo o país para acompanhar voluntários que irão à fronteira em caravanas de ônibus em busca de toneladas de remédios e alimentos, armazenados no Brasil, na Colômbia e em Curaçao.

"Em 23 de fevereiro, a ajuda humanitária de um jeito ou de outro vai entrar na Venezuela e em todos os cantos do país vamos nos mobilizar. As brigadas irão em caravana, enquanto haverá protestos. Não será através do medo que vão nos deter", assegurou o líder da oposição.

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