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Américas

Voluntários se organizam para distribuir ajuda humanitária na Venezuela

media Juan Guaido durante encontro com apoiadores em Los Cortijos, a nordeste de Caracas, neste sábado. REUTERS/Marco Bello

O opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente interino da Venezuela por 50 países, convocou uma grande mobilização nacional em 23 de fevereiro para acompanhar a entrada da ajuda humanitária americana que está bloqueada há dez dias em Cúcuta, cidade na fronteira com a Colômbia. O opositor recruta voluntários para caravanas e novas manifestações de apoio nas principais cidades do país.

Neste sábado (16), durante encontro com apoiadores em Los Cortijos, perto de Caracas, Guaidó disse que 600 mil voluntários já se inscreveram e que as caravanas deverão ir para Cúcuta, mas também até a fronteira com o Brasil e ao ponto onde a ajuda humanitária chegará de Curaçao.

Medicamentos e alimentos estão armazenados desde 7 de fevereiro em Cúcuta, perto da ponte fronteiriça de Tienditas, bloqueada por militares venezuelanos com contêineres de carga, um navio-tanque e outros obstáculos.

"Enquanto alguns falam em comprar mísseis, recebemos US$ 110 milhões doados e não paramos por aí", disse Guaidó, referindo-se à captação de recursos nas últimas três semanas em ajudas à Venezuela.

O multimilionário britânico Richard Branson organiza um show no próximo dia 22 em Cúcuta, com artistas como os espanhóis Alejandro Sanz e Miguel Bosé, o porto-riquenho Luis Fonsi e os colombianos Carlos Vives e Juanes, a fim de arrecadar outros US$ 100 milhões em 60 dias.

Maduro resiste e busca apoio militar

O presidente Nicolás Maduro classifica a ajuda americana de "migalhas de comida podre e contaminada". Ele atribui o quadro de escassez de produtos de primeira necessidade na Venezuela às sanções impostas pelos Estados Unidos, que teriam gerado danos de US$ 30 bilhões a Caracas, segundo o dirigente socialista.

Cerca de 2,3 milhões de venezuelanos deixaram o país desde 2015, segundo a ONU, embora Maduro afirme que são cerca de 600 mil,  "que foram enganados".

Guaidó reiterou neste sábado que "a ajuda humanitária entrará sim" em 23 de fevereiro, quando completa um mês de sua autoproclamação, depois de o Legislativo declarar Maduro como um "usurpador", por ter vencido as últimas eleições de forma "fraudulenta".

Na sexta-feira (15), Maduro convocou os militares venezuelanos a preparar um "plano especial" na fronteira com a Colômbia, diante do que denunciou como "planos de guerra" dos presidentes americano, Donald Trump, e o colombiano, Iván Duque.

'Fronteira inexpugnável'

Em videoconferência transmitida ao vivo no Instagram, Duque, que se refere a Maduro como "ditador" e "usurpador", prometeu a Guaidó apoiá-lo "de modo decisivo" para a passagem da ajuda pela fronteira. Mas Maduro pediu às Forças Armadas que avaliem "que novas forças são necessárias para que a fronteira seja inexpugnável".

Em cerimônias em quartéis, membros das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) de Cuba respaldaram Maduro, lançando seus tradicionais slogans de "Hasta la victoria, siempre!" ou "Pátria ou morte, venceremos!".

Maduro acusa o adversário de 35 anos de ser um "fantoche" de Washington e um "Judas" por "promover uma invasão militar" e o "roubo da riqueza do petróleo" do país. O governo Trump diz que não descarta uma ação do Exército na Venezuela.

"Não podem ser tão hipócritas, esta (ajuda) é uma operação midiática de propaganda, para criar condições para uma intervenção", disse neste sábado o chanceler venezuelano, Jorge Arreaza. O ministro confirmou ter tido duas reuniões secretas com Elliott Abrams, enviado de Trump para a Venezuela. "Houve momentos de tensão, há diferenças profundas, mas ao mesmo tempo há preocupações compartilhadas", afirmou.

O vice-presidente americano, Mike Pence, pediu neste sábado à União Europeia (UE) que reconheça Guaidó como único presidente legítimo da Venezuela, no momento em que alguns países europeus bloqueiam uma posição comum do bloco.

A UE e o Uruguai enviarão nos próximos dias uma missão técnica à Venezuela com especialistas eleitorais e em ajuda humanitária, dentro do Grupo de Contato Internacional (GCI).

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