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Américas

Trump insiste em construir o muro em seu primeiro discurso no Congresso de maioria democrata

media Donald Trump, ao centro, em seu discurso sobre o estado da União em sessão conjunta do Congresso dos EUA na Câmara do Capitólio, em Washington, 5 de fevereiro de 2019 REUTERS/Leah Millis

Diante do Congresso, o presidente americano, Donald Trump, pediu na terça-feira (5) à noite (madrugada de quarta-feira no Brasil)  a concórdia e o compromisso para superar a paralisação política, mas insistiu na necessidade de construir um muro na fronteira com o México, tema que provoca profundas divisões.

“Minha administração enviou ao Congresso propostas de ‘bom senso’ para acabar com a crise na fronteira do sul”, disse o presidente, referindo-se ao México.

Trump disse que suas “propostas de bom senso” incluem “assistência humanitária, mais policiamento, detecção de drogas em aeroportos, fechamento de brechas que possibilitam contrabando infantil e planos para uma nova barreira física”.

Foi o primeiro discurso do presidente no Congresso desde que os democratas se tornaram majoritários na Câmara dos Deputados e aconteceu antes do prazo final, em 15 de fevereiro, dado ao Congresso para concordar com o financiamento para a construção de um muro fronteiriço, que foi sua promessa de campanha.

Trump usou o tradicional discurso anual sobre o Estado da União, exibido na TV em horário nobre para uma grande audiência, para pedir unidade, sem deixar de criticar o que considera investigações "ridículas" e "partidárias", em referência ao inquérito sobre um suposto conluio de sua campanha presidencial com a Rússia, algo que ofusca seu mandato.

Dois anos após o início de seu mandato e com a reeleição em 2020 na mira, Trump enfrenta tudo menos unidade: os democratas controlam a Câmara de Representantes e os republicanos o Senado, mas sua retórica inflamada afeta sua posição até mesmo dentro de seu partido.

A construção do muro

A apenas 10 dias do fim do prazo que deu ao Congresso para financiar seu muro, e evitar assim um novo conflito orçamentário como o que provocou a paralisação recente de 35 dias do governo - um recorde -, o presidente afirmou que prosseguirá com seu principal projeto para frear a imigração ilegal, que a oposição democrata rejeita de modo veemente.

"Vou fazer com que construam", prometeu. "Os muros funcionam e muros salvam vidas. Então vamos trabalhar juntos, encontrar um compromisso e chegar a um acordo que realmente faça os Estados Unidos seguros", acrescentou Trump.
Mas ele não declarou a "emergência nacional" que havia ameaçado, algo que concederia poderes extraordinários à presidência para tomar decisões sem o aval do Congresso, o que os democratas já anunciaram que impugnariam.

Coreia do Norte, talibãs e Venezuela

Trump também defendeu sua política externa, ume tema delicado.

"As grandes nações não travam guerras intermináveis", disse, depois da derrota sofrida na segunda-feira no Senado com a aprovação, por ampla maioria, de uma emenda que critica sua decisão de retirar as tropas americanas da Síria e do Afeganistão.

O republicano afirmou que as negociações com os talibãs avançam de forma "construtiva", demonstrando esperança e, ao mesmo tempo, cautela sobre a possibilidade de encerrar a guerra mais longa da história dos Estados Unidos, iniciada pouco depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Como era esperado, o presidente anunciou o segundo encontro de cúpula com o líder norte-coreano, Kim Jong Un, no fim de fevereiro no Vietnã, para prosseguir com as negociações sobre o desarmamento nuclear da Coreia do Norte.

"Se eu não tivesse sido eleito presidente dos Estados Unidos, estaríamos agora, em minha opinião, em uma grande guerra com a Coreia do Norte", disse Trump.

Ao falar sobre as duras negociações comerciais com a China, o tom foi duro.

"Agora deixamos claro para a China, depois de anos assediando nossas indústrias e roubando nossa propriedade intelectual, que o roubo de empregos e riqueza nos EUA terminou", disse o presidente em seu discurso sobre o Estado da União.

Trump destacou ainda o apoio à "busca da liberdade" na Venezuela, denunciando a "brutalidade do regime" de Nicolás Maduro e reiterando o apoio ao "novo presidente interino" Juan Guaidó.

"Estamos com o povo venezuelano em sua nobre busca pela liberdade", disse Trump. O enviado de Guaidó a Washington, Carlos Vecchio, foi um dos convidados especiais do discurso.

Epidemias

Trump prometeu ainda enfrentar epidemias, como a dos opióides e de HIV.

"Meu orçamento pedirá aos democratas e republicanos que destinem os recursos necessários para eliminar a epidemia de HIV nos Estados Unidos em 10 anos, e juntos derrotaremos a aids na América e além", disse.

O presidente concluiu o discurso de pouco mais de 80 minutos com o mesmo tom unificador do início de sua fala: "Devemos escolher se nos definimos por nossas diferenças ou se temos a audácia de transcendê-las".

(Com informações da AFP)

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