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Américas

Pulmão industrial da Venezuela perdeu 90% de suas empresas desde a era chavista

media Fábricas e hangares estão vazios há anos na zona industrial de Valencia. RFI / Véronique Gaymard

A produção industrial venezuelana despencou nos últimos anos, em um contexto de crise intensificado pelas sanções internacionais impostas contra o governo de Nicolás Maduro e, antes dele, Hugo Chávez. Algumas regiões viram boa parte de suas fábricas pararem de funcionar. Valencia, no norte do país, é um exemplo flagrante do impacto da situação econômica atual da Venezuela. Conhecida como pulmão da indústria local, a cidade está praticamente abandonada.

Véronique Gaymard, enviada especial a Valencia

Basta um rápido passeio de carro pela zona industrial situada ao sul de Valencia para constatar o declínio na região. As fábricas fechadas, os hangares abandonados e as ruas vazias dão ares de cidade fantasma a uma localidade conhecida no passado por sua pungência industrial.

“Nesse cruzamento tinha uma fábrica da Ford, mas hoje parece o deserto do Saara. Isso aqui estava cheio de carros e agora não tem mais nada”, comenta o repórter fotográfico Hernán, que vive há 15 anos em Valencia. “Logo ali também ficava a General Motors, principal empresa do Estado de Carabobo e a maior montadora da América Latina, atrás apenas do México”, se orgulha. “E olhe como ela está agora! Até a placa da fachada caiu”, continua o morador. Segundo ele, as máquinas da fábrica estariam sendo montadas para a revenda do metal das peças.

“Isso aqui era uma zona industrial, mas hoje está tudo parado. As fábricas que continuam trabalhando funcionam parcialmente, entre 9h e 15h. Depois, eles mandam todo mundo para casa”, relata Hernán. “Mas essa situação é relativamente recente. Até dois ou três anos atrás as coisas funcionavam bem”, pondera.

Muito além das sanções internacionais

Muito se fala sobre o impacto das sanções internacionais na situação atual da economia venezuelana. No entanto, além das pressão estrangeira, a combinação dos anos do petróleo em alta, que permitiam importar de tudo, das fábricas tomadas pelo Estado e da expropriação de empresários considerados capitalistas aproveitadores, aliados à queda do preço do bruto, o controle do câmbio e as barreiras administrativas aparecem como as principais explicações para o declínio da produção industrial do país.

Mas segundo Carlos Gonzalez, presidente da Fedecámaras, sindicato do patronato do Estado de Carabobo, a queda foi brutal. “Nos anos 1994, nós tínhamos cerca de 6 mil empresas e indústrias. Representávamos, em apenas uma cidade, 30% do parque industrial da Venezuela”, se orgulha. “Hoje restam 2600 empresas no país e apenas 600 em Valencia. Tínhamos seis linhas de produção de veículos, mas agora resta somente uma parte de uma delas. Não chega nem a ser uma linha de montagem inteira!”

Jason faz parte dos poucos que ainda trabalham nas fábricas que funcionam parcialmente. Aos 56 anos, esse operário de manutenção vai a pé para o trabalho, diante da falta de transporte. “Caminho durante uma hora, pois não há ônibus e as poucas caminhonetes custam muito caro”, reclama. “Não produzimos mais nada. As empresas até pagam nossos salários, mas não temos o que fazer”, relata. Ele ganha 23 mil bolívares por mês, pouco mais que o salário mínimo, que corresponde a 18 mil bolívares (R$ 25).

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